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A maior sala de sexo de caracóis da Península Ibérica

O MIRANTE visitou a Escargots Oeste para ver como é feita a produção

Uma cópula entre caracóis demora horas. Os bichos possuem os dois sexos e em média têm oitenta bebés por parto. Ver Vídeo http://www.omirante.pt/omirantetv/noticia.asp?idgrupo=2&IdEdicao=51&idSeccao=514&id=23009&Action=noticia

Edição de 09.07.2008 | Sociedade
Primeiro escolhem-se os melhores para se reproduzirem. As melhores caracoletas têm o rebordo mais bem delineado. Quanto maior for o caracol mais ovos vai produzir. Um caracol produz, em média, 80 caracóis em cada gestação. Como são hermafroditas – possuem os dois sexos – todos são potenciais reprodutores. Possuem um pequeno dardo branco na zona da cabeça que fecunda o companheiro. O acasalamento é um ritual demorado onde os caracóis ficam horas até conseguirem acasalar. Geralmente os produtores juntam aproximadamente 500 caracóis por metro quadrado. O objectivo é que se incentivem mutuamente a reproduzirem-se.Passadas duas semanas do acasalamento o caracol põe os ovos. Crescem durante as primeiras seis semanas de vida numa estufa e passam para a zona de parque onde crescem. Alimentam-se de rabanete, colza e ração à base de trigo, milho e soja. Quando estão prontos a serem consumidos vão para a secagem onde se limpam todas as impurezas do animal até chegarem ao revendedor.É desta forma que Carlos Candeias, Hélder Batista e Estefânio Teófilo, sócios-gerentes da Escargots Oeste, sediada em Corujeira (Torres Vedras) um dos maiores produtores do caracol Helix Gros Gris e Helix Aspersa, vulgarmente conhecida por caracoleta, desenvolvem o processo de reprodução dos moluscos muito apreciados pelos portugueses.A Escargots Oeste possui actualmente cerca de um milhão e 500 mil caracoletas distribuídos por seis mil metros quadrados de área. Produz aproximadamente 12 mil toneladas de caracóis por ano. Este mês vai começar a construção da nova sala de reprodução que começará a funcionar em Novembro, altura de reprodução do caracol. Segundo os responsáveis esta será a maior sala de sexo de caracóis da Península Ibérica. “Neste momento temos uma sala de reprodução com capacidade para 20 mil moluscos. Em Novembro vamos conseguir colocar 120 mil caracóis a reproduzirem-se simultaneamente”, explica Hélder Batista adiantando que existe um segredo para produzir caracóis com melhor qualidade mas não o revelam.A Escargots Oeste começou por brincadeira mas, desde o início que, foi levada muito a sério pelos três empresários. Amigos há vários anos queriam dar uso a um terreno que Estefânio possuía. Pensaram em vários negócios mas só chegaram a um consenso quando pensaram na produção de caracóis.Negócio decidido. Duas semanas depois estavam em França a aprender como se produziam caracóis. Compraram cerca de um milhão e duzentos mil caracóis bebés e dedicaram-se afincadamente ao negócio. Por enquanto, a produção de caracóis é um hobbie ao qual se dedicam todos os dias quando saem do trabalho e aos fins-de-semana. “Se trabalharmos exclusivamente nisto é um negócio que se pode tornar bastante rentável”, afirmam, adiantando ainda que a exportação é um dos próximos passos.Os helicicultores – nome técnico dos produtores de caracóis - dedicaram-se ao mercado das caracoletas uma vez que considera impossível negociar caracóis pequenos. “É impossível competir com Marrocos onde o caracol pequeno custa apenas 12 cêntimos. Não é rentável”, explicam.Os maiores inimigos dos caracóis são os ratos e os pássaros nomeadamente os corvos e os melros. Para prevenir os ataques foram construídas vedações enterradas no solo e contratada uma empresa que combate a desinfestação de ratos. Além disso, existe um gato cinzento que protege os moluscos, reis do Verão português.

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