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Juiz determina que crianças continuem separadas dos pais

Casal de Foros de Salvaterra não esconde revolta pela decisão do Tribunal de Menores

Crianças foram retiradas aos pais devido às más condições da casa onde viviam. Casal está a ampliar e melhorar a residência com ajuda da população.

Edição de 31.07.2008 | Sociedade
O Tribunal de Menores de Vila Franca de Xira determinou que os três filhos menores de Marília Batista e Joaquim Manuel continuem à guarda do Centro de Acolhimento Temporário da Praia do Ribatejo (Vila Nova da Barquinha) por tempo indeterminado. As crianças foram retiradas aos pais devido às condições de habitabilidade da casa onde viviam. Entretanto, o casal de Foros de Salvaterra recebeu a ajuda solidária da população e está a ampliar e melhorar a sua habitação.A decisão do juiz foi conhecida ao final da manhã de segunda-feira, 28 de Julho, e deixou os pais das crianças desolados. Marília Batista queixa-se de não ter tido oportunidade de se defender. “É muito revoltante e angustiante. Senti-me uma criminosa. Não nos deixaram falar e o juiz nem sequer quis ouvir as testemunhas. As pessoas foram notificadas pelo tribunal para estarem presentes na audiência e no final não são ouvidas e nem lhes dão nenhuma justificação”, afirma indignada.Segundo Marília Batista, a Comissão de Protecção de Crianças e Jovens (CPCJ) de Salvaterra de Magos acusa o casal de Foros de Salvaterra de não ter condições de higiene e habitabilidade na casa onde viviam com as crianças. A CPCJ afirmou ainda, durante a audiência, que as crianças andavam sujas, não tomavam banho e tinham piolhos. Acusações que Marília e Joaquim refutam.“Os meus filhos tomavam banho todos os dias. Gostava de perceber em que provas é que a comissão se baseou para fazer essas acusações. Somos pobres mas isso não significa que não sejamos asseados. Há tantas famílias em situação bem pior do que a minha, onde existem maus-tratos, mas a essas casas a CPCJ não vai”, afirma.O casal assinou um acordo com a Segurança Social onde aceita ser acompanhado por tempo indeterminado. A técnica responsável pelo caso vai verificar, com regularidade, como Marília e Joaquim vivem. É ela quem vai determinar quando o casal pode voltar a ter os três filhos a viverem novamente na sua casa.Recorde-se que a CPCJ decidiu retirar as crianças aos pais na madrugada de 20 de Junho, por volta das duas da manhã e debaixo de grande aparato policial. Desde esse dia que Tatiana (11 anos), Filipe (7 anos) e Soraia (3 anos) estão a viver no Centro de Acolhimento Temporário da Praia do Ribatejo. O contacto entre pais e filhos é feito através do telefone e das visitas semanais.Foi Marília Batista quem deu a notícia da decisão do juiz aos filhos. Mas só o conseguiu fazer ao final do dia de terça-feira. Tatiana tinha um telemóvel com o qual comunicava com a mãe diariamente. No final da passada semana, o Centro de Acolhimento retirou o telemóvel à menina e agora só conseguem falar ao final do dia. O casal contou a O MIRANTE que as crianças reagiram mal. Não entendem a decisão do juiz. “Só consegui falar com a Tatiana, que só me perguntava porque é que o juiz não acreditava em nós. Começou a chorar, a dizer que queria voltar para casa o mais rápido possível”, refere a mãe.

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