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Cemitério de Alverca está desactivado há 27 anos e há quem não se conforme com o aspecto de abandono

Cemitério de Alverca está desactivado há 27 anos e há quem não se conforme com o aspecto de abandono

Não há data prevista para a transladação dos restos mortais para o cemitério novo

Desactivado desde 1981 o velho cemitério de Alverca continua de portas abertas. As ervas tomaram conta de tudo e o aspecto é de desleixo e abandono. Não há data prevista para a transladação dos restos mortais que não forem reclamados. A autarquia quer doar o terreno aos bombeiros.

Edição de 23.07.2008 | Sociedade
Em Março de 2006 o MIRANTE visitou o velho cemitério de Alverca. Na altura, encontrou-o em fase de degradação. Dois anos volvidos, o cenário mantém-se. O cemitério de São Sebastião não morreu, mas o estado de decomposição é avançado: campas que passaram a ser simples buracos no chão; caminhos que passaram a ser o covil das ervas daninhas, graffittis que se vão acumulando paredes a cima, imagens sacras e pedras mármore completamente partidas. A situação choca algumas pessoas que por ali passam ou que ali vão visitar as campas de familiares e amigos falecidos. “É uma vergonha para a cidade este cemitério. Uma grande, completa, verdadeira e perfeita vergonha” – diz, em tom revoltado, Joaquim da Silva de 59 anos. Uma opinião partilhada por Gracinda Pâncio: “Aquilo está tudo ao abandono. As pessoas passam por lá e sentem-se mal. É muito desagradável. Por respeito e piedade aos que lá estão já é tempo de se tratar daquilo”. Há quem apresente propostas. “ Ou tratam daquilo ou tiram aquilo dali para fora. Nós nem sequer sabemos se ainda lá estão os mortos” – diz Irina Machado, de 22 anos. Mais taxativa é a sugestão de Manuel Vitorino. Aos 83 anos este alverquense não tem dúvidas de que: “Ali não há nada a tratar. O que já devia estar feito e não está é a transladação dos restos mortais de quem ali foi sepultado, para o cemitério novo”. Afonso Costa, presidente da Junta de Freguesia de Alverca não concorda que o aspecto do centenário cemitério seja de desleixo: “O cemitério não tem um aspecto de abandono, mas sim de desactivado. Aliás, o cemitério é um compromisso nosso e por isso tentamos manter uma certa dignidade no aspecto dele”. E acrescenta: “Há pelo nosso país fora, muitos cemitérios que estão activos e que tem um ar muito mais abandonado”. Para manter a “dignidade” de que nos fala Afonso Costa a junta de freguesia tem contado apenas com os seus meios, como quando pintaram os muros. “A Câmara Municipal de Vila Franca de Xira acompanha o assunto mas não intervém” – explica Filomena Serrazina do departamento de comunicação da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Todavia “quando for necessário fazer as trasladações previstas para o cemitério novo a câmara vai ajudar”, adianta. Actualmente o velho cemitério não conta com nenhum funcionário a tempo inteiro. “O grosso do trabalho é feito no cemitério novo” – explica Afonso Costa. “É para lá que se virão as nossas atenções”, remata. Em 2006 a Junta de Freguesia de Alverca comprometia-se em limpar o terreno e fazer um levantamento topográfico das campas e dos jazigos (visto que um incêndio, destruiu o arquivo de cemitério). Ficou ainda de publicar um edital para que os herdeiros dos proprietários das campas pudessem reclamar a posse e em criar uma nova bateria de gavetões para os ossários no cemitério novo.Confrontado com a pergunta Afonso Costa é assertivo: “O levantamento topográfico foi feito e neste momento estamos na fase do levantamento voluntário das campas. Pedimos, inclusive a varias agências funerárias que nos ajudassem nesse aspecto”. Sem custos nem taxas, as famílias, de livre vontade e iniciativa, podem fazer o pedido de levantamento dos restos mortais dos seus entes para o novo cemitério. Segundo o presidente da junta a adesão está a ser razoável. E como estamos numa altura de Verão adivinha-se que os pedidos dos emigrantes venham aumentar o número dos levantamentos. “Até agora não têm surgido dificuldades ou reacções controversas por parte dos familiares dos proprietários dos terrenos até porque esta é uma fase de voluntariado”, avança Afonso Costa, acreditando que futuramente também não surgirão problemas de maior. Apesar das iniciativas o velho cemitério de Alverca não se livra do epíteto de que está, literalmente “deixado ao Deus dará”, como conclui José António, alverquense de 39 anos, e para quem “é uma pena ver o centro da cidade com um espaço em tão grande decadência”.
Cemitério de Alverca está desactivado há 27 anos e há quem não se conforme com o aspecto de abandono

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