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O Turismo tauromáquico de Vila Franca de Xira

Colete Encarnado e Feira de Outubro são alturas em que há mais visitantes

Museu do neo-realismo pode vir a ser um novo pólo de atracção. Falta divulgação de monumentos e espaços museológicos. Não há um guia da cidade à venda e a cidade raramente aparece nos guias turísticos internacionais.

Edição de 17.07.2008 | Sociedade
Em pleno sábado de um Julho solarengo, zero turistas pelas ruas de Vila Franca de Xira. A maior parte dos visitantes acorre à cidade em alturas pontuais. Festas, normalmente. Principalmente a grande festa taurina do Colete Encarnado, que terminou dias antes, e a Feira de Outubro. A praça de toiros Palha Blanco é um dos principais focos de atracção de uma cidade que, graças aos seus toureiros, já ostentou o título de Sevilha Portuguesa. Maria Guiomar Alves, vigilante recepcionista do Museu do Neo-Realismo, diz que a maioria dos estrangeiros que visita a zona de Vila Franca vêm só para assistir a uma tourada ou outra. Também já lhe aconteceu ser interpelada por turistas que vieram de propósito à procura de botas especiais de cavaleiro.No que diz respeito ao turismo de património, verifica-se uma falta de atenção por parte dos estrangeiros e um relativo alheamento dos nacionais. Mas não porque faltem motivos de visita. Existem no concelho de Vila Franca de Xira vários pontos de interesse turístico: o património edificado ao longo dos séculos; os museus espalhados um pouco por todo o lado; a gastronomia rica e diversificada que culmina com o Festival do Sável – entre Março e Abril - e o Tejo que estende o seu braço por toda a lezíria. O departamento de turismo do concelho organiza viagens até Lisboa, num barco tradicional dos anos 40. Simples passeios, mas também regatas e cruzeiros são as possibilidades de escolha para se enfrentar o Tejo. No site da C.M de Vila Franca de Xira são vários os destaques para os monumentos e museus do concelho. Como o Museu Municipal, o Etnográfico e o de Arte Sacra (Vila Franca de Xira), o Museu-Casa Dr. Sousa Martins e o monumento às Linhas de Torres (Alhandra), a Quinta Municipal Nossa Senhora da Piedade (Póvoa de Santa Iria) ou o Dólmen de Monte Serves (Vialonga). A nível de infra-estruturas regionais existe um único posto de turismo a servir todo o concelho: o turista tem apenas o posto da cidade de Vila Franca de Xira. Em Alhandra, Alverca, Povoa de Santa Iria, Castanheira do Ribatejo ou Vialonga, a função está a cargo das respectivas Juntas de Freguesia. A este propósito, Maria Guiomar Alves confessa-nos que foram vários os visitantes que a ela se dirigiram, porque o posto de turismo encerra demasiado cedo nos dias úteis (18h) e tem um horário ainda mais reduzido aos sábados (fecha às 13h). Se o visitante quiser aproveitar o descanso de domingo ou um feriado para visitar a zona, não encontrará um único posto de informações aberto. Uma boa ideia foi a de transferir a ligação desta zona de Santarém para Lisboa: há agora uma associação ao Turismo de Lisboa, remetendo este, as informações para sites estrangeiros. Há uma disponibilização da informação, mas roteiros turísticos não são coisas que estejam disponíveis.Emigrantes trazem amigos nas fériasFoi pela internet que Jacques Proel soube da existência da cidade. É na marina que este francês deixa o seu barco. Comprou-o aqui e é aqui que o guarda. Com o argumento de que o lugar de estacionamento no clube de vela da cidade é mais barato que na capital. Proel confessa que já convidou vários conterrâneos para passeios de barco, mas que nunca fez uma paragem pelas margens da lezíria. Da cidade, admite que já ouviu falar da sua profunda cultura taurina, reconhecendo-a como ex-libris da região. O que é revelador.Durante o mês de Agosto são os emigrantes, de volta à terra natal, que trazem alguns turistas. Esta será talvez a maior propaganda turística da região. No país de acolhimento vão fazendo pequenas tertúlias, onde vão falando das suas origens e suscitando a curiosidade dos amigos – adianta a funcionária do Museu do Neo-Realismo.A expectativa deste recém-criado museu é precisamente a de captar estrangeiros. Foi a pensar nisso que recrutou técnicos que falam várias línguas e que se apetrechou com panfletos informativos em inglês, francês e castelhano. Por enquanto, são os portugueses que se destacam nos cerca de 1100 visitantes que recebe mensalmente. É pois, o turismo interno que marca posição. E, dentro deste, muito particularmente as escolas. É através das visitas de estudo, que surgem os números de visitantes. Assim para o Museu do Neo-Realismo, assim para todos os outros museus que percorremos. Tentámos recolher números oficiais acerca dos visitantes anuais e de quais os locais mais visitados desta região, mas até à hora de fecho desta edição, não obtivemos respostas da parte dos organismos competentes.

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