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À entrada da cozinha das instalações de O MIRANTE

À entrada da cozinha das instalações de O MIRANTE

Primeiro Plano
Edição de 03.07.2008 | Sociedade
À entrada da cozinha das instalações de O MIRANTE ouve-se alguém perguntar no interior: “Quer um bolinho, um sumo, uma sandes?”. Um passo adiante e a voz feminina cola-se à dona. Ana Maria Barros é auxiliar de acção médica do Centro Regional de Sangue de Lisboa do Instituto Português do Sangue (IPS). Ajuda em mais uma recolha de sangue a cargo da brigada do IPS. Sempre bem disposta põe à vontade o dador que se estreia a enfrentar a agulha. Cabe-lhe assegurar que cada um come e bebe bem antes de dar 4,5 decilitros de sangue a quem dele precisa. Há 60 queques, 65 embalagens de bolachas, 144 sumos, 50 sandes. Na sala ao lado estão um médico e duas enfermeiras. Noutra sala a administrativa que regista as inscrições de dadores. Há ainda outro auxiliar e o indispensável motorista.Natural de Gouveia, distrito da Guarda, Ana Maria completa a 1 de Setembro 58 primaveras. Faz de tudo um pouco no IPS. Participa em postos fixos de recolha de sangue, desloca-se com as brigadas pelo país, faz limpezas e assegura que a fraqueza não chegue ao dador por falta de reforço alimentar.A primeira missão foi há 17 anos em Vila Franca de Xira. Uma colega faltou e Ana Maria substituiu-a. Foi com dois técnicos para tirar sangue a mais de 130 marinheiros. “Um deles, o último da fila, acabou por desmaiar. Até tive de lhe dar umas bofetadas. Quando acordou só falava dos cinco dias a que teria direito de folga”, recorda a auxiliar.A vida nem sempre foi de sorrisos, apesar de Ana Maria esboçar sempre um rosto alegre. Sofreu um acidente vascular cerebral devido a um esgotamento nervoso e ao cansaço. Esteve quase a perder a memória. Não pode dar sangue devido a problemas de saúde. Ana Maria costuma vir à região com as brigadas do IPS. Santarém, Vale de Santarém, Pernes, Alcanhões. “Ainda no outro domingo estive na Fajarda, Coruche, com a equipa”, recorda. “Vamos a todo o lado, só falta ir às ilhas. Aí é que era bom fazer uma semana de recolhas”, garante com um sorriso. Começou na labuta com 11 anos. Migrou para Lisboa com 17 anos e acabou por casar com um minhoto. Trabalhou na Universidade Nova de Lisboa a servir almoços. Passou pelo serviço gráfico e de encadernação de livros dessa instituição. Em Julho chegam as merecidas férias. Ana Maria aproveita para visitar a família em Gouveia e espairece a mente no Algarve.
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