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Construção das casas mortuárias de Alhandra gera nova polémica

Pároco e populares criticam a implantação que elimina miradouro

Padre José Gonçalves lamenta não ter sido ouvido antes da elaboração do projecto e reprova a opção da Câmara de Vila Franca.

Edição de 23.07.2008 | Sociedade
Os 75 anos de José Manuel Macieira não lhe retiram forças para lutar contra “um atentado urbanístico”. O autarca eleito desde o 25 de Abril, classifica a implantação das três casas mortuárias que estão a ser construídas junto do adro da igreja, em Alhandra, como “um mamarracho” e não está só nesta apreciação. Em causa está a eliminação de parte de um miradouro que contemplava “uma paisagem maravilhosa” e a retirada de 200 metros quadrados do adro da igreja para construir as capelas para velar os defuntos.“Isto é um local de contemplação da vida e não da morte. Vem aqui um turista para ver a paisagem e vê os familiares e amigos do defunto a chorarem”, refere Maria Antónia.O padre José Gonçalves, responsável pela paróquia, confessa que está triste com a situação e lamenta não ter sido ouvido num projecto que está na sua área de intervenção. “Não foi bem projectado. Não precisamos de três capelas e o projecto tem algumas falhas. A câmara vai corrigir o que puder. Não se pode deitar tudo abaixo”, refere. José Macieira, eleito na assembleia de freguesia, ainda alimenta a esperança de ver as capelas construídas noutro local e sugere como alternativas junto à casa paroquial ou no terreno do futuro centro de saúde. Entretanto, segundo José Macieira, um grupo de alhandrenses preparou uma providência cautelar a pedir a suspensão da obra em nome do interesse da população de Alhandra e alegando violações de princípios legais.Enquanto o juiz não decide, a obra está a decorrer normalmente e José Macieira passa lá todos os dias. Os funcionários da empresa construtora ouvem os seus desabafos ao mesmo tempo que dão vida à construção projectada pelos arquitectos Carlos Crespo e Pedro Gameiro e aprovada pela Câmara Municipal de Vila Franca. “Isto não foi deslocado para não tapar a Cimpor que é uma má imagem da vila e tapam uma paisagem única”, lamenta José Macieira.O homem que liderou a primeira comissão instaladora da junta de freguesia em Alhandra já escreveu ao Primeiro-Ministro a pedir a intervenção de José Sócrates. Antes fez várias tentativas para convencer a câmara a suspender a obra, mas em vão.“Uma obra destas não podia ser feita sem ouvir a população através da assembleia de freguesia” refere. A câmara informou a junta de freguesia que concordou com a implantação, mas não levou o assunto à assembleia.José Macieira fez uma exposição ao Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR) e ao secretário de Estado da administração local onde denuncia a situação. “É um genocídio urbanístico. Uma coisa inadmissível”, refere o velho militante do PS que garante que gosta tanto de Alhandra como da família.O vice-presidente da câmara, Alberto Mesquita (PS), considera que a obra foi bem implementada e espera que os que a criticam mudem de opinião depois da conclusão. “Peço o benefício da dúvida. É um gabinete de arquitectura com provas dadas e a câmara e a junta de freguesia aprovaram o projecto”. O autarca anunciou que o centro paroquial será construído numa cota inferior, beneficiando toda aquela zona.

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