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Uma advogada emotiva que sonha com uma justiça mais célere

Uma advogada emotiva que sonha com uma justiça mais célere

Ilda Ribeiro de Carvalho homenageada pelo Rotary Club de Vila Franca de Xira

É mãe, esposa e advogada, “uma mulher que vive a três dimensões”, como gosta de se definir. Pelos seus 42 anos ligados à advocacia, exercidos sempre em Vila Franca de Xira, Ilda Ribeiro de Carvalho foi homenageada, a semana passada, pelo Rotary Club.

Edição de 27.11.2008 | Sociedade
Em pequena pensou ser bailarina. Mais tarde, quando a série sobre o advogado criminalista Perry Mason começou a passar na televisão, Ilda Ribeiro de Carvalho, não teve mais dúvidas: ia ser advogada. Quase meio século volvido depois da decisão, Ilda Ribeiro de Carvalho foi homenageada pelo Rotary Club, pelos seus 42 anos dedicados ao exercício da advocacia. Foi a 18 de Novembro, no Hotel Lezíria Parque, em Vila Franca de Xira. “Esta homenagem é uma coisa chata. Dá pudor de contar o que quer que seja. Eu não mereço isto! Mas reconheço que é um estímulo fazer este tipo de homenagens à profissão, num momento em que os advogados estão desacreditados. Até me belisquei para ver se não estava a sonhar”, desabafa. Ilda Ribeiro de Carvalho diz que a advocacia é uma paixão e que ser advogada é a mais bela profissão do mundo. Explica que o que mais gosta de fazer é estar na barra, em frente ao juiz. Gosta de tratar casos de direito de família e sucessões. Explica que os grande pilares da profissão são a paixão, a eloquência e o trabalho de fundo. “Um advogado não fala só com a boca. Fala com os olhos e o corpo todo. Para além de todo o trabalho de pesquisa que tem de fazer, faz também um trabalho de psicólogo. Um advogado entende a voz das pessoas”, conta. Diz que é muito emotiva e que já aconteceu chorar no tribunal. Já defendeu criminosos e quando isso acontece pensa sempre que lhes está a dar uma segunda oportunidade. “Quantas e quantas vezes não entramos no tribunal e sabemos que o cliente é culpado. Na maioria das vezes não são criminosos de carreira, não está na índole deles. Estamos ali para lhes dar uma segunda hipótese”. Em 42 anos de profissão, não sabe quantos clientes lhe passaram pelas mãos, nem se ganhou mais casos do que aqueles que perdeu. Mas sabe que fez muitos divórcios e que pelo meio tentou aproximar alguns casais. Mais, aprendeu a conhecer os ribatejanos. “As pessoas aqui são muito elas. Não são tão citadinas nem sofisticadas como em Lisboa, mas são muito genuínas, são muito coração aberto, muito sinceras”. Por causa do “segredo profissional” Ilda Ribeiro de Carvalho prefere não esmiuçar os pormenores dos dois casos que mais lhe marcaram: uma acção de despejo e uma adopção. “ Nestes dois casos tirei conclusões de vida, foi uma grande aprendizagem”.Para a advogada, a justiça em Portugal está com muitos problemas. Isto porque o país não tem capacidade de adaptação aos tempos modernos. “Nós continuamos com um sistema antigo, que não dá o devido despacho às coisas. Não consegue dar respostas imediatas”, avança a Ilda Ribeiro de Carvalho, que acredita que o novo Campus de Justiça em Vila Franca de Xira poderá vir a ser o “princípio da modernização necessária à justiça”. Quanto à nova lei do divórcio, diz que ainda não a estudou muito bem, mas pelo pouco que sabe, não lhe agrada. A família é, para a advogada, um pilar fundamental da sociedade. E Ilda Ribeiro de Carvalho deu prioridade ao papel de esposa e mãe. Tem três filhas e sete netos. “Fiz sempre a minha vida em três dimensões. Fui mãe, esposa e advogada. Mas dei sempre prioridade ao papel de mulher e mãe. Como o meu marido também trabalhava tive a sorte de poder seleccionar o que queria fazer. Nestes anos todos não fiz tantas horas como os meus colegas”, conta.O professor que dizia que Direito era para homensIlda Ribeiro de Carvalho tem um percurso longo e preenchido. Aos 67 anos continua a exercer no seu escritório em Vila Franca de Xira e tenciona continuar “até poder”. Foi em 1959 que se inscreveu no curso de Direito, na Universidade de Coimbra. Em 1963 casa-se com um engenheiro da Salvoy Portugal e vai morar para Alverca. Mais tarde muda-se para a Póvoa de Santa Iria. O último ano do curso passa-o a viajar entre o Ribatejo e Coimbra. Forma-se em 1964. No seu ano entraram cerca de 400 rapazes e 5 raparigas, mas Ilda Ribeiro de Carvalho nunca se sentiu discriminada. “Muito pelo contrário, os colegas tratavam-me sempre bem. Mas tinha um professor, o Dr. Pires de Lima, que chegou a ser ministro e que era especialista em Direito Civil que dizia que aquele era um curso essencialmente de homens, mas onde se admitiam mulheres”, recorda a advogada. Inicia o seu estágio no Banco Nacional Ultramarino, em Lisboa, e termina-o no escritório do advogado José Vidal Baptista, em Vila Franca de Xira. Foi com ele que aprendeu a gostar e a conhecer Vila Franca de Xira. Em 1987 foi vogal da delegação de Vila Franca de Xira na Ordem dos Advogados e entre 2000-2004, presidente da mesma delegação dessa Ordem.
Uma advogada emotiva que sonha com uma justiça mais célere

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