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“A minha política sempre foram os toiros”

Edição de 09.07.2008 | Entrevista
Nunca se ligou à política.Não acredito nos políticos. Embora possa haver políticos bons e eu simpatizo com alguns. Não digo mal de nenhum, mas não me entusiasmo com nenhum. Acompanhou a ditadura. Não ficou entusiasmado com o dealbar da democracia?Fiquei, mas depois desiludi-me. A primeira desilusão que tive foi quando me reformei. Na altura da ditadura qualquer artista que representasse Portugal no estrangeiro – de Venezuela à Colômbia passando pelas ex-colónias - tinha direito àquilo que era designado por mérito artístico. Em Moçambique inaugurei a Praça de Toiros Tomás da Rocha que foi deitada a baixo passado uns anos. Toureei de bandarilheiro em Sá da Bandeira [Angola]. Houve colegas meus cabeças de cartaz que apanharam essa benesse. Era como os actores de teatro. Isso também acontecia com os que toureassem no estrangeiro. Tinham depois um suplemento na reforma. Com o 25 de Abril cortaram isso. Senti-me um pouco magoado. O que esperou do 25 de Abril que não se concretizou?A agricultura por exemplo. O que eu vejo é que não se produz nada. Dantes era tudo amanhado e por isso não havia fogos. Há mais terra sem estar cultivada. Diminuíram a agricultura. É uma ideia que tenho dos políticos do pós 25 de Abril. Convenceram-se que o país era um país industrial. Mas não era. Nem é ainda hoje. As fábricas fecham constantemente. É um país agrícola. Mas tinha que ter uma agricultura ordenada e com agricultores à altura. Em ponto pequenino e em ponto grande. Eu era um pequenino. Quando deixei de ser novilheiro e fui para bandarilheiro por causa da cornada dediquei-me à agricultura. No início ainda apoiaram. Depois começaram a dizer que não era rentável. Pelo menos havia muita coisa nacional. Agora não. O trigo acabou. O milho está a acabar-se. Ninguém produz. Ficaram os grandes. Vivem à base do subsídio e de reservas de caça. Também apanhou as políticas agrícolas comuns da Europa.Sim. Ainda foi pior... Nunca recebi subsídios para a agricultura. Era um sector que tinha poucos subsídios – a vinha. Acabei com isso porque não tenho continuadores e a área também é pequena. Enquanto pude fui sempre fazendo, mas nos últimos três anos estava a perder dinheiro com o vinho. A idade também já não permitia tudo. Não havia nem há pessoas para a agricultura. Apenas uns brasileiros e ucranianos que não percebem nada disto e querem é ganhar o dinheiro.

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