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População de Casais de Baixo recorreu a baldes e mangueiras para evitar o pior

População de Casais de Baixo recorreu a baldes e mangueiras para evitar o pior

Incêndio florestal no concelho de Azambuja obrigou à evacuação de habitantes

Dois bebés e um adulto foram retirados do local e houve animais domésticos que morreram queimados. Ver Vídeo: http://www.omirante.pt/omirantetv/noticia.asp?idgrupo=2&IdEdicao=51&idSeccao=514&id=22973&Action=noticia

Edição de 09.07.2008 | Sociedade
“Só saímos daqui quando vimos que já não havia hipótese da casa arder”. A habitante da localidade de Casais de Baixo, Azambuja, Diana Henriques, recorda o drama do incêndio de grande escala que, no domingo, quase lhe queimava a casa. Oliveiras, figueiras e oitenta fardos de veia foram consumidos pelas chamas mas conseguiu evitar-se que o fogo se propagasse à casa.“Se não fôssemos nós e os vizinhos tinha ardido tudo”, recorda. Enquanto os bombeiros não chegavam, molhou os terrenos à volta da casa com baldes e mangueiras para a proteger do fogo. O incêndio teve início às 13h de domingo, dia 6, e queimou mais de 300 hectares de floresta. A operação, dificultada pelo forte vento que se fez sentir, envolveu 317 combatentes, de 30 corporações de bombeiros, apoiadas por dois helicópteros e dois canadairs. O intenso fumo do fogo obrigou a que dois bebés e outro habitante da localidade fossem retirados das casas por precaução.Caminhando sobre as cinzas que se estendem pela sua propriedade, Diana Henriques tem dificuldades em conseguir descrever o que sentiu no momento. “Faz muita confusão ver o fogo a dez metros de casa e não conseguir fazer nada. Ver este cenário, as coisas dos vizinhos a arder é realmente devastador e horrível. Só quem passa pela situação tem noção disso”, explica.Outra moradora da localidade, Manuela Félix, classifica o momento vivido como um “pandemónio”. “Parecia um inferno. As chamas no feno a arder pareciam ondas do mar”, conta. Recorrendo a uma mangueira conseguiu evitar que o fogo avançasse para mais perto de sua casa. Mas parte da eira foi impossível de salvaguardar.“Vi uma vida inteira de trabalho a ir-se embora. Só pensava em todos estes anos de trabalho e na minha casa”, recorda.O vizinho António Ribeiro teve que fazer uma opção difícil. Deixou o palheiro arder e os seus treze coelhos morrerem queimados para salvar a casa. “Levei baldes para lá, mas não podia estar em todo o lado”, explica. “Pus o poço a trabalhar e tentei molhar o edifício para que fogo não me entrasse dentro de casa. Gastámos a água toda do poço. O fogo esteve mesmo encostado à casa, não tinha outra salvação”, recorda. O filho, Afonso Ribeiro, ainda conseguiu retirar os dois carros das imediações da casa, passando “pelo meio do fogo”. “Tirámos daqui tudo o que conseguimos porque já temíamos o pior”, conta.A constante passagem das viaturas de socorro pela propriedade de António Ribeiro, único acesso à mata que ardia junto à sua casa, deixou estragos na pequena estrada privada. “Já tínhamos isto tudo pronto para encimentar e agora ficou tudo destruído”, lamenta. Manuela Félix acredita que o drama podia ter sido evitado se as propriedades tivessem sido limpas com antecedência. “Isto são terras abandonadas, deviam andar sempre em cima destas coisas. Não se limpa. Eram canas, silvas e tudo”, acusa.
População de Casais de Baixo recorreu a baldes e mangueiras para evitar o pior

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