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Museu da Boneca em Alcanena está em risco

Museu da Boneca em Alcanena está em risco
Edição de 30.04.2008 | Sociedade
A primeira data avançada para a inauguração do Museu da Boneca, em Alcanena, foi o dia 8 de Maio de 2008, mas não se vai concretizar. Há cerca de um mês o chefe de gabinete do presente da câmara afirmava que 1 de Junho, por ser o Dia Mundial da Criança, seria a data mais apropriada. Apesar de as obras de adaptação do antigo jardim-de-infância nem sequer terem começado. A proprietária do acervo, que conta com mais de três mil bonecas, está cansada de esperar. Rosa Vieira avisa que quando o protocolo assinado com a autarquia fizer um ano, a 11 de Junho, irá denunciá-lo. E pondera levar as suas “queridas meninas” para outro concelho. E para outra região.“Tentei levar o nome de Alcanena mais longe mas os responsáveis camarários não olham para o meu acervo como um acto de cultura. Acham até que me estão a fazer um grande favor”, desabafa Rosa Vieira, farta dos avanços e recuos do projecto e de nenhuma justificação lhe ser dada. Já passou quase um ano desde que a proprietária das bonecas assinou um protocolo com o município. Desde aí pouco mais sabe sobre o andamento do projecto. Pelo menos em termos oficiais. Pela via oficiosa chegou-lhe a informação de que o concurso lançado pela câmara para as obras de adaptação do jardim-de-infância teve de ser anulado, devido ao facto de a única empresa a concorrer ter apresentado um preço mais de 25 por cento acima do orçamentado – 100 mil euros. “Nem sei se a câmara já abriu outro concurso ou de que modo a obra vai ser agora feita”.Em declarações a O MIRANTE o vereador Eduardo Marcelino, responsável pelo pelouro da cultura, confirmou que o primeiro concurso teve de ser anulado devido ao valor apresentado tendo na sexta-feira passada o município enviado convites a mais cinco empresas. O autarca admitiu ainda que, devido ao atraso deste processo, e apesar de a obra ter um prazo de execução curto (25 dias) “dificilmente estará concluída no dia 1 de Junho”. Bonecas danificadasO trabalho de catalogação das bonecas foi iniciado em Janeiro do ano passado por técnicos da câmara, com a incumbência de fotografar e descrever os mais de três mil exemplares que irão integrar o futuro museu. Mas até isso correu mal, diz Rosa Vieira. “As funcionárias da autarquia danificaram-me mais de 200 bonecas. Estragaram cabelos, partiram acessórios e ninguém se importou com o facto”, queixa-se, adiantando que o restauro dessas bonecas está a ser feito por si, e a suas expensas. “Pedi um apoio financeiro à câmara mas até agora nada chegou”.Em Maio, as bonecas de Rosa Vieira vão estar em exposição em dois locais diferentes de Leiria, com a câmara a mostrar-se “muito interessada” no espólio. Antes de assinar o protocolo com o município de Alcanena também já tinha tido propostas de mais dois concelhos: Lourinhã, de onde é natural, e das Caldas da Rainha. Embora fossem mais vantajosas financeiramente, Rosa Vieira declinou e decidiu dar prioridade ao convite alcanenense. Hoje está arrependida e sente-se enganada. Com mágoa diz que se nada for feito até 11 de Junho, escreverá à câmara a rescindir o contrato. “Segundo o protocolo tenho 180 dias para o fazer”.

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