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A agricultura e o associativismo fazem a ligação à terra

Edição de 17.07.2008 | Desporto
O facto de ser oriundo de uma família de grande prestígio e com um grande trabalho feito em prol de Riachos e do concelho de Torres Novas teve também algo a ver com essa sua tão larga ligação a Riachos?Sim, sem dúvida que sim! Além do desporto tenho outras ligações fortes a Riachos, principalmente por parte do meu avô Fernando Cunha, que foi durante muitos anos presidente da Câmara de Torres Novas, da Junta de Freguesia de Riachos e do Clube Atlético Riachense. E depois também através do meu pai. Foram eles que me foram incutindo o espírito de Riachos, um espírito que tem algo de diferente de outras terras aqui à volta.O espírito associativo que principalmente foi muito activo no seu avô Fernando Cunha passou de algum modo para si?Não digo que tenha passado para mim assim na verdadeira acepção da palavra. Mas na realidade tanto o meu avô, a quem tive sempre uma grande ligação, como o meu pai, deram-me sempre grandes lições de associativismo e de ajuda ao próximo. O meu avô nesse aspecto era uma pessoa exemplar, Aliás quando ele morreu foi como se eu tivesse ficado coxo de uma perna tal era a ligação existente entre mim e ele.Foi a ligação ao seu avô que o levou a deixar de estudar e a optar pela agricultura?Sim. Se sou agricultor ao meu avô o devo. Foi ele que me deu a possibilidade de saber optar por fazer aquilo que gosto, e isso é bom. É mais uma dívida que tenho para com o meu avô.Não foi difícil deixar os estudos para vir para a agricultura?Não. Fiz o 12º ano e fui para Lisboa para a universidade. O meu destino não era esse. Eu queria era estar em Riachos e em contacto com a terra. Mesmo na altura dos estudos só queria era estar na quinta dos meus avós, estar ligado à terra, tudo indicava que a agricultura seria o meu futuro.Trabalha as terras da família?Sim. Trabalho as terras que são da família. Tenho mais dois irmãos mas nenhum deles optou pelo ramo agrícola. Mesmo os restantes netos do meu avô (e são bastantes) nenhum me acompanhou no gosto pela agricultura.A aprendizagem com o seu avô foi muito forte. Tão forte que deixou também o amor pelo associativismo?Sim. É verdade. Tento seguir o seu caminho em tudo para ter sucesso como ele teve! Sou sócio activo da Agromais e da Agrotejo, sou dirigente da Junta de Agricultores do Rio Almonda.É um trilhar o caminho traçado pela família, na área da agricultura que não está em muito boas condições?Um caminho que trilho com muita honra. A agricultura não está fácil, mas o que é que não está complicado em Portugal? Eu também não quero enriquecer quero ser feliz e penso que sou.A esposa também está ligada à agricultura?Não. A Sofia formou-se e é professora formadora no CRIT. Ajuda-me naquilo que é possível e eu ajudo-a a ela. Temos uma filha maravilhosa e somos muito felizes.A ligação à Festa da Benção do GadoAgricultura, associativismo, futebol e agora a Festa da Benção do Gado. Como é que arranja tempo para isso tudo?É muito complicado. Primeiro dizer que quando se faz as coisas com gosto conseguimos sempre desdobrar-nos e arranjar tempo e garra para avançar-mos. E eu penso que tenho uma boa capacidade de trabalho. Tenho folgo como director, tinha-a como jogador e tenho-a na minha profissão e também nas organizações onde estou empenhado. Tudo bem conjugadinho dá para cumprir. Às vezes é a família que se queixa um pouco. Mas tenho que dizer, por elementar justiça, que se não fosse o apoio total da minha esposa não conseguiria fazer o que fiz até hoje.Com uma filha já com 10 anos, quer dizer que casou cedo?Sim. Casei com 22 anos. Mas tanto eu como a Sofia com o sentido de responsabilidade do passo que íamos dar.Como tem sido esta fase da montagem da Festa da Benção do Gado?Tem sido muito trabalhosa. A minha vida não abranda. Nós da Comissão de Festas estamos em todas. Começámos a trabalhar há um ano e não paramos. A população revê-se no vosso trabalho?Sem dúvida que sim! A população é extraordinária. Eu costumo dizer que é Riachos no seu melhor. É uma vila diferente, há aqui qualquer coisa que faz uma grande diferença. Sem a colaboração das pessoas a festa não seria o que é.

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