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Cidadãos de Alverca e Sobralinho querem regressar à praia das Maçãs

Cidadãos de Alverca e Sobralinho querem regressar à praia das Maçãs

Requalificação desejada por cidadãos e antigos autarcas das duas freguesias

Plano Director Municipal não define solução concreta para praia das Maçãs. Despoluição do Tejo pode acelerar processo.

Edição de 22.01.2009 | Sociedade
A antiga praia fluvial das Maçãs, entre Alverca e o Sobralinho, deve ser transformada em zona de lazer, defendem grupos organizados de cidadãos, populares e antigos autarcas das duas freguesias. O local, que a proposta de revisão do Plano Director Municipal de Vila Franca de Xira (PDM) não contempla com uma determinação de uso, é desejado pelas populações, que recordam os tempos passados junto ao rio ou ouvem as memórias de quem lá passou tempos de lazer. O movimento de cidadãos “O Nosso Sobralinho”, defendeu durante a discussão pública da revisão do PDM a “criação duma zona turística e de lazer, com equipamentos desportivos, na zona ribeirinha, que explore todos os recursos naturais existentes, nomeadamente a Praia Fluvial das Maçãs e que implemente todos os recursos ao entrosamento das pessoas com o rio”. A proposta, apresentada por António Corte Real, foi entregue à câmara municipal como participação no processo de revisão. O presidente da associação Xiradania, Neves de Carvalho, vai mais longe e defende que a zona ribeirinha pode “voltar a ser utilizada como praia fluvial no futuro”. O estado de poluição no rio Tejo “não vai ser eterno e quando os efluentes forem tratados e houver uma verdadeira gestão do território, a praia pode tornar-se num espaço de banho e lazer”, defende o dirigente. O advogado, residente em Alverca, considera que o investimento em estações de tratamento de esgotos e águas residuais na orla do estuário do Tejo anunciado pelo Governo em Dezembro do ano passado “um dia acabará por ter de ser realizado”. António Silva Lopes, residente no Sobralinho desde jovem, recorda que ainda hoje há quem pesque corvina nas águas do Tejo. O morador vê com bons olhos a requalificação da zona fluvial, mas lembra que todo o areal sofreu um “grande desgaste com as marés.A antiga presidente da junta de freguesia do Sobralinho, Quitéria Meireles, acredita na requalificação da praia das Maçãs, “mas só com uma grande intervenção nas águas do Tejo”. A ex-autarca recorda a existência de um estudo prévio ao Plano Director Municipal de 1993, vertido para o plano, em que se previa uma solução para aquela área com zonas de lazer, e uma ligação entre a zona montanhosa do Sobralinho e o rio Tejo, com o aproveitamento balnear da zona fluvial. Rui Brioso, antigo vereador responsável à época pelo pelouro do urbanismo, confirma existência da solução, mas reconhece que esta ficou por aplicar. Na proposta de revisão do PDM discutida no ano passado, a câmara municipal e a empresa de consultoria plural deixaram de lado os projectos antigos. A autarquia prevê para a área junto à antiga fábrica Previdente “um espaço de usos múltiplos com um desenho coerente e que proporcione ambientes mais aprazíveis com espaços verdes e equipamentos de utilização colectiva”, além de “uma ligação qualificada à zona ribeirinha”, mas não especifica quais as intervenções a realizar. O MIRANTE tentou ouvir o presidente da Junta de Freguesia de Alverca, Afonso Costa, para perceber qual a aposição da autarquia, mas tal não foi possível até ao final da edição. José Manuel Peixeiro, presidente da Junta de Freguesia do Sobralinho, recusou pronunciar-se sobre o assunto.Recordações da praia dos “tesos”As areias da praia das Maçãs não escondem os tons de negro que as tingem. À beira do Tejo, um dos locais de veraneio das populações do Sobralinho, António Silva Lopes, residente no Sobralinho, lembra como nas décadas de 50 e 60 chegou a ir com a esposa e a filha à praia. “Éramos quase todos pessoas conhecidas no local e passávamos lá o dia, em tempo de férias. As águas eram menos poluídas e conseguia-se tomar banho”, conta a O MIRANTE. O caminho para a praia fazia-se pelos terrenos próximos às antigas instalações da fábrica Previdente. No local, o areal sofreu a erosão das águas e apresenta hoje uma inclinação “muito maior que em tempos, porque a água roubou areia à praia”. António Silva Lopes lembra que “chegou a armar barraca no areal e havia até quem vendesse tremoços no local”.Quitéria Meireles, antiga presidente da Junta de Freguesia do Sobralinho, também chegou a frequentar a praia das Maçãs. As idas à praia eram feitas em grandes grupos de amigos e conhecidos. “As meninas raramente iam, por convenção social, mas cheguei passar por lá com o meu pai, e algumas vezes com um primo”, relata. “A maresia era muito semelhante à que sente no Tejo, em Vila Franca de Xira”. Pelo caminho, os habitantes aproveitavam para recolher alguma vegetação envolvente para os animais que criavam. A ida à praia, também conhecida como “praia dos Tesos” (pobres) era frequentada por operários e agricultores. “Nessa altura ninguém pensava em ir para o Algarve no Verão”, refere António Silva Lopes.
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