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Galardoado pelo mérito social defende que não pode ser o Estado a resolver tudo

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Manuel Cardoso preside à Instituição de Apoio a Idosos de São Romão e quer fazer lar para Bom Sucesso e Arcena

Manuel Félix Cardoso nasceu há 62 anos em Figueiró da Serra, Gouveia. Na década de 70 veio para Alverca estagiar numa empresa de metalomecânica. Decidiu assentar arraiais e constituir família na cidade. Está há mais de três décadas ligado à solidariedade social. Não é por isso de estranhar que a junta de freguesia de Alverca lhe tenha atribuído o Galardão de Mérito Social. Manuel Cardoso considera que os portugueses estão mais solidários mas que ainda há muito caminho a percorrer.

Edição de 17.07.2008 | Entrevista
Nasceu em Figueiró da Serra, concelho de Gouveia. Como veio parar a Alverca?Aos 16 anos conclui o curso industrial e vim estagiar para uma empresa na área de metalomecânica, em Alverca. Entretanto, cumpri o serviço militar, estive na guerra colonial e regressei, em 1970, à minha terra. Nessa altura, decidi voltar a Alverca.O que é que o fez regressar à cidade e constituir família?Aqui existiam muitas mais oportunidades de trabalho. Na região onde nasci era tudo muito mais complicado, não havia trabalho a não ser no campo. O facto de Alverca estar na periferia de um grande centro urbano como Lisboa aumentava a oferta de trabalho. Hoje em dia, começa a haver uma saturação de mercado mas a década de 70 foi a altura em que a indústria começou a desenvolver-se em Portugal.Qual o significado deste prémio?É o reconhecimento da cidade pela obra que tenho vindo a desenvolver junto da comunidade. Dedico-me às causas solidárias há 32 anos. Não faço isto para obter reconhecimento público mas sim para ajudar aqueles que mais precisam. Dá-me gozo fazê-lo. Mas não nego que é emocionante quando vemos o nosso esforço reconhecido.Como começou a sua actividade ligada à solidariedade?Fui sócio fundador do Centro de Apoio Social do Bom Sucesso e Arcena (CASBA) onde estive durante 23 anos como presidente da direcção. Ao mesmo tempo era sócio da Instituição de Apoio a Idosos e Reformados de São Romão que trabalha com as valências de Lar, Centro de Dia e Apoio Domiciliário. Há nove anos quando houve novas eleições candidatei-me e desde então que sou presidente da direcção.Como surgiu a ideia de fundar um Centro de Apoio Social?Tudo aconteceu após a Revolução do 25 de Abril. Naquela altura as ideias fervilhavam. Aproveitámos o facto de existirem muitas casas velhas e abandonadas no Bom Sucesso onde havia também muita pobreza e criámos o CASBA. A população mostrou-se bastante interessada e contribuiu para ajudar quem necessitava. Que balanço faz destas três décadas ao serviço da comunidade e das causas sociais?Muito positivo. É muito trabalhoso, implica muito esforço e dedicação da nossa parte. Muitas vezes a família, sobretudo os filhos, não tiveram tanto a minha atenção quanto eu gostaria mas penso que eles sempre compreenderam este meu desejo em ajudar quem precisa.Que apelo é este pelas causas solidárias?Não sei explicar. Desde sempre que me sinto bem a ajudar os mais necessitados. Aqueles que precisam de um gesto mais carinhoso ou de um simples sorriso. Sempre que saio do emprego vou até à Instituição conversar com os utentes e inteirar-me dos problemas que são necessários resolver.Portugal está mais solidário?Portugal está mais solidário até porque já se utiliza a palavra solidariedade ao invés de caridade como se dizia há 30 anos. Mas se a população participasse mais nas causas solidárias os resultados seriam bem melhores. O problema dos portugueses é que se acomodam. Ajudam mas temos que andar a pedir. Acham que o Estado é que tem que resolver todos os problemas da sociedade e sabemos que não é bem assim. Também temos que ser nós a fazer algo pela nossa comunidade.Qual é a diferença entre caridade e solidariedade?Caridade é dar esmola a quem anda a pedir na rua, é ter pena. Solidariedade é ajudar os mais necessitados que têm dificuldades em viver no dia-a-dia.Os idosos que vivem nas localidades mais urbanas ou na periferia dos grandes centros urbanos como Alverca não têm tanto apoio familiar. Estas instituições são o seu amparo?Sim. A maioria das pessoas que está no Centro de Dia ou mesmo aquelas que usufruem do apoio domiciliário são, geralmente, pessoas muito sozinhas. Elas anseiam pela carrinha que, de manhã, as vai buscar a casa para irem para o Centro de Dia. Quando as auxiliares vão a casa dos idosos fazer o apoio domiciliário, muitos desses utentes já estão à sua espera. Aqueles momentos são preciosos porque, muitas vezes, são os únicos momentos em que têm companhia para conversar um pouquinho.O que é que ainda lhe falta fazer pela comunidade?Ainda falta fazer muita coisa. Gostava de construir um Lar de Terceira Idade no Bom Sucesso e Arcena para dar mais qualidade de vida aos mais velhos. Estamos a reunir todas as condições para avançar com o projecto mas sabemos que ainda vai demorar. Ainda falta o terreno, projecto e apoio financeiro. Se daqui a seis anos tivermos o Lar construído será muito bom. Eu, pelo menos, não vou desistir de concretizar este sonho que acalento há muitos anos.
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