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Idosa com fracturas nos membros e coluna mandada para casa após avaliação médica deficiente

Familiares da vítima acusam médica do Centro de Saúde da Chamusca de negligência

Uma mulher de 85 anos, natural da Parreira, foi ao Centro de Saúde da Chamusca e regressou a casa feita num oito, exactamente como tinha entrado na unidade de saúde. A família está indignada. A médica ficou surpreendida quando foi confrontada com a situação e garante que não detectou qualquer sintoma de fractura durante a avaliação da doente. Eugénia Henriques vive acamada e foi ao cair da cama que terá feito as lesões.

Edição de 30.07.2008 | Sociedade
A família de uma idosa da Parreira acusa uma médica do serviço de atendimento complementar do Centro de Saúde de Chamusca de negligência por não lhe ter diagnosticado fracturas nos braços, pernas e coluna quando ali foi assistida após ter caído da cama. No dia 21 de Julho, Eugénia Elisa Henriques, 86 anos, caiu da cama com cerca de um metro de altura. No Centro de Saúde de Chamusca foi suturada com quatro pontos numa ferida na cabeça e, apesar de queixas de dores nos braços e pernas, foi mandada de regresso a casa.A médica que a atendeu respondeu às queixas apresentadas pela doente com a ideia de que Eugénia Henriques estava apenas magoada e entendeu não a enviar para o Hospital de Santarém. Perante a surpresa da filha da vítima, os Bombeiros da Chamusca, que a tinham transportado da Parreira para a vila, fizeram com a paciente o percurso inverso e deixaram-na na cama de onde tinha caído. “A médica nem sequer um comprimido para as dores ou uma pomada para as nódoas negras lhe receitou”, acusa o neto, Ângelo Duarte. A médica explica que não detectou qualquer sintoma de fractura.Em casa, o estado de Eugénia Henriques agravou-se. Queixava-se de “dores intensas e o braço e as pernas incharam bastante”, diz a família que começou a ficar preocupada. Foi o enfermeiro que dois dias depois da queda ia mudar o penso da ferida na cabeça da idosa quem se apercebeu de que havia mais qualquer coisa do que apenas um corte na cabeça. E aconselhou a chamarem os bombeiros e a levarem a senhora para o Hospital de Santarém para ser observada.Os clínicos do Hospital de Santarém verificaram que afinal Eugénia Henriques, para além do corte e forte traumatismo na cabeça, tinha ainda fracturas num braço, nas duas pernas, bacia e ao nível da coluna. Tais lesões exigiram a sua imobilização, o que deveria ter acontecido logo após a queda, e determinaram o seu internamento num estado considerado muito grave. Os familiares de Eugénia Henriques estão indignados com a forma como a médica do Centro de Saúde da Chamusca atendeu a senhora. “Não se olha para um doente, dá-se-lhe uns pontos na cabeça e manda-se para casa, sem fazer uma observação mais cuidada. A idade da minha avó merecia outro respeito por parte da médica”, diz Ângelo Duarte.A maioria dos familiares está mesmo a ponderar colocar uma acção em tribunal porque entendem que houve uma negligência grave da médica que atendeu a paciente. “Não queremos dinheiro nem que a médica seja condenada, queremos apenas que seja chamada à atenção para que não volte a incorrer em erros tão primários”, garantem. “Não é possível, a doente não acusava qualquer sintoma de fractura”Uma semana depois, a médica Ana Pinho, que atendeu Eugénia Henriques, voltou a estar de serviço no atendimento complementar da Chamusca e O MIRANTE foi ouvir a sua versão. A sua reacção foi de surpresa. “Não é possível, a senhora não apresentava queixas de qualquer fractura”, disse.Segundo a clínica, o atendimento foi o normal, no saturadíssimo serviço de atendimento complementar. “Reconheço que o atendimento não é o ideal para ninguém. Só para se ter uma ideia do que se passa aqui, posso dizer que no dia em que a senhora veio ao atendimento, entre as 16h00 e as 21h30, já tinha atendido 75 pacientes. Mas volto a reafirmar que o quadro clínico que a senhora apresentava não indicava nada do que me está a informar”, referiu.Também o facto de Eugénia Henriques ter estado em casa dois dias com todas aquelas fracturas e aguentar “as dores que teriam que ser quase impossíveis de suportar”, deixam a clínica surpreendida. “Deixa-me completamente estarrecida o facto de uma pessoa com 86 anos, com as duas pernas, um braço, a bacia partidas e com um traumatismo craniano, consiga aguentar tanto a dor de modo a que a própria família não se tenha apercebido de que afinal havia algo mais grave e tivesse sido apenas o enfermeiro que foi fazer o penso na cabeça, dois dias depois, que se tivesse apercebido e aconselhado a enviar a doente para Santarém”, reafirmou.A médica em questão já presta serviço na Chamusca há 18 anos. É por isso muito conhecida e respeitada e não hesita em enviar os doentes para os hospitais distritais quando suspeita que pode existir algo de mais grave. “Estou aborrecida e preocupada, mas não aceito que digam que houve negligência da minha parte. Atendi a paciente da mesma forma que atendi todos os outros pacientes e digo com toda a sinceridade que os sintomas que apresentava não mostravam nada a gravidade que agora é apresentada”. Para uma outra fonte médica com quem falamos na altura desta conversa uma das razões para um caso como este tem a ver com a grande resistência à dor de pessoas em idade muito avançada, como é o caso. Lesões antigas, assim como outros problemas graves nos ossos em pessoas que vivem acamadas, como também é o caso de Eugénia Henriques, também podem ajudar o explicar o estranho caso.

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