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André Guerra e Joel Faria campeões nacionais de boxe amador

André Guerra e Joel Faria campeões nacionais de boxe amador

Pedro Guerra implementou a modalidade na Sociedade Operária de Cem Soldos
Edição de 03.07.2008 | Desporto
O boxe nunca foi uma modalidade com grande implantação no distrito de Santarém, mas desde há seis meses que ela se pratica na Sociedade Operária de Cem Soldos, uma colectividade, de uma freguesia do concelho de Tomar. Implementada por um antigo profissional da modalidade, conta já com dois campeões nacionais e uma dezena de praticantes. Pedro Guerra foi pugilista profissional, que quando deixou de praticar a modalidade e veio viver para Tomar, procurou um modo de implementar o boxe na região. A Sociedade Operária de Cem Soldos abriu-lhe as portas para dar o nome ao clube e poder inscrever-se na federação. A Nabância deu-lhe a possibilidade de fazer os treinos no seu pavilhão, e a modalidade arrancou mesmo, e em força, porque cinco meses depois já conta com dois campeões nacionais no seu seio.Uma dezena de praticantes dos mais variados pesos e categorias treinam três vezes por semana no pavilhão da Cooperativa Nabância, em Tomar. Dois deles sagraram-se campeões nacionais. André Guerra, em iniciados e Joel Faria, em juniores, e a modalidade começa a ocupar o seu lugar no seio da comunidade tomarense. “Já se ouvem alguns comentários sobre o boxe, o que há pouco tempo atrás, era quase impensável”, diz com entusiasmo Pedro Guerra.Mas são os campeões que “obrigam” a falar da modalidade. André Guerra tem 16 anos, é filho de Pedro Guerra. Foi o pai que influenciou a sua integração na modalidade, mas também foi por gosto próprio que se predispôs a trocar socos com outros adversários. É um jovem franzino, por isso é um peso pluma, que gosta sobretudo de usar a velocidade e uma boa capacidade de esquiva para desestabilizar os seus adversários.“Amo a modalidade, que ao contrário do que muita gente pensa e diz não é assim tão violenta. Treino com muita garra e luto com mais vontade ainda. E até hoje não perdi nenhum combate, mas a minha grande alegria foi a de me ter sagrado campeão nacional de iniciados, foi um dia inesquecível”, garantiu André Guerra.Joel Faria é um pouco mais velho, tem 19 anos e já compete a nível mais elevado, é campeão nacional de juniores, e em conjunto com o seu técnico Pedro Guerra, já pensa nos Jogos Olímpicos. “O Joel é uma força da natureza, nasceu para o boxe e está a desenvolver muito bem as suas potencialidades, de certeza que vai ser um grande pugilista, pode ir mesmo muito longe. Apesar de ainda ser júnior já mede forças com os consagrados e não fica mal. Começamos a pensar muito a sério numa ida aos Jogos Olímpicos”, garantiu o treinador.O pugilista que entrou no boxe a perder, cedeu logo no primeiro combate, embalou e não mais perdeu. Venceu já dois combates por KO. “Comecei a gostar de boxe quando via combates na televisão, e quando um colega meu me disse que se praticava boxe na Nabância vim logo para treinar”, garantiu. André Guerra riu quando lhe perguntámos se era agradável levar uns socos. “Não, não é agradável. Mas no ringue, com as protecções que temos nem nos lembramos que isso acontece, estamos a fazer uma coisa de que gostamos, e a praticar uma arte, que nos dá imenso gozo”, garantiu.Nem André nem Joel tiveram qualquer problema grave em combate, as lesões têm andado afastadas. Na questão de pesos André tem uma estrutura mais favorável. “Não preciso de fazer dietas para atingir o peso ideal”, garantiu André. Para Joel isso já é um pouco mais difícil, especialmente em alturas de competição, para manter a sua categoria de -69 kg. “Tenho que fazer dieta e isso é muito difícil porque gosto muito de comer”, garantiu.Todas as vitórias alcançadas pelo André Guerra foram conseguidas aos pontos. Mas Joel Faria é mais contundente e já conseguiu duas vitórias por KO. “Todas as vitórias são saborosas, mas as obtidas por KO têm outra emoção, foram os melhores momentos da minha carreira”, referiu.O técnico Pedro Guerra está agradecido ao Cem Soldos e ao Nabância. Ao primeiro porque acedeu a associar o seu nome à modalidade e a assumir algumas despesas. Ao segundo porque cede um espaço no seu pavilhão para os treinos dos pugilistas. “Foi optimo estes dois clubes terem-nos dado a mão, por isso todos lhes estamos agradecidos”, referiu.Quanto aos seus pupilos Pedro Guerra garante que tem boa matéria prima para trabalhar. “O André ainda é muito jovem, tem condições para progredir, acredito que vai longe. O Joel tem uma grande maturidade, vai lutar pelo campeonato nacional de seniores e pode vir a ser uma surpresa”, garantiu.“Penso que estou aqui a trabalhar com jovens pugilistas com muito futuro. Penso em objectivos altos, acredito que num futuro curto vou conseguir meter o Joel nos Jogos Olímpicos. Ele tem muito valor e acredito que vai ter essa possibilidade a curto prazo”, garantiu o técnico confiante num trabalho com apenas seis meses que já deu à estampa dois campeões nacionais.
André Guerra e Joel Faria campeões nacionais de boxe amador

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