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Moradores de Trancoso acusam pedreira de os matar lentamente

Moradores de Trancoso acusam pedreira de os matar lentamente

Comissão de acompanhamento com todas as partes envolvidas

O MIRANTE visitou a exploração e confirmou que a Mota-Engil implementou medidas para minimizar impactos negativos. Responsável pela pedreira reconhece razão aos protestos dos moradores, mas considera que há exageros.

Edição de 30.07.2008 | Sociedade
Moradores de Trancoso, São João dos Montes, estão disponíveis para integrar a comissão de acompanhamento ambiental da pedreira da Mota- Engil sugerida pela Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Segundo a proposta agendada para a reunião de câmara de quarta-feira, 30 de Julho, o grupo de trabalho vai integrar ainda a presidente da junta e um representante da empresa que faz a exploração.Alberto Mendes, responsável pela pedreira, disse a O MIRANTE que a empresa está disponível para procurar soluções que minimizem os impactos negativos de que a população se queixa. Para já será reforçado o número de aspersores de rega e a pressão dos mesmos. O técnico reconhece que há razão para o descontentamento dos vizinhos da pedreira quando o vento é mais intenso e arrasta as poeiras libertadas pelo rebentamento da pedra e carregamento de inertes. “Uma actividade como esta não se faz sem pó. Temos feito tudo para reduzir os impactos. Os protestos justificam-se, mas há algum exagero”, referiu.A nossa reportagem visitou a pedreira sem aviso prévio e verificou que o sistema de rega estava a funcionar. Num dia de vento reduzido, o pó suspenso no ar não era significativo. Mas nem sempre é assim. “Os ventos dominantes vão no sentido da localidade e reconhecemos que o pó arrastado prejudica as pessoas”, adianta Alberto Mendes.Meia centena de camiões atravessam a aldeiaTodos os dias são carregadas na pedreira mais de 1500 toneladas de britas e touvenant que são transportados em mais de meia centena de camiões que atravessam a localidade vazios. A maioria sai da pedreira por outro caminho para não sacrificar a população, mas os que se dirigem para Alverca, Sobralinho, Alhandra e Vila Franca atravessam a aldeia carregados e geram desconforto e insegurança. “Não temos descanso nenhum e mesmo vivos temos que viver com a terra em cima”, refere Joaquim Canudo. O ancião tem 84 anos e queixa-se das dificuldades que o pó lhe causa nas vias respiratórias. “Há dias em que há uma nuvem de pó que não se consegue respirar. Assim, qualquer dia junto os pés”, adianta. Uma preocupação partilhada por Simão Bonareal que vive na aldeia há apenas cinco anos. “Isto tem-se complicado. Estão a matar-nos lentamente. Todos os dias perdemos um bocado da vida”, lamenta.“As videiras e as árvores de fruto estão todas brancas”, aponta. Na aldeia há quem viva do negócio da venda da fruta e legumes e acumula prejuízos. “Se lavam a fruta, não a podem vender molhada, se não lavam ninguém quer porque não sabe de que é o pó”, argumenta Vicente Reis, um dos vizinhos mais próximos da pedreira. Morador em Trancoso há 40 anos, Vicente lamenta a perda de qualidade de vida e aceita integrar a comissão de acompanhamento para defender o interesse dos moradores. “A câmara criou esta comissão para se descartar de um problema que as entidades legalmente instituídas deviam resolver”, disse.Os moradores da rua, que dá acesso à pedreira, queixam-se de não poder abrir as janelas e mostram as casas cheias de pó. Já quanto aos rebentamentos, com recurso a explosivos, que também motivaram protestos, “a situação melhorou” e os impactos são mais reduzidos.Na entrada da pedreira, um painel anuncia que os rebentamentos são feitos das 11h45 às 12h15 e das 16h15 às 16h45 e refere que a pedreira está licenciada pela Direcção Regional de Energia de Lisboa e Vale do Tejo. O responsável pela exploração assegura que as condições impostas pelo licenciamento estão a ser respeitadas na íntegra e garante que a pedreira já foi fiscalizada várias fezes por fiscais da câmara e da Comissão Coordenadora do Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo (CCDR-LVT).
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