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25/07/2017
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Memorial instalado em terreno privado após contestação popular
Polémica em Vila Moreira obrigou à mudança de local de homenagem a Alberto Santos
Em Julho de 2007, alguns populares de Vila Moreira, Alcanena, insurgiram-se contra a colocação de um memorial no centro da localidade. Os pais do homenageado, ex-vereador da câmara municipal, insistiram na homenagem que o município de Alcanena queria prestar ao filho e instalaram o busto numa garagem ao lado da casa.Ver vídeo em: http://www.omirante.pt/omirantetv/noticia.asp?idgrupo=2&IdEdicao=51&idSeccao=514&id=22170&Action=noticia
Edição de 29.05.2008 | Sociedade
“Não lhes perdoo”. Por mais anos que viva, Clotilde Raposo, 79 anos, não esquece a dor provocada pela atitude de moradores de Vila Moreira, que a 24 de julho de 2007 impediram que fosse levada avante a homenagem ao seu filho Alberto Filipe Raposo Santos, falecido aos 53 anos num acidente rodoviário. As palavras de raiva são acompanhadas por lágrimas que revelam um coração de mãe a sangrar de dor. “Foi como se o meu filho tivesse morrido outra vez”, atesta. A morte do filho foi o mais duro golpe que Clotilde Raposo enfrentou na sua vida. Ao peito tem uma medalha com a fotografia do filho pendurada no fio de ouro, como numa tentativa vã de o ter mais perto de si. “Foi o maior choque da minha vida. Nunca mais passa. Ele foi uma pessoa diferente que veio ao mundo. Era muito bom para toda a gente”, exclama emocionada. Depois da sua morte, ocorrida a 9 Agosto de 2004, o executivo da Câmara de Alcanena aprovou um voto de condolências à família e uma proposta de realização de uma homenagem “com contornos a definir”. Isto porque Alberto Santos esteve na câmara como vereador na década de 80 e integrou a lista do ICA, o movimento de Independentes pelo Concelho de Alcanena, liderado pelo actual presidente da câmara Luís Azevedo, nas eleições autárquicas de 2001. Só que alguns populares acharam que esta homenagem estaria a abrir um precedente e chegaram mesmo a destruir o mármore do futuro memorial na madrugada do dia da sua inauguração, suspendendo a realização da mesma.Depois dos incidentes, ficou decidido numa reunião da junta que a homenagem já não seria para fazer. Clotilde Raposo não baixou os braços e pensou que poderia instalar o memorial do filho em terreno particular. Mandou, a custas próprias, recuperar o mármore partido e fazer obras de adaptação no quintal de sua casa. Igualmente mandou fazer o painel onde tem inscrito “pensamentos de dor”, da sua autoria, sobre o filho. Para finalizar, colocou um portão para proteger o espaço de invasores. Só o medalhão com a face do falecido e a placa onde consta a data da homenagem foram oferecidos pela autarquia, uma vez que já estavam feitos. No dia 23 de Fevereiro o memorial foi inaugurado na garagem ao lado de sua casa, em Vila Moreira. Uma cerimónia discreta, marcada pela ausência dos representantes da câmara municipal, os mesmos que aprovaram o voto de condolências à família e a proposta de uma homenagem “que faça perdurar no tempo a memória da sua dedicação às coisas da sua freguesia e do seu concelho”. A deliberação camarária foi colocada junto ao memorial. Segundo Clotilde Raposo, à cerimónia de inauguração assitiram poucas pessoas, entre as quais se encontravam o presidente e vice-presidente da Câmara Municipal de Torres Novas. População fala em bom-sensoClotilde Raposo diz que, desde a altura destes incidentes, tem sofrido muito “portas adentro” evitando contacto com os habitantes, especialmente com os que deram a cara pelo protesto. “Chamaram-me prepotente e vaidosa mas não fui eu que sugeri a homenagem naquele local, foi a junta”, acentua. Na localidade, os populares falam que prevaleceu o “bom-senso” e que “ali o memorial não incomoda ninguém” apesar do aspecto de santuário fúnebre que exterioriza a quem passa naquela rua. Segundo o presidente da junta de freguesia, Onildo Rosa, até ao momento ninguém se manifestou contra ou a favor da solução encontrada. “A questão ficou resolvida em terreno particular e, até ao momento, não recebi qualquer manifestação de contestação por parte de populares”, disse a O MIRANTE. Para o autarca, “toda a situação foi mal canalizada” e o memorial só não foi instalado na via pública porque a questão foi “empolada politicamente”. Onildo Rosa justifica que entre os populares que participaram no movimento contestatário, “um magote de 30 pessoas”, encontravam-se os elementos do PS na assembleia de freguesia. “Se a junta de freguesia fosse socialista nada disto teria acontecido”, salienta o presidente da junta, que se manteve desde o início ao lado de Clotilde Raposo.
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