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Estações de comboio da Linha da Beira Baixa ao abandono

Estações de comboio da Linha da Beira Baixa ao abandono

Bilheteiras fechadas contribuem para acelerada degradação dos espaços

Actos de vandalismo sucedem-se nas várias estações e apeadeiros entre Entroncamento e Abrantes.

Edição de 30.07.2008 | Sociedade
Casas de banho fechadas, bancos e paredes vandalizados e um número reduzido de utentes em silêncio à espera de um comboio que chega quase sempre com largos minutos de atraso. É este o cenário desolador que se assiste nas estações e apeadeiros da linha da Beira Baixa, entre o Entroncamento e Abrantes: Vila Nova da Barquinha, Tancos, Almourol, Praia do Ribatejo, Tramagal e Alferrede. A última, ao km 34, era a única onde ainda se podia comprar bilhete na estação, mas viu o serviço ser encerrado a 11 de Julho. O funcionário que ali trabalhava, há dez anos, e que de certo modo humanizava o espaço, foi transferido para a estação de Abrantes. O presidente da Junta de Freguesia de Alferrarede, Pedro Moreira, foi apanhado de surpresa com a decisão da Refer. “Já no ano passado fizemos uma manifestação contra o facto do comboio intercidades ter deixado de parar na estação. Fomos à Assembleia Municipal de Abrantes e enviamos uma moção de contestação à CP e à REFER. Este foi o golpe final”, disse. A situação abre portas à degradação acelerada do espaço que já foi palco de vários actos de vandalismo. Há pouco tempo as portas das casas-de-banho foram arrombadas e levadas. Acabaram por ser substituídas mas desde então os sanitários encontram-se fechados. “Este país é uma vergonha”, atesta Jorge Silva, habitante da localidade que não se conforma com o actual estado da estação, outrora considerada uma da mais importantes da região. Recorda que ali costumavam desembarcar centenas de pessoas à conta das unidades fabris. “Desde que fecharam as bilheteiras a estação perdeu vida e agora somos nós e as moscas” aponta desolado. A seu lado, o reformado José Matos, 72 anos, abana a cabeça: “Não tarda nada aparece aí a gatunagem para tomar conta disto tudo”.Não é só na estação de Alferrarede que se vive esse cenário de insegurança. À espera do comboio proveniente do Entroncamento para a estação de Abrantes, na estação de Vila Nova da Barquinha, Rosário Santos tenta combater o calor como pode. É a única utente que ali se encontra. Diz que por enquanto não tem medo mas sabe que qualquer dia está sujeita a ter uma experiência menos agradável. Os sanitários estão fechados, não há bar e a sala de espera está imunda. A bilheteira foi encerrada vai para dez anos. Ao redor da estação a vegetação cresce e encontra-se seca. Funcionários da autarquia cortaram as canas ao longo da linha mas deixaram-nas na berma. “É um perigo de incêndio ainda maior, não acha?”, interroga. A voz no altifalante anuncia que comboio da Linha do Leste, proveniente de Elvas, está com 45 minutos de atraso. É assim todos os dias, fala a voz da experiência. A paragem seguinte, o apeadeiro de Tancos, vale pela paisagem. Encontra-se limpo mas está limitado a dois bancos. Sombras, nem por sombras. Não se encontra viv’alma. Manuel Antunes, morador das proximidades diz que vai sendo raro encontrar ali alguém. “Já poucos comboios param aqui e a maioria das pessoas prefere andar de carro. Além disso aqui não há nada e as pessoas até têm medo de aqui estar sozinhas”, explica. Um bocadinho mais animado é o ambiente da estação de Almourol, fruto dos militares que aguardam o comboio e que se encontram na Escola Prática de Engenharia de Tancos. Um pequeno bar serve refeições rápidas e bebidas frescas para quem deseja matar a sede. Privilégio que não se encontra nas outras estações e apeadeiros. O MIRANTE colocou algumas questões à CP com o objectivo de saber qual a política da empresa em relação à manutenção destas estações e os motivos que levam ao encerramento das bilheteiras mas a resposta não chegou após três semanas.
Estações de comboio da Linha da Beira Baixa ao abandono

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