uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
30 anos do jornal o Mirante

Arrebatador Manuel Serra d’Aire

Edição de 10.07.2008 | E-mails do outro mundo
Está visto que santos da casa não fazem milagres e o mito da omnipresença do autarca-comentador-professor-criminologista-escritor Francisco Moita Flores desvaneceu-se numa manhã de domingo de Verão. E não foi preciso qualquer manto de nevoeiro para se perceber que afinal o homem não consegue estar em todo o lado. Dessa vez, pelo menos, não esteve literalmente no local do crime. E tinha obrigação de estar porque o dito cujo até era em Santarém e a poucas centenas de metros da câmara que gere.A desilusão era mais que evidente no bairro de São Domingos, até porque dessa vez havia a esperança de ouvir os abalizados comentários de Moita Flores sobre uma realidade que nos era tão próxima. No caso, um tipo que se lembrou de sequestrar a mãe e a irmã e de despejar metade da mobília da casa pelas janelas. Durante oito horas o povo assistiu ao lento desenrolar da acção sem qualquer enquadramento técnico que lhe permitisse saber o que estava em causa, o possível perfil psicológico do sequestrador e as várias hipóteses em carteira para acabar com aquela cena. Mas se até Deus descansou ao sétimo dia depois de criar o mundo, por certo ninguém levará a mal ao presidente da câmara que tenha aproveitado o domingo para descansar. Ainda no capítulo da violência, outro caso que merece análise é o das sucessivas cenas de pancadaria na Praça Palha Blanco, em Vila Franca de Xira. Ainda há uma semana ou duas houve porrada de criar bicho nas bancadas por causa de um concurso de recortadores (seja lá o que isso for). O que é triste é que a associação Animal, sempre tão lesta a defender com grande berraria os direitos dos toiros, não tenha dito uma palavra sobre as bárbaras agressões de que foram alvo outros seres vivos que, pelo menos a priori, deviam merecer tanta comiseração e solidariedade como os cornudos animais que são lidados na arena. Assim é fácil perceber por que razão as televisões umas vezes não podem e outras vezes não querem emitir touradas durante o dia. Porque se ver o toiro crivado de ferros e bandarilhas está num grau de violência admissível, tendo em conta que durante a tarde são transmitidos outros espectáculos tão ou mais violentos como os debates políticos no Canal Parlamento ou os programas da Júlia Pinheiro, já assistir a lutas corpo a corpo nas bancadas passa todas as marcas do razoável. Uma pessoa vai com as crianças ver a tourada e quando dá por ela pensa que está num estádio de futebol. Há que sanear a festa brava e exportar aquela gente para as claques de futebol.Um bacalhau com todos do Serafim das Neves

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...