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Moradores da Rua 9 de Agosto desiludidos com a autarquia

Em causa atrasos na obra de contenção do talude para evitar deslizamento de terras

Temem que as terras lhes entrem pelas casas e garagens e esperam há quase cinco anos por uma solução. Na rua 9 de Agosto vivem 250 famílias que exigem uma resposta rápida da autarquia.

Edição de 30.04.2008 | Sociedade
Cerca de uma dezena de moradores da rua 9 de Agosto em Alverca, aproveitou a reunião pública da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, realizada no dia 23 de Abril em Arcena, para manifestar a sua desilusão face à actuação do município no processo de construção de um talude para contenção das terras que ameaçam cair para cima das casas e garagens.Luís Filipe Sales alertou que as garagens dos números 25, 27 e 35 sofrem risco de derrocada a todo o momento. “Qualquer dia chegamos lá e temos tudo caído em cima dos carros. O pior é se alguém fica debaixo dos destroços”, alertou o proprietário de uma fracção e garagem no lote 27, um dos mais afectados.Luísa Cunha, porta-voz dos moradores recordou que tinha estado numa reunião pública, “faz seis meses e dois dias”, e que das promessas feitas pela câmara, na altura, poucas se concretizaram. “ A drenagem não foi feita, a contenção de terras também não e o risco de derrocada agrava-se todos os dias”, disse. A moradora acrescentou que o vice-presidente da câmara, Alberto Mesquita (PS) garantiu que as obras seriam concluídas no primeiro trimestre do ano de 2008, mas a previsão não se confirmou. “Estão à espera duma derrocada e que haja mortos para depois agirem?”, questionou.A líder da comissão de moradores reforçou a revolta dos proprietários perante a inércia da autarquia. “Ando aqui há quatro anos, estamos cansados e saturados. Gostava de saber para onde vai o dinheiro dos nossos impostos”, adiantou.O vice-presidente da câmara Alberto Mesquita, responsável pelo urbanismo, refutou as acusações dos moradores e referiu que “a câmara tem dado toda a atenção ao processo” que acompanha a par e passo. Segundo o autarca a primeira fase da obra foi concluída. “Vamos fazer a segunda se for justificada com os estudos que iremos realizar”, acrescentou.Segundo o autarca, se a solução preconizada for sustentada pelos estudos, os trabalhos devem recomeçar em finais de Maio, ou princípio de Junho. Alberto Mesquita justificou o atraso do processo com as condições climatéricas que não permitiram a intervenção no terreno. “A chuva é sempre um bom argumento”, referiu um munícipe. Munícipe acusa câmarade falta de éticaLuís Bernardino, outro morador no local, considerou que estamos perante um caso de “falta de ética da câmara” por causa das promessas “sucessivamente adiadas”. O proprietário recordou que na rua 9 de Agosto vivem 250 famílias que, na sua estimativa, pagam mais de 100 mil euros de impostos anuais e têm direitos. “Se pagamos temos de ter retorno”, concluiu. O vereador Alberto Mesquita disse que recusa receber lições de civismo e moral e defendeu que a câmara tem tido uma posição correcta. “É preciso avaliar de quem são as responsabilidades, a câmara tem tentado ajudar os moradores”, referiu.“Temos de verificar se é um problema de má construção. Se for a responsabilidade é do construtor. Se é do talude, aí a câmara terá de resolver”, acrescentou.Antes das máquinas avançarem, a empresa Geoteste vai fazer sondagens para avaliar as características dos solos e o estado do terreno. Os moradores exigem celeridade. E o vice-presidente pede alguma tolerância porque “é um problema complicado e de difícil solução”.O processo de contenção do talude da Rua 9 de Agosto, em Alverca arrasta-se desde o deslizamento de terras ocorrido em Novembro de 2003. Os moradores temem que as terras entrem pelas casas e garagens.O estado de abandono da zona envolvente, faz com que proliferem os animais roedores e rastejantes e o mato já chegou a algumas varandas. São alguns moradores que fazem a desinfestação do espaço envolvente das suas casas com receio de terem problemas de saúde. “Estamos perante um problema de saúde pública e um risco de incêndios, por falta de limpeza do local”, conclui um grupo de moradores.

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