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Jovem de Vila Franca colaborou com investigador em projecto na Rússia

Jovem de Vila Franca colaborou com investigador em projecto na Rússia

Única participante portuguesa tem 19 anos e sonha em estudar astronomia

Foi à Rússia ver as estrelas. Tem 19 anos, mora em Vila Franca de Xira e sonha estudar astronomia. Se for necessário está disposta a emigrar para cumprir o seu sonho.

Edição de 31.07.2008 | Sociedade
Salomé Matos tem 19 anos, ar de menina tímida, mas a jovem de Vila Franca de Xira, estudante do segundo ano do curso de Física da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, foi a única portuguesa recrutada para trabalhar como assistente voluntária no International Research School for Young (IRSY), um projecto pioneiro que decorreu entre os dias 10 e 19 de Junho, em Moscovo (Rússia). O IRSY foi uma ideia de alguns investigadores e professores russos que surgiu após visitarem alguns eventos científicos internacionais. Acharam que seria interessante proporcionar a jovens de todo o mundo, com idades compreendidas entre os 14 e os 17 anos, a possibilidade de serem investigadores durante uma semana.A jovem soube deste projecto por acaso. Apaixonada por tudo o que esteja relacionado com ciência, Salomé recebe, mensalmente, a newsletter da Milset (organização de movimento internacional para o lazer cientifico e tecnológico). Assim que percebeu que poderia ser uma oportunidade de ouro para contactar com cientistas e investigadores internacionais não pensou duas vezes. Inscreveu-se através da internet.“Gosto de participar em experiências novas em que sei que vou aprender algo. Ter sido colaboradora de um investigador de astronomia russo, Dennis Denisenco, e poder ensinar os mais jovens foi uma experiência que vou guardar para o resto da vida. Mas espero que seja a primeira de muitas”, afirma, com uma pontinha de orgulho no olhar.Durante nove dias esteve em contacto com uma realidade totalmente diferente daquela que encontra em Portugal. Os pais apoiaram financeiramente a aventura. O seu projecto consistia em investigar imagens fotográficas recolhidas do observatório turco-russo que existe na Turquia de uma zona específica do céu. O objectivo era determinar porque é que determinada estrela apresentava um brilho oscilante. “Foi recompensador verificar como os jovens estudaram a matéria durante nove dias e no final chegaram todos a uma conclusão. Neste caso a solução era a existência de um sistema binário de estrelas, ou seja, duas estrelas rodarem à volta uma da outra”, explica.No pouco tempo que tinha livre aproveitava para cimentar os laços de amizades que criou com os outros jovens. Amizade essa que agora continua através de contactos regulares na internet. Além disso, Salomé aproveitou para conhecer Moscovo. Cidade que adorou. “Parece uma cidade-museu. Cada esquina tem uma história. Adorei ver avenidas enormes decoradas com bustos enormes de pessoas famosas. O Kremlin e a praça vermelha são locais imponentes. O vermelho tem um enorme significado para os russos”, conta.Salomé Matos ainda não tem certezas absolutas em relação ao seu futuro profissional mas garante que o mais provável é que seja no estrangeiro. Esta ideia tornou-se ainda mais forte quando, recentemente, um professor lhe disse que, em Portugal, não abriam uma vaga para o curso de astronomia há 20 anos. “Não fiquei em pânico porque sempre tencionei sair do país para estudar e trabalhar. Mas é lamentável que isso aconteça uma vez que significa que muitos jovens não têm oportunidade de seguir os seus sonhos. Por isso, é que a maioria dos jovens foge para o estrangeiro. Cá não lhes dão condições de trabalho”, lamenta.
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