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Nas tertúlias a falar de touros, toureiros e touradas

Nas tertúlias a falar de touros, toureiros e touradas

Espaços de conversa à antiga portuguesa ainda subsistem

Os espaços de conversa, públicos, semi-públicos ou privados ainda não desapareceram por completo.

Edição de 09.07.2008 | Sociedade
Nas paredes há memórias. Retratos de toureiros, a preto e branco e a cores, galardões conseguidos com garra, chocalhos, cabeças de toiros que foram corridos, símbolos de diferentes ganadarias, cartazes de festas bravas dos tempos idos e dos mais recentes. Em dia de Colete Encarnado, as portas das tertúlias de Vila Franca de Xira abrem-se para todos aqueles que se quiserem deixar contagiar pela cultura taurina. Ao todo, são vinte e oito, as referenciadas pela Câmara Municipal que durante a festa lhes oferece pão, sardinhas e vinho.Tertúlia significa uma reunião de amigos ou assembleia familiar destinada a discorrer sobre qualquer assunto de interesse comum. A palavra entrou na nossa língua pelo castelhano “tertulia”. No caso de Vila Franca de Xira, em tempo de Colete Encarnado, os interesses comuns resumem-se a um, “aficion”. Festa Brava. Toureio. Touradas. Cavalos, toiros e campinos. Antigamente quem se atrevesse a falar de outros assuntos, como futebol, era multado pelos amigos. Numa época de globalização e de internet, em que muitas tentativas de conversa esbarram em orelhas tapadas com auscultadores de iphones ou mentes concentradas em ecrãs de telefones ou computadores portáteis, as tertúlias resistem. Com a ingenuidade própria dos seus 8 anos, Bruno Silva, estacionado à porta da tertúlia O Natural, declara: “As tertúlias são sítios onde conversamos muito e onde ficamos mais felizes”.Antes do 25 de Abril Vila Franca de Xira era conhecida pelas suas tertúlias literárias e políticas. Em espaços privados, conspirava-se contra o regime, discutiam-se novas ideias, inventavam-se teorias. Na actualidade outros assuntos ocuparão as horas vagas dos amantes da conversa, mas durante o Colete Encarnado só se fala da Festa Brava. No Largo Telmo Perdigão fica a tertúlia Parras. Conta já com 32 anos de idade e é uma das que está aberta durante todo o ano. Victor Antunes, 70 anos, um dos fundadores do espaço, entre uma bisca e outra, apressa-se a recordar, com humor, as diferenças entre os primórdios do Parras e os nossos dias. “Antes éramos todos muito mais novos. Mais unidos, talvez.” Depois seguem-se outras recordações. Conversa sobre a festa antiga, as largadas, os forcados, os campinos. Invocam-se nomes. José Falcão, José Palha e António Marramaque são alguns deles. Este último, campino de profissão, será alvo de uma homenagem este ano (ler nesta edição).Aberto durante todo o ano está também o Clube Taurino Vila-Franquense, que este ano comemora as suas Bodas de Prata. Aqui, o advento da televisão por cabo faz-se sentir. É precisamente para o ecrã de um canal estrangeiro que convergem todos os olhares. Está a passar uma gravação de uma corrida histórica e os entusiastas revivem com saudade os momentos mais marcantes. É também com nostalgia que José Batalha, 70 anos, fala da figura do campino. O fundador, há quase quatro décadas, da tertúlia Os Companheiros do Balde, põe em causa que o símbolo do Ribatejo continue a ser o Colete Encarnado. “Isto tinha que dar uma volta. O campino é a pessoa da festa, mas está praticamente em extinção”. Os Companheiros do Balde é a tertúlia mais antiga da cidade, segundo as palavras de José Batalha. Na lista de conversadores que por ali passaram está Mário Soares e D. Duarte de Bragança. A mais recente tertúlia da cidade chama-se Os Amigos do Noddy. Foi criada para o Colete Encarnado. É a única tertúlia nómada, ou móvel, porque não tem um espaço próprio para funcionar.
Nas tertúlias a falar de touros, toureiros e touradas

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