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António Leitão

António Leitão

48 anos, director-geral

Nasceu em Vila Viçosa a 7 de Dezembro de 1959 mas com apenas oito meses veio para Santarém. Por isso considera-se mais ribatejano que alentejano. Começou por colaborar com uma pequena empresa da Roques, S.A. e actualmente é director-geral da Rocargo, uma das associadas da conhecida concessionária Renault que também comercializa equipamentos para veículos e transportes e tecnologias de acessibilidade e mobilidade.

Edição de 31.07.2008 | Três Dimensões
Iniciei a minha vida profissional em Marinhais numa empresa de indústria metarlúgica. Resido em Santarém mas em toda a minha vida só trabalhei aqui durante seis meses. Foi quando fui contratado para fazer a criação do Cenfim, o Centro de Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica. Ao fim desse tempo, o centro de empresas tinha a sua estrutura montada e acabei por voltar a trabalhar na indústria.A minha entrada no grupo Roques acontece porque a Metarlúgica do Ribatejo, que estava ligada ao grupo fechou em 1993. Devido a alguns projectos já tinha ligações estabelecidas com o senhor José Manuel Roque que, nesse mesmo ano, me convidou para trabalhar numa empresa metarlúgica de fabrico de sistemas que tinha em Alenquer. Em 1998, vim para Santarém e, desde 2000, que estou na Rocargo, em Vila Franca de Xira, uma empresa especialista em tecnologias de acessibilidade e mobilidade.Santarém é um desatre em termos de acessibilidades para deficientes. É muito raro ver alguém numa cadeira de rodas na rua. Nós vendemos equipamentos para as pessoas acederem aos edifícios, mas a nível das próprias infra-estruturas há muito a fazer. Por vezes os passeios ou os edifícios não estão preparados para receber estes equipamentos. Há muito dinheiro mal gasto. Só a partir de 2006, com a substituição do decreto-lei que estabelece a abolição das barreiras arquitectónicas, se começaram a notar melhorias a este nível. A Roques é a empresa-mãe de outras empresas associadas. Foi criada em 1971 e já vai na terceira geração da família Roque. Começaram por estar ligados à Camionagem Ribatejana que mais tarde foi vendida a João Belo. Somos concessionários Renault desde 1971 e o nosso stand ainda funciona junto à central de camionagem. Sempre tentamos procurar nichos de mercado. Que de alguma forma tragam uma mais valia e fujam ao negócio dito corriqueiro. Abraçámos as novas tecnologias e, mais recentemente, estamos centrados na comercialização de veículos eléctricos amigos ao ambiente. Não há uma política de estado que fomente a aquisição de veículos amigos do ambiente. Há países da Europa que já utilizam exclusivamente veículos dete tipo. Precisamente para preservar o ar puro. Mas no nosso país o governo não incentiva à comercialização deste tipo de veículos. A única vantagem económica que tem para o comprador é o combustível. Várias vezes temos sido inquiridos por pessoas de outros países sobre a ajuda do governo nesta matéria. Respondemos que é zero. São equipamentos caros e onerosos. Não havendo comparticipação do Estado torna-se difícil a sua comercialização.O contacto da nossa empresa com o exterior é bastante regular. Vamos a feiras e visitamos empresas estrangeiras. A nossa ideia passa sempre por procurar algo de novo e que, obviamente, seja rentável para a empresa. Estamos a apostar em duas áreas específicas, onde ainda há muito a fazer: na comercialização de equipamentos que permitam a mobilidade a pessoas com deficiência e nos veículos eléctricos. A empresa Roques gosta de ser uma empresa inovadora e que apresenta soluções de futuro no mercado.Trabalho de segunda a sexta e ao fim-de-semana quando tem que ser. Divido a minha actividade entre a Rocargo, o departamento ambiental e a oficina da Roques. Faço a direcção da maioria destes serviços. É muito difícil desligar pois temos uma grande diversidade de actividades com equipamentos distintos. Temos que ser cumpridores. Foi sempre a nossa meta. Damos uma garantia de qualidade e prestamos um trabalho sério. Quer as coisas corram bem, quer corram mal damos sempre a cara e tentamos resolver os problemas.Somos contra a concorrência desleal. Há empresas que vendem equipamentos para deficientes e aplicam o IVA à taxa de cinco por cento. Quando a lei é clara e diz que a taxa é de vinte por cento. Perdemos muitos negócios com isto. Já fizemos a denúncia desta situação e pedimos um parecer à Direcção-Geral de Impostos. Preferimos cumprir a lei. Mesmo sendo penalizados com esse facto mantemos a nossa posição e lutamos para que as coisas sejam regulamentadas.
António Leitão

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