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Tiroteio e cerco policial rompeu pacatez de uma tarde de domingo em Abrançalha

Tiroteio e cerco policial rompeu pacatez de uma tarde de domingo em Abrançalha

Moradores da pequena aldeia nos arredores de Abrantes não ganharam para o susto

Familiares dos elementos detidos estão revoltados com a actuação da polícia.

Edição de 30.07.2008 | Sociedade
Foi uma tarde de domingo muito agitada na pequena aldeia de Abrançalha, nos arredores de Abrantes. Alguns moradores, que acederam falar sob a condição de não serem identificados, referem ter vivido momentos de grande aflição quando se desencadeou um tiroteio na sequência de uma operação policial para deter os suspeitos de agressão e roubo de uma arma a dois agentes da PSP do Entroncamento no dia anterior. “Isto era um lugar pacato até há cerca de cinco anos, quando eles vieram para aí morar”, conta um morador, acrescentando que os elementos do grupo – três irmãos e dois sobrinhos com idades entre os 23 e os 33 anos - vieram “dos lados de Limeiras”, Vila Nova da Barquinha. Há cerca de seis meses o café foi assaltado mas nunca se soube quem teria sido. Para os moradores, agora é fácil associar quem terão sido os autores do roubo. “A sua presença causava medo e mau ambiente. E se por acaso havia álcool à mistura provocavam problemas com toda a gente”, apontou outra moradora. Outro habitante, porém, nunca imaginou que os homens, conhecidos na aldeia por “Taliban”, pudessem pertencer a um gang considerado perigoso e que até já estava referenciado pelas autoridades. “Eles vinham aqui ao café, comiam e bebiam connosco. Só achava estranho como é que, se não trabalhavam, tinham sempre dinheiro na carteira”, referiu.Segundo O MIRANTE apurou, alguns elementos do grupo suspeito de assaltos a casais de namorados na zona do Médio Tejo, que se pensava ser constituído por seis pessoas mas que mais tarde se confirmou ser constituído apenas por cinco, estavam a beber no café “Tatá”, em Abrançalha, quando passou um Fiat Tempra cinzento, conduzido por um dos elementos, em alta velocidade. A viatura tinha sido utilizada no crime da madrugada de sábado e foi reconhecida por um carro patrulha em Abrantes. O alerta foi dado de imediato e a polícia encetou a perseguição aos suspeitos. Após se aperceberem que o comparsa estava a ser alvo de perseguição policial, os homens saem, e um deles, de nome Bruno, recolhe-se em casa de familiares para tentar evitar a detenção. Os outros dois elementos fogem para a localidade de Vale de Rãs, Abrantes, onde viriam a ser capturados. Dez minutos depois ouviram-se vários tiros na aldeia. Na habitação onde o jovem se barricou, encontravam-se duas mulheres e quatro crianças. Temendo pela segurança destas, a PSP foi obrigada a aguardar cerca de três horas, o tempo necessário para que Bruno se rendesse. Um dos elementos do Grupo de Operações Especiais, de 33 anos, foi atingido pelas 16h00 durante o tiroteio, em circunstâncias ainda por apurar, não correndo já risco de vida.Crianças ficaram traumatizadas com tiroteioNa segunda-feira, dezenas de pessoas aguardavam junto ao Tribunal de Abrantes pela chegada dos detidos que iam ser presentes ao juiz para determinação de medida de coacção criminal. No exterior do edifício, familiares dos jovens, onde se incluíam muitas mulheres e crianças, protestavam contra a actuação da polícia uma vez que o tiroteio se desencadeou numa habitação onde se encontravam quatro menores. “As crianças ficaram traumatizadas com a situação e não comem nem dormem desde ontem. Isto não se faz”, reclamava Maria Manuela Aleixo, avó de Bruno e Vasco e mãe de António, Paulo e Manuel, os cinco arguidos. “Além disso deixaram-me a casa toda revirada e com tudo partido”, protestava a idosa, acompanhada pela nora, mulher de um dos detidos. Apesar de estar prevista a sua presença em tribunal na tarde de segunda-feira, os cinco detidos foram apenas ouvidos na manhã de terça-feira. O adiamento na apresentação dos cinco indivíduos ao juiz deu-se, segundo o comandante da PSP de Abrantes, Celso Marques, devido à necessidade de se proceder a mais diligências.   
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