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Descendente de avieiros das Caneiras recorda infância

Descendente de avieiros das Caneiras recorda infância

Edição de 23.07.2008 | Sociedade
Fernando Pelarigo entra no varino “Liberdade” em silêncio. Senta-se e contempla a paisagem durante alguns minutos. Recorda a infância quando fazia o mesmo percurso com o pai. Esta é uma viagem emocionante para este descendente de avieiros, natural da aldeia das Caneiras, junto a Santarém, onde a cultura avieira ainda está bastante enraizada.Pelarigo foi convidado a integrar a comissão organizadora da candidatura da cultura avieira a património nacional. Convite que aceitou de imediato. E explica porquê: “É uma cultura única com uma vivência especial. Já viajei por alguns locais e confesso que nunca vi nada assim. A cultura avieira estava a perder-se com o passar do tempo e isso entristecia-me, porque tenho orgulho nas minhas origens e não gostava de ver desaparecer a minha cultura”, explica.O descendente de avieiros conta que a própria mentalidade do povo avieiro é diferente. Há 40 anos eram comunidades muito fechadas onde os avieiros casavam entre si. Pelarigo foi dos primeiros a quebrar essa regra. “Primeiro namorei uma moça avieira e os meus pais adoravam-na. Quando a deixei e comecei a namorar uma rapariga que não pertencia à comunidade foi muito difícil para os meus pais e toda a família aceitar”, recorda.Aos 62 anos recorda quando ia para a pesca com o pai e passavam a noite à espera que o peixe picasse. Dormiam e comiam no barco. A vida não era fácil. O peixe que capturavam era vendido pela mãe. Mas o dinheiro não chegava para viver condignamente.A dada altura os avieiros perceberam que não conseguiam sobreviver apenas da pesca e tiveram que procurar outro meio de subsistência. Começaram a trabalhar na agricultura. Fernando Pelarigo é um dos muitos descendentes de avieiros que não seguiu os caminhos dos seus pais. Começou a trabalhar muito novo como motorista de pesados e nunca mais voltou à apanha do peixe. Mas sempre acompanhou a comunidade avieira e é um dos membros mais activos da luta pela candidatura da cultura avieira a património nacional.
Descendente de avieiros das Caneiras recorda infância

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