uma parceria com o Jornal Expresso

Edição Diária >

Edição Semanal >

Assine O Mirante e receba o jornal em casa
30 anos do jornal o Mirante
Criança deficiente mental sem qualquer autonomia mandada para o ensino regular

Criança deficiente mental sem qualquer autonomia mandada para o ensino regular

DREL quer retirar menina da unidade de ensino especial que frequenta no Vale de Santarém

Família revoltada com decisão que considera absurda e resultante de algum equívoco.

Edição de 17.07.2008 | Sociedade
Sara é uma menina de sete anos deficiente mental, que não fala, não anda, não ouve e é alimentada por uma sonda. Um conjunto de problemas gravíssimos a que uma junta médica atribuiu uma incapacidade permanente de 95 por cento. Mesmo assim, o Ministério da Educação entendeu que chegou a hora de a criança ser retirada da unidade da Associação Portuguesa dos Pais e Amigos do Cidadão Deficiente Mental (APPACDM) do Vale de Santarém e frequentar o ensino normal. Uma situação que os pais e a própria instituição consideram inconcebível e atentatória do bem-estar e do desenvolvimento da menina. O assunto já foi denunciado em plenário da Assembleia da República, na passada sexta-feira, pela deputada Luísa Mesquita que vai ainda questionar o Ministério da Educação. A intenção da DREL é encaminhar a criança para a unidade de multideficiência que vai ser criada no Agrupamento de Escolas Alexandre Herculano, em Santarém. Uma valência que decorre da nova lei do ensino especial e que ainda não está concretizada. Maria João Igreja, presidente do agrupamento, diz que neste momento não pode dizer se têm resposta à altura das necessidades da criança. “Os nossos professores de educação especial quando virem a criança vão avaliar a situação e desenvolver estratégias para se encontrar a melhor solução”, referiu.A família da criança foi confrontada com a situação na passada semana, quando a APPACDM recebeu uma comunicação da Direcção Regional de Educação de Lisboa e Vale do Tejo (DREL). A primeira reacção foi de estupefacção. Depois veio a indignação e a revolta. Os pais de Sara voltam a viver momentos dramáticos. Agora que pareciam ter encontrado o local ideal para acompanhamento da sua filha. Foi em busca de respostas adequadas que se mudaram da Tapada das Mercês (Sintra) para Évora e posteriormente para o Vale de Santarém, onde estão há dois anos.“Estou um pouco escandalizada, uma vez que ela aqui tem tudo o que necessita a nível de terapia e até pessoal especializado para tratar dos seus problemas, coisa que as nossas escolas do ensino comum não oferecem”, afirma Brígida Pereira, acrescentando não querer que a filha “seja despejada num canto de uma sala de aula”. Posição partilhada por Maria do Céu Dias, directora da unidade da APPACDM do Vale de Santarém. “Foi o único pedido de encaminhamento que tivemos. Aquilo que penso é que os pais devem decidir aquilo que entendem que é melhor para os seus filhos. Não me parece correcto que seja o Ministério da Educação a escolher onde colocar esta criança, que é especial. Isto de igualdade não tem nada”.A responsável salienta a necessidade de a criança continuar a ter cuidados médicos e terapêuticos especiais, sob pena de se estragar o trabalho já feito. Na APPACDM são garantidas actividades como fisioterapia, terapia ocupacional, terapia da fala, hidroterapia, equitação. A escola tem 110 funcionários para 200 alunos. “Se o Ministério da Educação criar nas escolas normais estas condições, com certeza que ninguém se vai opor”, diz Maria do Céu Dias, acrescentando que as escolas “não têm sequer uma bancada para lhe mudar a fralda e um chuveiro para lhe dar um banho”. “Só posso acreditar que haja aqui um equívoco”, conclui a directora da APPACDM, adiantando que a DREL tem em sua posse todos os documentos médicos e todos os relatórios sobre a situação da criança.A deputada Luísa Mesquita reforça: “Não há salas adequadas, não há terapeutas para trabalhar com a menina, não há alguém que tome conta da sua higiene. Tem de haver condições de excepcionalidade que não possam permitir um crime destes que é retirar esta criança de um acompanhamento permanente todos os dias da semana”.O MIRANTE contactou a DREL para obter mais alguns esclarecimentos, não tendo obtido qualquer resposta até ao fecho desta edição.
Criança deficiente mental sem qualquer autonomia mandada para o ensino regular

Comentários

Mais Notícias

    A carregar...