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Pequeno David cheio de vida um ano depois do transplante hepático

Ana Antunes deu parte do seu fígado para salvar o filho que sofria de cirrose

O menino de Ferreira do Zêzere corre traquina pela casa e adora andar de triciclo no quintal da avó.

Edição de 30.04.2008 | Sociedade
“Ele não pára. É um menino muito reguila. Estou muito feliz em tê-lo aqui ao pé de mim e ainda mais assim como ele está”. Ana Antunes solta a frase enquanto o seu olhar de mãe embevecida recai sobre David Tiago, que completa 2 anos no dia 20 de Junho. O menino da aldeia de Alqueidão de Santo Amaro, Ferreira do Zêzere, já não é a criança franzina e de uma impressionante cor amarela que aparece em fotografias tiradas há um ano, altura em que se submeteu a um transplante de fígado para tratar uma cirrose hepática. Está gordinho, traquina como qualquer menino da sua idade e parece respirar saúde. Adora motas, carros, jogar à bola, andar de triciclo no quintal da avó e ver desenhos animados na televisão. “É uma criança muito meiga. Uma companhia que tenho sempre comigo”, diz a mãe de 24 anos que, por enquanto, permanece em casa de baixa. “Ainda não me sinto segura para ir trabalhar. Canso-me mais facilmente e por vezes dói-me a parte do corpo que foi sujeita à operação”, explica. Nota-se uma grande cumplicidade entre os dois e Ana explica que o menino chama por ela frequentemente. David não sabe ainda que a mãe lhe deu um bocadinho do fígado para salvar a sua vida. Não sabe mas um dia há-de saber. Porque a cicatriz na sua barriga, em forma de “T” invertido é igualzinha à cicatriz que a mãe também tem. E porque Ana fez questão de guardar todas as fotografias e recortes de jornal onde aparece a contar a sua história. “Sei que um dia o meu filho vai sentir orgulho de mim”, diz.Ana não se arrepende de ter exposto o seu caso publicamente pois entende que pode servir de exemplo para outras mulheres que vivam a mesma situação. Na altura em que o caso foi mediatizado foi criada uma conta bancária para ajudar o casal, de parcos recursos, a conseguir pagar os medicamentos necessários para o tratamento da doença do filho. Ainda hoje há quem ajude esta família. “Há um senhor que todos os meses deposita 80 euros, o que para nós é uma grande ajuda. Gostava de lhe agradecer pessoalmente mas ele prefere manter-se incógnito”, aponta. A operação que colocou mãe e filho lado a lado no bloco operatório do Hospital Pediátrico da Universidade de Coimbra demorou mais de 15 horas. Foi no dia 5 de Abril de 2007, depois de ter sido adiada por algumas vezes por complicações de saúde do menino. Ainda hoje, um ano depois, a mãe mantém cautelas com o filho por ter receio que o corpo rejeite o fígado transplantado. “Quando se constipa, tem diarreia ou lhe aparecem borbulhitas no corpo fico logo assustada”, assume. Para controlo médico, o menino é observado de dois em dois meses no hospital. David Tiago é o primeiro filho de Ana Isabel e Nuno Miguel. Uma gravidez não planeada que, no entanto, foi bem-vinda. Uma gestação de 40 semanas e 4 dias que a jovem viveu sem sobressaltos nem angústias. Os sinais da doença do David surgiram duas semanas depois nascimento. O primeiro diagnóstico foi icterícia, muito comum nos recém-nascidos. Depois os médicos pensaram que fosse hepatite. Só mais tarde descobriram que se tratava de cirrose hepática. Para o menino se salvar teria que ser sujeito a um transplante hepático. A mãe, assim que soube ser dadora compatível, não hesitou por um momento. “Para o salvar, fazia tudo de novo”, diz confessando que, apesar de ter passado por esta experiência delicada, não coloca de lado a hipótese de voltar a ser aquilo que a enche de orgulho: mãe.

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