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Um psicólogo clínico identificado com o trabalho social

Um psicólogo clínico identificado com o trabalho social

Pedro Vaz Santos trabalha para a Santa Casa da Misericórdia de Santarém há sete anos

No dia-a-dia tem como função estabelecer ligações com as entidades parceiras das valências de acolhimento de crianças e jovens, como escolas e actividades de tempos livres, além de contactar com os familiares.

Edição de 31.07.2008 | Identidade Profissional
Há sete anos que Pedro Vaz Santos é psicólogo clínico no Centro de Acolhimento Temporário de Crianças e no Lar dos Rapazes, valências da Santa Casa da Misericórdia de Santarém. Natural de Lisboa, adaptou-se a Santarém. Ainda pensou seguir ciências quando frequentava o ensino secundário, mas optou pela psicologia, “área que casa bem com alguma filosofia e com humanidades”.Licenciado pelo Instituto Superior de Psicologia Aplicada, começou a trabalhar na Misericórdia de Santarém um ano depois. Durante o período que mediou, efectuou um estágio profissional na área dos adolescentes com perturbações mentais no Hospital de Santa Maria. Começou na saúde mental e transitou para a área social. E não se arrepende.No dia-a-dia Pedro Santos tem como função estabelecer ligações com as entidades parceiras das duas valências. Escolas e actividades de tempos livres, além de contactar com os familiares dos jovens e analisar pedidos de observação de famílias que querem adoptar. “Não faço apenas contactos técnicos. Também costumamos almoçar todos juntos, estar na sala de convívio a ler, a ver algum filme e falar da actualidade. Durante o período de Verão costumamos ir a colónias balneares. E nos últimos dias preparam sempre brincadeiras e outras situações com técnicos e auxiliares”, conta. Segundo o técnico, é importante que as crianças e jovens sintam que não se está ali de passagem e que exista um contacto permanente. A estrutura do CAT e do Lar dos Rapazes é liderada por uma psicóloga coordenadora. Conta ainda com Pedro Santos como psicólogo clínico e com uma psicóloga educacional. Cada uma das valências conta com nove auxiliares de acção educativa. “As auxiliares são muito importantes neste trabalho com os jovens e não se pense que só quem é formado é que consegue lidar com as situações. As auxiliares estão com eles 24 sobre 24 horas em turnos, 365 dias por ano”, salienta o psicólogo.Até Outubro de 2007 Pedro Santos foi representante da Misericórdia na Comissão de Protecção de Crianças e Jovens de Santarém. Nos primeiros anos de trabalho ajudou a alterar o que era um modelo de acolhimento apostado apenas na ajuda à pobreza das famílias, com maior incidência no apoio aos problemas dos jovens. “O lar passou a ser um sistema e não um recurso que as famílias sem posses têm para colocar os filhos. Aqui são apoiadas crianças e jovens identificados como sendo alvo de negligências, abusos ou abandono”, explica.O CAT recebe crianças até dez anos, de ambos os sexos. São encaminhadas por comissões de protecção de crianças e por decisões de tribunais no âmbito do distrito de Santarém. A capacidade da valência é de 12 crianças por um período máximo de seis meses. No caso do Lar dos Rapazes trata-se de uma “residência” permanente para 20 crianças ou jovens, com idades desde os sete/oito anos até aos 18 anos. O psicólogo indica que, ao contrário do que transparece para a opinião pública, cerca de 60 por cento dos casos de maus-tratos com crianças e jovens dizem respeito a negligência e não tanto a agressões ou abuso sexual. “É também a que gera consequências mais visíveis a longo prazo”, assegura. Fora os problemas familiares que deram origem à sua institucionalização, os jovens do lar são os mesmos que se podem encontrar num país como Inglaterra. “Têm a mesma maneira de vestir, ouvem o mesmo género de música e têm comportamentos semelhantes. É a globalização, não é bom nem mau”, analisa.Formação é prioridadeNo lar, a equipa que Pedro Santos integra aposta forte na escolaridade e na formação das crianças e dos jovens. Apesar de se reconhecer ser difícil incutir uma aprendizagem académica quando as suas preocupações e ansiedades são o presente. “Se estivesse a dar-lhe esta entrevista e soubesse que a minha filha estava no hospital, de certeza que não corria como está a correr. A família é muito importante para os jovens e importa manter contactos periódicos para fazê-los pensar menos nesses assuntos. Aqui só entram crianças e jovens com projectos de vida esgotados”, assegura o técnico.A integração no mercado de trabalho para ajudar à autonomização dos jovens é outros dos objectivos. Parte opta pelo ensino profissional em áreas como a mecânica de automóveis, electromecânica de refrigeração e a metalomecânica. Com boas taxas de empregabilidade. Ao mesmo tempo, responsabilizam-se como cidadãos autónomos: aprendem a cozinhar, a tratar da roupa e dos quartos. Para quem tem ideia de uma Misericórdia como entidade arcaica, com 500 anos de história, Pedro Santos considera que nada está mais longe da realidade. E garante que continua motivado pelo trabalho que faz, deixando antever novos projectos que estão a ser estudados pela instituição.
Um psicólogo clínico identificado com o trabalho social

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