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Com a navalha numa mão e um pedaço de cortiça na outra

Com a navalha numa mão e um pedaço de cortiça na outra

Edição de 30.07.2008 | Sociedade
Com a navalha numa mão e um pedaço de cortiça na outra Dinis Azevedo, 64 anos, vai construindo obras de arte em miniatura. Constrói sobretudo agricultores e animais, ou não fosse ele um homem do campo. Um dom que descobriu por acaso. Natural de Coruche, Dinis Azevedo sempre se dedicou à agricultura nos terrenos que possui lá para os lados de Montargil (concelho de Ponte de Sôr). Nas horas vagas começou a entreter-se com pedaços de cortiça sem utilidade. E deu-lhes vida. Garante ser necessária muita paciência. “Não é qualquer pessoa que faz este trabalho uma vez que exige dedicação, muita habilidade e perícia”, explica.No dia em que O MIRANTE encontrou o artesão em Salvaterra de Magos estavam expostos uma representação de uma matança de porco e uma pocilga. Uma peça pode demorar cerca de 50 horas até ficar completa. Nada que Dinis Azevedo não aguente.A navalha dá vida à obra. Depois lixa-se até ficar liso. No final coloca-se verniz. E algumas peças levam pequenos toques de pintura. Para dar mais vida. O artista pensa em todos os pormenores. Aos agricultores não faltam sequer a enxada para cavar a terra. Ou mesmo uma garrafa de vinho para “matar” a sede nas tardes quentes de Verão.Dinis Azevedo conta que costuma ir a exposições mostrar o seu trabalho. Mas vai apenas às da sua região. E explica porquê. “Não gosto de ir a muitas porque senão fico muito conhecido e não quero”, brinca.Confessa não ter por hábito oferecer as peças que constrói. Apenas a alguns amigos mais chegados. Mas nem sempre. “Não têm preço”, diz. Prefere guardá-las. Para recordação. Afinal estão ali muitas horas gastas a moldar cortiça. Mesmo assim, no final da conversa com O MIRANTE, não resistiu a oferecer uma bolota de cortiça em miniatura: “É para recordar”. “Obrigado, senhor Dinis”. Ana Isabel Borrego
Com a navalha numa mão e um pedaço de cortiça na outra

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