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“Universidade do Mar deve ser instalada em Vila Franca de Xira”

Edição de 24.07.2008 | Entrevista
É um defensor do ensino superior em Vila Franca de Xira?Luto há 20 anos pela sensibilização para criarmos uma universidade em Vila Franca. Visitei as melhores universidades da Europa e não tenho dúvidas de que a Universidade do Mar deve ficar nesta cidade. Temos um espaço de chave na mão na antiga Escola da Armada nº 1 (Marinha). Aquilo que ali está (com todas as valências, a 20 quilómetros do Atlântico, junto à auto-estrada e à linha-férrea) tem de ser a grande Universidade do Mar em Portugal. E mais, sugiro que se coloque lá também a investigação farmacêutica que está no nosso concelho na Atral-Cipan construída a pulso por um grande homem (comendador Sebastião Alves). A Catalunha fez isto e é um sucesso. O senhor tem tido uma acção cívica em prol do seu concelho. Agora que está jubilado, está disponível para assumir outras funções?Tenho sido instigado por um grupo numeroso de pessoas para poder dar um maior contributo na gestão do concelho, mas uma coisa é o incentivo de 100 pessoas e outra são os 130 mil habitantes. Estou sempre interessado em ajudar. Para a minha terra estou sempre disponível. A política tornou-se um emprego e não um serviço à comunidade e eu não procuro emprego. Quero é ajudar o meu concelho com um grupo de pessoas com provas dadas.Aceitaria integrar alguma lista para o município? Fui abordado por alguns dos intervenientes na política, mas não estou disponível para integrar nenhum partido. As pessoas sabem que eu tive a experiência de administrar mais de meio milhão de pessoas sem meios. Reconheço que tenho qualidades e estou interessado em ajudar a melhorar este pedacinho de Portugal.O senhor é amigo pessoal da actual presidente. Isso não o impede de ser seu adversário?Seria quase impossível desencadear um processo que não fosse ajustado no ponto de vista social com a actual presidente por quem tenho estima e consideração pessoal. Mas se o PS optar por apresentar a Maria da Luz Rosinha, e dois anos depois a senhora der lugar a um vereador carreirista e sem condições para gerir o concelho, não serei só eu a saltar, seremos vários e até o próprio Partido Socialista. Temos vários vila-franquenses bem sucedidos com vontade de ajudar a sua terra, mas não querem é ser obrigados a ter um cartão partidário e não entramos em jogos. Quais serão as prioridades para este concelho?É preciso criar emprego, criar melhores condições de vida para as pessoas. Não se pode continuar a perder oportunidades. Ainda recentemente Vila Franca perdeu a instalação do IKEA para Loures por não ter terreno disponível. Isto não pode continuar a acontecer.É um reflexo da má gestão do território?Temos de acabar com as pessoas sombra que mandam nisto tudo. Vila Franca é controlada por um grupo de investidores que defendem os seus interesses materiais, mas não se preocupam com o bem-estar das pessoas. Toda a gente sabe isto, mas não se faz nada. Lutámos seriamente pela democracia e agora temos de lutar por um melhoramento que passa por escolher melhores pessoas para a gestão das autarquias, pessoas que não alimentem interesses. Devo dizer que temos em algumas juntas de freguesia pessoas muito competentes e honestas. O senhor tem um projecto de transformação do actual edifício da estação ferroviária em Fundação Cívica ou Cultural com a designação de Estação Toiro. Em que consiste?O estudo que realizei com a colaboração do professor doutor Luís Capucha propõe um modesto contributo para a valorização das instalações da estação que vão ficar devolutas e devem ir para a posse da câmara. É um edifício património da nossa memória colectiva a que deve ser dada uma utilização de acordo com os sentimentos e pertença dos vila-franquenses. A Estação Toiro terá um centro multimédia de interpretação da cultura popular incluindo um museu da tauromaquia, um centro de ensino profissional virado para as artes taurinas e tauromáquicas, um espaço dedicado ao vinho e à vinha e outro para as artes piscatórias, entre outros. Seria um pólo aglutinador das várias culturas vila-franquenses.Sendo aficionado, como vê o actual momento da festa em Vila Franca?A tauromaquia popular continua viva e de boa saúde. Continuamos a produzir excelentes toiros bravos e cavalos de qualidade, falta mais cuidado na produção dos agentes artísticos. Faz falta uma escola multidisciplinar para formar toureiros, bandarilheiros, campinos e forcados. A parte mais dolorosa é a parte empresarial. Julgo que o jovem empresário Ricardo Levezinho está a fazer um bom trabalho na gestão da Palha Blanco e todas as pessoas que sentem Vila Franca têm que ser parte da solução e não parte do problema. Temos de recuperar um património que herdámos e manter vivo o nosso ex-libris que é a praça de toiros. Sei que há boa vontade da Misericórdia, proprietária da praça, cuja situação financeira melhorou muito com gestores financeiros como Francisco Roque.

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