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Padre teme que cúpula da Igreja da Piedade não aguente mais um Inverno

Presidente da Câmara de Santarém assume que é urgente intervir em igrejas degradadas

Pároco de São Salvador lamenta que se ande há anos “a bater na mesma tecla” e que as obras não avancem nesse e noutros templos.

Edição de 30.07.2008 | Sociedade
A paróquia de São Salvador não assume quaisquer consequências pelos danos de um possível acidente na Igreja da Piedade decorrente da degradação da cúpula do templo situado no centro de Santarém. O padre Joaquim Ganhão garante que está “farto de chamar a atenção” de várias entidades, entre organismos estatais e municipais, para a situação. “Penso que aquilo não vai aguentar mais um Inverno sem pôr em risco a segurança pública”, afirma o pároco de São Salvador, lembrando que existe já há três anos um projecto de intervenção que ainda não saiu do papel.A empreitada estava inicialmente orçada em cerca de 44 mil euros, tendo a Câmara de Santarém assumido suportar metade desse montante. O restante ficaria a cargo da paróquia. O apoio técnico seria da Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais (DGEMN) entretanto extinta. Só que com o andar do tempo os custos dispararam e o padre Joaquim Ganhão acredita que actualmente a reparação da cúpula não vai custar menos de 100 mil euros. “E nós não temos 50 mil euros para essa obra”, diz o sacerdote, revelando que a paróquia tem em curso algumas intervenções de pintura e remodelação da rede eléctrica no interior desse templo que lhe absorveram recursos. O padre Ganhão lamenta que se ande há anos “a bater na mesma tecla” e diz que só a boa vontade da câmara não chega, sendo necessário passar à prática. Uma posição que parece em sintonia com as declarações do presidente da Câmara de Santarém na última reunião da assembleia municipal. Francisco Moita Flores (PSD) garante que a autarquia vai intervir em várias igrejas da cidade caso o Estado não assuma as suas responsabilidades com alguma brevidade. O autarca afirmou que neste momento há um vazio na tutela de alguns monumentos que impede que avancem os processos de recuperação de algum património, como as igrejas da Piedade, de Santa Iria da Ribeira e do Santíssimo Milagre, ou do convento de São Francisco.O autarca, que reuniu recentemente com representantes do Ministério da Cultura, diz que a reestruturação levada a cabo nessa área aguarda regulamentação e, para já, não há nenhum organismo estatal que possa responder pelos investimentos nos templos mencionados. “O que sabemos é que o IGESPAR tutela apenas os monumentos que são património mundial e que a Igreja de Santa Clara está sob a tutela da Direcção Regional de Cultura. Quanto aos outros não há qualquer tutela e assim é difícil decidir por que caminho vamos”, declarou Moita Flores na assembleia municipal.O padre Ganhão, que também esteve nessa reunião com elementos do Ministério da Cultura, confirma o vazio em termos de tutela. “Há uma confusão tal que ninguém sabe quem é quem e a quem compete intervir”. E problemas não faltam para resolver. O caso mais premente é o da Igreja de Santa Iria, na Ribeira de Santarém, que se encontra fechada ao culto desde o Inverno de 1998 devido às fendas que se rasgaram numa das paredes. Há ainda fissuras bem visíveis na cúpula e um dos altares teve de ser escorado pois ameaça tombar.Para além desses dois casos, as igrejas de Santa Clara e do Milagre têm problemas de infiltrações e o convento de São Francisco ficou com a recuperação a meio há vários anos e encontra-se fechado. A Igreja da Alcáçova está fechada para restauro há anos e encontra-se “cheia de ratos”, segundo diz o padre Ganhão.O MIRANTE contactou o Ministério da Cultura para tentar obter alguns esclarecimentos, mas até ao fecho desta edição tal não foi possível.

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