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“Devem ser os jornais a escrutinar os políticos e não o contrário”

Ex-presidente da Câmara de Santarém depôs no julgamento que opõe Rui Barreiro a O MIRANTE

José Miguel Noras, que foi presidente da Câmara de Santarém entre 1992 e 2002, declarou que é normal qualquer autarca ser objecto de notícias boas e menos boas.

Edição de 09.07.2008 | Sociedade
O ex-presidente da Câmara de Santarém e actual presidente da concelhia escalabitana do PS, José Miguel Noras, referiu na sessão de terça-feira do julgamento que opõe o seu camarada e sucessor na autarquia, Rui Barreiro, a O MIRANTE que devem ser os jornais a escrutinar os políticos e não os políticos a escrutinar os jornais. Noras, que respondia a perguntas do advogado de defesa, realçou ainda que qualquer pessoa que tenha cargos públicos está sujeito à crítica e até usou de alguma ironia ao dizer que os faisões e pavões que tem na sua quinta se fossem presidentes de câmara também seriam naturalmente alvo de notícias. José Miguel Noras declarou que O MIRANTE é um jornal que “não fica à porta da notícia” e que nunca se sentiu ofendido pelas notícias. Acrescentou que o jornal respeita o princípio do contraditório e que publicou sempre com rigor e imparcialidade os esclarecimentos que pediu e que, garantiu, foram poucos ao longo da sua vida pública. Sobre as secções “E-mails do outro mundo” e “Cavaleiro Andante” onde apareceram críticas a Rui Barreiro, a testemunha salientou que estas são rubricas mais descontraídas e bem identificadas, realçando que nunca viu nelas qualquer situação ofensiva. Confrontado com notícias que estão no processo saídas pouco depois de Rui Barreiro tomar posse como presidente da câmara em 2002, onde este teria dito que a Câmara de Santarém se fosse uma empresa estaria em falência técnica, José Miguel Noras pediu para não falar sobre o assunto porque isso o obrigaria a sair do registo solene pelo qual estava a pautar as suas declarações. Um dos assuntos que está também em causa tem a ver com o protocolo celebrado entre a Câmara de Santarém, na altura em que Noras era presidente, e a empresa Terra Branca para a divulgação de actividades culturais e desportivas do município numa página de O MIRANTE. Acordo que foi rescindido pelo executivo liderado por Rui Barreiro após ter tomado posse. Sobre este assunto a testemunha declarou que o protocolo era benéfico para a câmara, porque permitia uma economia de meios e era mais eficaz na divulgação dos eventos, criticando o dinheiro gasto depois da sua saída da câmara em boletins municipais que, na sua opinião, são meros meios de propaganda ao serviço do poder. José Miguel Noras realçou que o tempo lhe deu razão quando o seu camarada de partido Rui Barreiro optou por fazer boletins municipais e jornais próprios que aumentaram os custos para o dobro ou triplo. Sublinhou também que na campanha eleitoral, em visita à Rádio Pernes, com a qual o município tinha um protocolo idêntico, Rui Barreiro disse concordar com o protocolo e que o valor negociado era baixo. Em relação a uma notícia de O MIRANTE que dava conta que Barreiro tinha contratado mais assessores apesar de dizer que a câmara estava falida, José Miguel Noras confirmou que as contratações realmente representaram mais despesas. Sublinhou também que “as notícias não caem do céu e têm alguma base de sustentabilidade” destacando que O MIRANTE sempre teve como bandeira ouvir a outra parte. Durante o interrogatório da acusação o presidente do colectivo de juízes, Eduardo Azevedo, advertiu a advogada de Rui Barreiro para se cingir aos factos em causa. Isto porque as perguntas estavam a ser conduzidas mais para a avaliação das opções políticas de José Miguel Noras e de Rui Barreiro, que lhe sucedeu na presidência da câmara em 2002. Recorde-se que estão a ser julgados três jornalistas de O MIRANTE pela prática de vários crimes de difamação. Rui Barreiro apresentou queixa em 2002 por se sentir ofendido com notícias e textos de opinião, alguns deles publicados nas rubricas satíricas Cavaleiro Andante e E-Mails do Outro Mundo. O ex-presidente da autarquia, que perdeu as eleições para Moita Flores (PSD) em 2005, responsabiliza o jornal pela sua derrota nas eleições autárquicas. A próxima sessão está marcada para dia 31 de Julho às 09h30, altura em que vão ser feitas as alegações finais.

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