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Um director desportivo que quer ser apenas um amigo

Edição de 17.07.2008 | Desporto
A despedida como jogador deu no aparecimento de um director desportivo. Foi a forma encontrada pela direcção para que Miguel Cunha não abandonasse o clube?Foi um pouco isso. E garanto que estou empenhado em ajudar a fazer deste Riachense um clube cada vez melhor.Foram os dirigentes mais velhos que não o deixaram sair ou foi o Miguel Cunha que quis ficar?Foi um pouco das duas coisas. Já era para ter deixado de jogar no final da época passada, mas como o clube desceu de divisão, entendi que devia ficar mais uma época para ajudar a equilibrar as coisas. Fizemos uma época muito boa, a aposta na formação e na juventude foi óptima. Quando desisti de jogar, o presidente falou logo comigo para eu ficar, disse-me que eu seria dentro do clube aquilo que quisesse ser. E eu disse que queria ser o capitão cá fora. E é isso que estou a fazer.O presidente teve também uma acção importante na mudança de Miguel Cunha para dirigente?Sem dúvida que sim. É um homem a quem eu não podia dizer que não. Antes de ter Jorge Pereira como dirigente não o conhecia a não ser de passagem. Confesso que foi uma pessoa que me surpreendeu muito, é extraordinário na sua forma de trabalhar. Conseguiu sem de forma nenhuma hipotecar o clube, fazê-lo crescer, e não foi só no futebol, foi no atletismo, no andebol e no futsal. O Clube Atlético Riachense é hoje muito maior do que o era antes de Jorge Pereira.Como é o trabalho de director desportivo no Riachense?Pensava que ia ser menos absorvente, mas pensei errado. É um trabalho de muito mais responsabilidade e que ocupa muito mais tempo do que quando jogava futebol. Agora dou muito valor a todos os directores que trabalham de borla em todos os clubes.Como dirigente encontrou o futebol distrital como esperava?O futebol distrital tem jogadores de muito bom nível, não fica nada a dever à terceira divisão. Mas o que me deixa apreensivo é a forma como as coisas são geridas de clube em clube. É insustentável os dinheiros que se pagam, ou por outra os dinheiros que se prometem que se pagam. Eu acho que dar a volta a esta questão tem que partir dos jogadores. Se um clube lhe oferece 500 euros ele deve pensar se é uma proposta realista ou não. Não tem que aceitar mesmo. Às vezes é preferível optar por uma proposta de 250 euros de um clube que sabe que de certeza vai pagar. Isto de se dizer que se paga e não paga tem que acabar.Encontrou dificuldade em contratar jogadores por causa disso?O Riachense é um clube que não paga muito, só promete aquilo que pode cumprir. E a primeira abordagem a um jogador é sempre uma grande dificuldade, porque sei que o Riachense entra logo a perder com muitos outros clubes, porque lhes oferece menos dinheiro. Felizmente que já vamos encontrando um bom grupo de jogadores que pensa de forma diferente. Foi isso que fez com que jogadores como o Santana e o Tamandaré viessem para o Riachense?Sem dúvida nenhuma. Tudo o que se disse que vinham ganhar mundos e fundos é mentira. Vieram simplesmente porque acharam que era a hora de deixarem de ser enganados, de virem para um clube que efectivamente cumpre com o que promete. São pessoas que precisam do dinheiro que ganham no futebol, e todos nós sabemos o que tem acontecido nos últimos anos a qualquer deles.Para além das contratações quais são a restantes missões do director desportivo?Tenho que vir ao clube todos os dias. Vou estar sempre ao lado dos jogadores, quero que eles me continuem a ver como um colega e amigo. Nunca mais vou esquecer a homenagem que eles me fizeram no dia em que deixei de jogar futebol. Quero continuar a ser o capitão cá fora. E olhar com admiração para a braçadeira que o Milú vai trazer no braço, um lugar de capitão que ele bem merece.Agora em época de defeso o trabalho é formar o grupo para levar o Riachense à Terceira Divisão Nacional?Não assumimos isso dessa forma tão natural. Estamos a trabalhar para formar um grupo forte para lutar em todos os jogos para vencer. Já temos as coisas muito adiantadas, vamos fazer a apresentação no dia 2 de Agosto, e depois vamos começar a trabalhar forte, porque queremos o melhor para o Clube Atlético Riachense.

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