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Pedidos de insolvência de empresas disparam desde início do ano

Pedidos de insolvência de empresas disparam desde início do ano

Nalguns casos são as firmas que pedem a insolvência por já não conseguirem pagar dívidas

Os casos mais complicados estão a decorrer no Tribunal de Santarém onde só duas empresas têm juntas um valor superior a 88 milhões de euros de dívidas.

Edição de 25.02.2009 | Economia
Desde Janeiro já entraram nos tribunais da região três dezenas de pedidos de insolvência de empresas. A maior parte é requerida por credores à espera de verem as suas dívidas pagas. Mas há casos de grandes empresas, como a Drink In, detentora das Cervejas Cintra, e a António Batalha Construções, ambas de Santarém, em que foram as próprias a colocar os destinos das suas firmas nas mãos dos administradores de insolvência nomeados pelo tribunal por já terem passivos de milhões de euros e não conseguirem pagar as suas dívidas. Na mesma situação encontra-se a fábrica de curtumes Constantino Mota, em Alcanena. A empresa em pior situação é a Drink In que tem às costas dívidas a terceiros de mais de 82 milhões de euros. A empresa há anos que tenta recuperar mas chegou a um ponto que só consegue ganhar fôlego se encontrar uma parceria com outra empresa do sector. A construtora António Batalha deve cerca de seis milhões de euros e a Constantino Mota cerca de 30 mil euros. O Ministério Público de Santarém requereu ainda a insolvência da Promoconta – Técnica e Planificação Contabilística, por um valor de 161.929 euros. Numa época de crise, as empresas tentam receber o dinheiro que têm na rua e, por exemplo, no Tribunal de Tomar a Europart entrou com um processo de insolvência contra a João Salvador Lda., por uma dívida de 15 mil euros. No Tribunal de Vila Franca de Xira, a Sten – Sistemas Técnicos de Cofragens pediu no dia 12 de Fevereiro a insolvência da Coframorgado estando em causa um valor de 109 mil euros, segundo as pautas públicas de distribuição do tribunal. Ourém é o concelho onde há mais insolvências a decorrer. Foram já proferidas sentenças de declaração de insolvência de devedores como a Decormóveis em Vilar dos Prazeres, Automecânica do Ribeirinho, Estucorem, Vieiras & David, Fátividro em Fátima, Movior - Indústria de Móveis, Móveis Cantes, Metalúrgica Activa de Caxarias e Jolinel Combustíveis. Desde o início do ano entraram também processos nos tribunais de Rio Maior (três empresas), em Tomar (3), Torres Novas (3), Abrantes (2), Almeirim (1), Coruche (1), entre outros. Há empresas que estão à beira de vir a engrossar estes números, como é o caso da Estalagem Vale Manso, em Martinchel (Abrantes), onde os 15 funcionários pediram a suspensão dos contratos de trabalho por não receberem os ordenados há três meses. A unidade hoteleira de cinco estrelas, situada junto à albufeira do Castelo do Bode, recebeu em Dezembro uma carta do advogado do administrador Eduardo Morais, da Marevedi - Participações e Administração, SA, a informar que “a empresa não tinha viabilidade e para não aceitarem mais reservas” e encerrou as portas no sábado.Nersant diz que é preciso envolver todos para evitar encerramentosPara o presidente da Associação Empresarial da Região de Santarém – Nersant, este problema que tem “crescido de forma assustadora no nosso distrito, nas últimas semanas, é a consequência do agudizar da recessão económica”. José Eduardo Carvalho realça que a situação tem vindo a degradar-se de semana para semana. E sublinha que desde 2001 que as empresas têm vivido uma acentuada degradação das suas margens operacionais. “No último semestre de 2009, a redução do crédito foi vertiginosa. Por exemplo, em Dezembro de 2008, houve bancos que estiveram preocupados com os seus balanços e não fizeram operações de crédito no distrito”, refere. A contracção do mercado, as quebras nas encomendas e nas vendas e os problemas de liquidez e de crédito são uma “combinação explosiva”, diz José Eduardo Carvalho, ressalvando que é preciso o contributo de todos para evitar o agudizar da situação. “Podemos subscrever com as estruturas sindicais um pacto de não agudização dos conflitos laborais para os próximos 6 meses. As câmaras municipais podem privilegiar a adjudicação por ajuste directo a empresas locais. O Governo Civil de Santarém pode constituir uma estrutura de acompanhamento e propor ao Governo medidas preventivas em empresas de grande relevância económica e social regional. As Finanças têm de aliviar, durante este semestre, a agressividade da actividade inspectiva e reflectir sobre as consequências das penhoras de créditos na actividade de empresas com viabilidade”. Em relação ao sector bancário, o presidente da Nersant considera que as direcções regionais dos bancos têm que perceber que “há uma revolta dos empresários contra as suas práticas mais abusivas”. Para a associação, o objectivo prioritário é conseguir que o Governo compreenda a necessidade de criar um fundo, suportado na garantia mútua, que permita às empresas consolidar o seu passivo bancário. “Temos de congregar todo o esforço da associação no apoio aos processos de reestruturação de empresas”, para salvar o maior número possível, conclui.
Pedidos de insolvência de empresas disparam desde início do ano

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