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Contestação interna à administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo

Contestação interna à administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo

Documento subscrito por funcionários tece duras críticas à actual gestão

Funcionários foram interrogados individualmente para denunciarem o autor de um abaixo-assinado onde se pede a rápida substituição do presidente do conselho de administração.

Edição de 24.07.2008 | Sociedade
O conselho de administração do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), presidido por António Andrade, coronel do Exército na reserva, que tomou posse há nove meses, está a ser posto em xeque por parte de algum pessoal auxiliar e administrativo. O mau ambiente instalou-se quando, recentemente, circulou um abaixo-assinado dirigido à ministra da Saúde nos corredores das três unidades (Tomar, Torres Novas e Abrantes) em que o trabalho da administração era posto em causa. O documento pedia a rápida substituição do presidente do conselho de administração (CA) da instituição. Devido a essa situação, na quinta-feira, 10 de Julho, alguns funcionários da unidade de Torres Novas que subscreveram o abaixo-assinado foram chamados para uma reunião ao CA, onde estavam presentes dois advogados da entidade patronal, sendo interrogados sobre como tiveram acesso ao documento contestatário e quem seria o autor do mesmo. A legalidade da medida foi questionada pelos funcionários, uma vez que consideram ter sido posto em causa o seu direito à liberdade de expressão. Apesar das críticas à atitude do CA, nenhum dos ouvidos quis dar a cara ou o seu testemunho ao nosso jornal, tendo apenas confirmado que a situação “embaraçosa” ocorreu, de facto. No documento, a que O MIRANTE teve acesso, tecem-se duras críticas ao comportamento do presidente e vice-presidente do conselho de administração, sublinhando que existem relações “conflituosas” entre estes dois elementos e os restantes membros do CA. Os subscritores queixam-se de má gestão, da ausência de prioridades e da admissão de trabalhadores para funções desnecessárias, sem critérios de admissão válidos, para além de ligações a membros do conselho de administração, “auferindo remunerações acima do que é praticado”. O documento cita ainda algumas situações particulares de contratações “duvidosas” e a ausência dessas pessoas do seu local de trabalho durante grande parte do dia. Perante tal cenário, os funcionários que assinaram o documento pediram à ministra que dedicasse alguma atenção ao que se passa na saúde do Médio Tejo, “promovendo a rápida substituição do presidente do conselho de administração da instituição, evitando um escândalo público”. Manuel José Soares, porta-voz da Comissão de Utentes do CHMT, disse a O MIRANTE ter conhecimento da existência de problemas “na relação dos diversos grupos profissionais com a administração” mas esclareceu que os trabalhadores do CHMT “têm os seus próprios representantes” pelo que não quer tecer muitos comentários à situação. “O que nós sempre dissemos é que o novo conselho de administração deve ser pautado pelo bom-senso”, afirma Manuel José Soares, esperando que a situação de mal-estar no CHMT não se reflicta na prestação dos cuidados de saúde aos utentes. Já o secretário-geral do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública (SINTAP), Nobre dos Santos, desconhece a situação por completo, prometendo averiguar o que se passou no dia 10 de Julho.Contactado pelo nosso jornal, através do Gabinete de Comunicação, o presidente do conselho de administração do CHMT não respondeu até ao fecho desta edição. Quais os objectivos do inquérito feito aos funcionários e quais as medidas que pretende vir a tomar, a breve prazo, para contornar a onda de contestação no seio do CHMT foram algumas das perguntas que ficaram por responder.
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