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Transporte de resíduos perigosos “está a ser empolado politicamente”

Transporte de resíduos perigosos “está a ser empolado politicamente”

Presidente da Chamusca acusa Bloco de Esquerda de traçar cenário dantesco
Edição de 30.04.2008 | Sociedade
“Recuso-me a fazer demagogia”. Esta é resposta do presidente da Câmara da Chamusca relativamente a um comunicado do Bloco de Esquerda, que acusa o Governo de “lavar as mãos” do problema do transporte de resíduos perigosos para o concelho da Chamusca quando os dois aterros para resíduos industriais perigosos começarem a funcionar. Sérgio Carrinho (CDU) diz que “fazer um cenário dantesco da situação” não é construtivo e até é alarmante.Interpelado no Parlamento pela deputada do Bloco de Esquerda Helena Pinto sobre o problema das acessibilidades, o ministro do Ambiente, Nunes Correia, respondeu que os dois aterros (designados por Cirver) são localizados na Chamusca “porque a câmara assim o quis e porque ofereceu contrapartidas a todos aqueles que quisessem aí instalar os Cirver”. Na ocasião, o ministro anunciou também que a data prevista para a inauguração dos Cirver - 5 de Junho – deverá ser antecipada, uma vez que nesse dia, terá de estar em Bruxelas.Questionado a comentar as declarações do ministro, o autarca da Chamusca preferiu dizer que o seu município “criou condições” para que os Cirver ali se instalassem, falando com os proprietários dos terrenos onde presumivelmente aqueles seriam instalados. “Os concorrentes e os proprietários assinaram um pré-acordo de compra, a câmara apenas fez a ponte entre os dois, não adquiriu quaisquer terrenos para dar a privados”, ressalvou Sérgio Carrinho. Relativamente às acessibilidades e ao transporte dos resíduos perigosos, o presidente do município lembrou que actualmente ele pode ser feito pela via rodoviária existente, quer pelas auto-estradas A13, A23 e A1, como pela Estrada Nacional (EN) 365, entre Chamusca e Golegã. “São estradas que não atravessam aglomerados urbanos, ficando assim minimizado o impacto da passagem das viaturas”.Apesar de admitir que “há coisas que já deviam estar prontas e ainda não avançaram”, como o IC3 entre Chamusca e Almeirim, Sérgio Carrinho lembrou que o estudo prévio do troço já foi feito e que a obra vai avançar e que será construída uma nova travessia do Tejo, a cerca de 500 metros da actualmente existente junto à vila, partindo daí uma nova ligação até ao Ecoparque do Relvão, obra que a câmara irá candidatar ao QREN.Afirmando que a questão do transporte dos resíduos “está a ser empolada politicamente”, Sérgio Carrinho salientou que a circulação dos resíduos nucleares e explosivos estão excluídos desta questão e lembrou que todos os dias circulam nas estradas da região e por dentro das vilas e cidades, incluindo a Chamusca, matérias-primas como combustíveis, produtos químicos e até cargas explosivas para as unidades militares concentradas na zona. “E nunca vi ninguém queixar-se disso”. Não vai haver nova ponte em ConstânciaO ministro do Ambiente descartou a hipótese de construção de uma nova travessia sobre o Tejo na zona de Constância, obra ambicionada e exigida há muito pelos autarcas de Constância e Vila Nova da Barquinha, devido à deterioração da actual, condicionada actualmente ao trânsito de pesados. Em resposta à interpelação da deputada do BE, Nunes Correia disse “ter trocado impressões” e “discutido tecnicamente o problema” com o Ministério das Obras Públicas e a conclusão a que chegaram “é que de imediato não havia justificação para a sua construção porque há bastantes caminhos alternativos, tendo em conta os fluxos viários e as suas várias origens”.Afirmações não partilhadas pelo presidente do município de Constância. Em declarações ao nosso jornal António Mendes (CDU) refere que um estudo feito pelos serviços da autarquia concluiu que apenas 10 por cento dos actuais utentes da velha ponte rodo-ferroviária que atravessa o Tejo vão passar a utilizar as duas pontes previstas nos projectos do IC9 (junto ao Tramagal, Abrantes) e do IC3 (junto à Chamusca).“A apreciação política desta questão foi obviamente feito nos gabinetes ministeriais, sem os seus responsáveis terem conhecimento da situação no terreno”, ressalvou o autarca que ainda acredita na construção de uma nova travessia junto à vila. “Pode não ser uma prioridade deste Governo mas poderá vir a ser de outros”.
Transporte de resíduos perigosos “está a ser empolado politicamente”

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