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Avó invisual desesperada por não contactar com a neta há mais de 10 meses

Avó invisual desesperada por não contactar com a neta há mais de 10 meses

Dália Isidoro já escreveu ao Presidente da República a pedir ajuda

Há mais de dez meses que uma criança de oito anos que está à guarda de uma instituição de Alverca não tem contacto com a avó que a criou depois da mãe a ter abandonado. Dália Isidoro está desesperada e já escreveu ao presidente da República a pedir ajuda.

Edição de 31.07.2008 | Sociedade
A avó de uma criança de oito anos - que criou desde a nascença depois de a mãe a ter abandonado - está impedida de ver a neta há mais de dez meses. A menor vive no Centro de Emergência Social da Cebi, a instituição de Alverca que tem a guarda da criança.A menina frequenta a instituição de Alverca desde os três anos. Em 2005 a avó decidiu pedir que a criança fosse internada no Cebi durante a semana e retornasse aos fins de semana com a família. “A minha intenção era que ela estudasse. Nunca tive problemas com ninguém e nunca fui acusada de negligência e maus tratos. Nunca faltou nada à menina que me reconhece como mãe e que fomos buscar à maternidade”, explica a avó, Dália Isidoro, invisual, numa carta que enviou ao Presidente da República e ao Primeiro Ministro.Em 2005 a avó sofreu um acidente e teve que fazer fisioterapia em Alverca. “A menina ia todos os dias comigo para baixo na ambulância”, conta a avó que não percebe porque não é permitido tão pouco que fale com a neta ao telefone. “Sou má influência porquê. Porque canto o fado em Lisboa?”, interroga-se.A família vive de uma exploração de ferro velho. É lá que trabalham os tios e o pai que vive na primeira casa que a família ergueu em Mato da Cruz, freguesia de Calhandriz, Vila Franca de Xira, depois de chegar à localidade há 30 anos e ir trabalhar para a lixeira. O tribunal de Menores de Vila Franca de Xira entendeu que a menina deverá continuar na Cebi, mas em breve será conhecido o resultado do recurso que deu entrada no Tribunal da Relação de Lisboa. O pai é o único que pode ver a menor uma vez por semana durante uma hora. Ao que o nosso jornal apurou existem outras crianças da família que já estiveram à guarda da mesma instituição, mas acabaram por retornar a casa.A directora do Centro de Emergência Social do Cebi, Olga Fonseca, confirma a situação, mas lembra que foi o tribunal a decidir que a menor deveria continuar na instituição. “Não foi uma questão da menina ficar cá uma noite. A situação arrasta-se há dois anos”, diz a responsável que considera que o contacto com a avó poderá não ser benéfico para a menor. Olga Fonseca admite que é importante conservar as ligações afectivas, mas desde que “estruturantes”, ressalvou. “O que está em causa é o superior interesse da menor e não da avó”, conclui.Mãe abandonou menina à nascençaA menina que está à guarda da Cebi e que foi criada pela avó com a ajuda do pai, filho de Dália Isidoro, foi abandonada pela mãe. Tinha uma irmã gémea que também nasceu prematuramente e acabou por não resistir. A mãe chegou a levá-la para Lisboa para um cubículo sem condições quando era ainda recém-nascida. “Quando lá cheguei os vizinhos disseram-me: se é o pai da bebé leve-a daqui”, conta o pai, que trabalha no ferro velho da família e que não entende porque a filha está proibida de vir a casa.“Criei sete filhos numa lixeira”Tem 60 anos e é quase totalmente invisual. Chegou a Mato da Cruz, Calhandriz, há trinta anos, para respigar materiais na lixeira da terra. “Tive sete filhos, foram criados numa lixeira e nunca ninguém me os tirou”, diz amargurada a mulher que criou a neta desde a nascença depois da mãe a ter abandonado. A família tinha poucas condições e os filhos dormiam a sesta num velho galinheiro nas imediações da lixeira. A casa era uma barraca improvisada. Depois a vida melhorou e ergueu-se a primeira casa de alvenaria. Dália Isidoro construiu as habitações para os filhos.
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