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Começou com a canção do Vitinho e agora anda numa de Kizomba

Susana Vargas a menina do banco que é artista aos fins-de-semana

Quando era pequenina não queria ser artista e a primeira vez que subiu a um palco para uma actuação a sério tremia como varas verdes. Já gravou um disco mas só actua aos fins-de-semana.

Edição de 31.07.2008 | Cultura e Lazer
A primeira actuação pública de Susana Vargas foi aos 4 anos de idade. De pijama e chinelos e com um penico na mão cantou e encantou com a canção do “Vitinho”, a música da televisão que convidava as crianças a ir para a caminha. O entusiasmo pela música e pelos palcos não se tinha revelado. Dois anos após o “Vitinho” entrou para a banda filarmónica da terra mas apenas para fazer a vontade à mãe. “Tocava clarinete mas não gostava. Além disso, achava que aprender solfejo era muito chato. Não fiquei lá muito tempo”, conta.As coisas começaram a mudar quando algumas amigas decidiram entrar na banda. Tinha dez anos e juntou-se ao grupo. A partir daqui as coisas foram diferentes. Começou a encarar a música com entusiasmo. A colectividade a que pertencia a banda tinha um grupo de música tradicional portuguesa e uma orquestra ligeira que Susana também integrou. A cantora recorda quando, nos intervalos das aulas, se juntava com os colegas de turma a imitar os “OndaChoc” e os “Ministrars”, os grupos musicais infantis mais célebres da época.A carreira artística aconteceu um pouco por acaso. Aos 16 anos, começou a aprender a tocar órgão. Um dia surgiu a oportunidade de tocar numa aldeia perto de Coruche. “Não estavam muitas pessoas a assistir mas eu estava em pânico antes de subir ao palco. Mas depois de duas músicas fiquei à vontade e no final adorei. Nem queria sair do palco”, conta entre risos.O tempo foi passando e o gosto pela música foi-se enraizando. Susana Vargas tem 26 anos e trabalha numa instituição bancária. Nos tempos livres é artista. Toca e canta para animar bailes, festas de casamento, baptizados. Vai onde o seu trabalho é solicitado.Os convites aparecem com maior regularidade. A sua maior publicidade é o boca-a-boca. Toca música popular portuguesa, brasileira e mais recentemente kizomba. Tony Carreira, Quim Barreiros e Emanuel são os cantores que o público mais pede. A jovem confessa que não ensaia muito. Tem bom ouvido e cada espectáculo serve para rever a matéria. Embora tenha que responder às preferências do público, Susana também tem as suas. Actualmente anda na onda do grupo de kizomba “Irmãos Verdade”.Susana Vargas investiu em equipamento de som e chegou até a gravar um CD de originais. Pediu a dois conhecidos que lhe compusessem as letras e músicas. “Eu sou assim” é o nome do álbum que gravou, em 2003. Não se arrepende da experiência e não é mulher de dizer “nunca”. Mas, por enquanto, não quer repetir a experiência.“Quando gravamos um CD as expectativas são muito altas. Caso contrário, não o tinha feito. A partir do momento em que essas expectativas não se cumprem a desilusão é enorme. Investi cerca de 15 mil euros nesse projecto. Mas não é pelo dinheiro que posso ter perdido que me desiludi. Gravar um álbum não é difícil. Complicado é conseguir que o nosso trabalho chegue ao mercado, sobretudo à televisão e as rádios. É necessário uma grande máquina publicitária por trás de um artista. E muitos bons conhecimentos. Por isso, nem todos conseguem. Mesmo que sejam muito bons cantores”, desabafa.O objectivo de Susana não é ser famosa. Gosta do que faz e prefere conciliar as duas actividades. O verão é a época alta dos artistas populares portuguesas e a jovem não foge à regra. Até Setembro tem a agenda bastante preenchida.

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