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Novos abates de pinheiros doentes no concelho de Azambuja

Estado corta árvores nos terrenos onde não puder notificar

O objectivo é evitar a propagação da doença do pinheiro que dizimou milhares de árvores na região. Os proprietários que vivem do pinhal temem a ruína.

Edição de 17.07.2008 | Sociedade
Todos as árvores infectadas pelo Nemátodo da Madeira do Pinheiro (NMP) serão abatidas. A medida consta da portaria recém aprovada e vai afectar milhares de pinheiros em mais de um milhão e 10 mil hectares na região Centro e Sul. O concelho de Azambuja é um dos mais afectados, informou o vereador José Manuel Pratas na última reunião do executivo municipal de Azambuja, realizada na terça-feira. O autarca adiantou que os proprietários que viram as suas árvores serem abatidas em 2007 por estarem na faixa de contenção da praga serão indemnizados em Outubro, segundo informação avançada peça Direcção Geral dos Recursos Florestais que liderou o processo.Entretanto a doença continua instalada nos pinhais e a portaria n.º 553-B/2008, de 27 de Junho, que altera a Portaria n.º 103/2006, de 6 de Fevereiro, reforça as medidas de segurança para minimizar as consequências da doença dos pinheiros. “Sempre que seja detectada a presença de coníferas identificadas como infestadas pelo NMP, os respectivos proprietários, usufrutuários e rendeiros são notificados para procederem ao abate e remoção do exemplares afectados ou com sintomas de declínio”, lê-se na medida aprovada pelo Ministro da Agricultura que criou o Programa de Acção Nacional para Controlo do Nemátodo da Madeira do Pinheiro (NMP).A mesma portaria determina que o abate e remoção das árvores sinalizadas pelos técnicos “são considerados de interesse público e têm carácter urgente”. Os proprietários têm 10 dias depois da notificação para proceder ao abate e, se não o fizerem, o Estado assume a operação. O mesmo procedimento será adoptado nos casos em que não forem identificados os proprietários dos pinhais, que são centenas na região, e nas situações em que as autoridades não consigam notificar os donos dos terrenos.Proprietários temem a ruína de quem vive do pinhalAlguns proprietários temem que as máquinas voltem a entrar nos seus terrenos sem autorização como aconteceu o ano passado e contestam “o excesso da medida” que vai dizimar dezenas de pinhais. “Se numa aldeia há uma pessoa doente com doença ruim, não se mata as restantes para evitar a contaminação”, refere José Aguiar, proprietário de um pinhal no alto concelho de Azambuja. O agricultor alerta que o pinhal alimenta dezenas de famílias que podem ficar na ruína se perderem esta fonte de rendimento. “O Estado depois vai dar-lhes de comer?”, questiona. O presidente da Junta de Freguesia de Manique, Herculano Martins alertou as autoridades para o facto de 80 por cento da freguesia ser área florestal e muitos dos proprietários viverem dos recursos dados pelo pinhal.A zona do território considerada afectada (zona de restrição) contempla as freguesias de Aveiras de Baixo, Aveiras de Cima, Azambuja, Maçussa, Manique do Intendente, Vale do Paraíso,Vila Nova da Rainha e Vila Nova de S. Pedro, onde os pinheiros a abater deverão ser marcados com uma faixa branca, à altura do peito, sendo urgente a sua eliminação, assim como dos sobrantes do abate, dado o risco de propagação da doença para as áreas de pinhal circundante. A faixa de contenção fitosanitária pretende criar zona livre de coníferas hospedeiras do nemátodo evitando a dispersão da doença. Estão nesta situação as freguesias de Manique do Intendente, Vila Nova de S. Pedro e Aveiras de Cima. A madeira dos pinheiros abatidos será vendida pelo Estado a indústrias que utilizam processos de alta temperatura que segundo os investigadores permitem eliminar o parasita da madeira.

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