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Paulo Leitão

Paulo Leitão

36 anos, advogado

Nasceu na Chamusca a 24 de Fevereiro de 1972. É advogado e está casado com uma advogada. Tirou o curso em Coimbra mas decidiu regressar às origens e abriu um escritório há 11 anos na terra onde cresceu. Diz que vive a vida intensamente e com muita paixão.

Edição de 24.07.2008 | Três Dimensões
Tenho muito boa memória. O primeiro caso que defendi na barra do tribunal, com 22 anos, foi como advogado oficioso de um preso. Estava acusado de furto qualificado. Vivi o julgamento com muita ansiedade e nervosismo. Tinha acabado o curso, e para mim, aquilo tudo uma absoluta novidade. Pode ter sido um caso infímo mas recordo-o vivamente. O meu cliente apanhou pena suspensa e saiu em liberdade.Resolvi que o que tinha aprendido no curso deveria ser colocado ao serviço da população da minha terra. Quando acabei o curso, comecei logo a exercer advocacia. Fiz um estágio de um ano e meio em Coimbra e mais tarde em Tomar. Gosto de meios mais pequenos e fui tendo a percepção que o ideal seria optar pela Chamusca. Gosto de trabalhar aqui. Há muita qualidade de vida. Sou incapaz de fazer de conta que há uma solução para um caso. Muitas vezes há situações que nos são colocadas e, com muita pena minha, as soluções estão bloqueadas. Era bom que as pessoas se acautelassem mais. Quando acabo a defesa de um caso fico sempre com a sensação de dever cumprido. Dou-me muito bem com a minha almofada. Sei que me empenhei ao máximo e fiz o melhor que podia, que queria e que sabia. Quando optei por tirar o curso de Direito tinha a ideia da magistratura judicial. Cheguei a prestar provas mas não fui admitido. Fiquei na lista de suplentes. No dia que soube que não tinha ingressado tive que tomar uma decisão e optei por enverdar pela advocacia. Hoje digo com muita certeza que optaria sempre por ser advogado, mais cedo ou mais tarde. Gosto de estudar os meus processos e delinear as minhas estratégias.A 16 de Julho de 1997 abri o meu escritório. Foi um investimento que fiz de raiz. Na altura, comecei por trabalhar sozinho. Depois conheci a minha mulher que também é advogada e, alguns anos mais tarde, começou a trabalhar comigo. Hoje já somos três advogados e estamos em fase de constituição de sociedade. Temos escritórios abertos na Chamusca e no Entroncamento. Prestamos todo o tipo de assessoria jurídica. Em casa, por norma, não se fala de trabalho. Entendo que há vida para além da advocacia. Apesar de trabalhar com a minha mulher temos agendas muito separadas. Nem sempre conseguimos almoçar juntos. Procuramos que a nossa vida profissional não prejudique a vida familiar. Os meus dias não passam por serões nem por fins de semana a trabalhar no escritório. É uma questão de opção. Quando trabalhava sozinho não era assim. Posso dizer que vivo a vida intensamente e com muita paixão. Seja a nível pessoal, seja a nível profissional. Eu julgo que nada se consegue fazer sem paixão embora o risco tenha que ser calculado. Toco guitarra portuguesa e faço disso o meu hobbie. Alguns dos meus fins-de-semana são ocupados a tocar em espectáculos. Também é uma forma de fazer amigos. Aprendi a tocar com o Custódio Castelo. Tinha os meus 18 anos. Em pequeno já tocava piano, fiz parte do coro da igreja. Tenho uma grande colecção de instrumentos étnicos. Gosto muito de música mas não consigo trabalhar com música. Tenho que estar concentrado, em silêncio quase absoluto.Os meus filhos são muito interessados pela profissão dos pais. Tenho dois. Um com cinco anos e outro com três. O meu filho mais velho diz que quando for crescido também quer ir ao escritório para fazer umas reuniões (risos). Gostam de saber o que vamos fazer, como funciona um tribunal e que tipo de assuntos tratamos. Deixarei sempre ao critério deles o seu futuro profissional.
Paulo Leitão

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