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Assembleia de credores decide futuro da Drink In

Trabalhadores da fábrica Cintra foram informados em plenário sobre os seus direitos
Edição de 25.02.2009 | Economia
A Assembleia de Credores marcada para 20 de Abril, onde a banca tem posição maioritária, deve traçar o futuro da empresa Drinkin, dona da fábrica de cerveja Cintra em Santarém. A sessão decorre do processo de insolvência entregue no Tribunal de Santarém no início de Fevereiro. Se os credores de 75 por cento da dívida decidirem pela falência da empresa não há nada a fazer, disse Fernando Guerra, do Sindicato da Alimentação, Bebidas e Tabaco, frisando que o plenário realizado na semana passada serviu para esclarecer os trabalhadores sobre “como devem reagir caso o pior aconteça”.No seu entender, só uma “intervenção política, no âmbito das facilidades que têm sido concedidas à banca” pode ajudar a viabilizar a empresa. “Esta empresa pode ter lugar se forem tomadas medidas para uma real viabilização”, afirmou. Os trabalhadores da Drinkin, em Santarém, ficaram “mais calmos e mais esclarecidos” depois do plenário com responsáveis do sindicato. Onde foram aconselhados a só avançarem com processos para exercerem direitos como credores se vier a ser declarada a falência da empresa.O administrador judicial nomeado pelo Tribunal de Santarém na sequência da entrega do pedido de insolvência havia dito aos trabalhadores que, depois da publicação em Diário da República, dispunham de 30 dias para avançarem com o processo para virem a ser ressarcidos de eventuais créditos. “Hoje ficámos a saber que só se for declarada a falência da empresa é que devemos avançar com os processos, até porque, até ao momento, não somos detentores de qualquer crédito”, afirmou um representante dos trabalhadores.A situação de incerteza em que a empresa criada pelo empresário Sousa Cintra, em 2002, vive há anos, deixa, contudo, os trabalhadores pessimistas quanto ao futuro. “Para mim, isto é o anunciar do fim”, disse um dos trabalhadores da empresa, para quem tudo o que tem acontecido à Cintra “leva a crer que não há hipótese de salvação”.Adquirida pelo empresário Jorge Armindo a Sousa Crintra em 2006, a Drinkin tem uma dívida de perto de 83 milhões de euros, quase 90 por cento dos quais a instituições financeiras, situação que se arrasta praticamente desde o início da empresa. Jorge Armindo, que tem dedicado parte da sua actividade à recuperação de empresas em dificuldades, conhecia a situação da Drinkin, mas os esforços para encontrar um parceiro no mercado para a viabilizar têm-se revelado infrutíferos.A cervejeira, que entrou em laboração em 2002, contou com uma série de apoios da Câmara Municipal de Santarém, como a compra do terreno ao preço simbólico de um escudo o metro quadrado, a possibilidade de utilizar a água sem pagar e toda a infra-estutura, num processo que motivou alguma polémica. Recebeu ainda incentivos do Estado e da União Europeia. Foi inaugurada com pompa e circunstância numa sessão que contou com a presença do então presidente da República, Jorge Sampaio.Os processos em tribunal têm vindo a multiplicar-se - segundo os trabalhadores são neste momento superiores a 200 -, o mais mediático dos quais referente ao diferendo que opõe a cervejeira à tecnológica Novabase, que reclama uma dívida superior a 700.000 euros mais juros.Jorge Armindo adianta que as dívidas a fornecedores rondam os 7,5 milhões de euros e que a empresa não tem dívidas nem para com os 115 trabalhadores nem ao Estado. A cervejeira tem vindo a produzir marcas brancas para grandes superfícies e tem cedido as suas linhas de enchimento à Unicer e à Central de Cervejas. A marca Cintra nunca se conseguiu impor no mercado.

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