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Junta de Freguesia de Pernes contra instalação do posto médico na antiga pré-escola

Autarcas consideram que decisão prejudica utentes idosos e com dificuldade de locomoção

Administração Regional de Saúde diz que esta solução provisória é menos onerosa e de implementação mais célere.

Edição de 26.02.2009 | Sociedade
A Junta de Freguesia de Pernes está indignada com a decisão da Administração Regional de Saúde (ARS) de Lisboa e Vale do Tejo de transferir a Unidade de Saúde Familiar (USF) de Pernes das actuais instalações, alugadas à Misericórdia local, para a antiga pré-escola, na zona alta da vila. A autarquia questiona a alteração “inqualificável” dos compromissos assumidos pela ARS com a população de Pernes e utentes da unidade e está contra essa solução.Em comunicado, a junta de freguesia liderada por José Viegas (CDU) alega que em reunião realizada a 25 de Julho de 2008 “ficou deliberado que as instalações provisórias teriam que ficar no centro da vila”, num espaço da junta ou em estrutura pré-fabricada até que o novo posto médico esteja concluído. Essa possibilidade foi confirmada em Novembro de 2008 pela ARS, que entretanto optou pelas instalações remodeladas da antiga pré-escola, igualmente propriedade da Santa Casa da Misericórdia de Pernes.A ARS justifica dizendo que essa solução – que deverá vigorar por cerca de três anos - é menos onerosa em cerca de 300 mil euros e que “as instalações estão disponíveis mais rapidamente do que aquelas que seriam disponibilizadas em contentores pré-fabricados”. Um volte-face que deixou os autarcas de Pernes perplexos. Alegam que a instalação, mesmo que a título provisório, da Unidade de Saúde Familiar na zona alta da vila vai prejudicar a maior parte dos utentes, idosos e com dificuldades de locomoção. A ARS diz, por seu lado, que a antiga pré-escola dista poucas centenas de metros do local onde se previa a instalação dos contentores. E alega que a maioria dos utentes desloca-se por meios próprios e é oriunda de fora do centro de Pernes. “Depois, os utentes da USF em questão tanto residem na parte alta da localidade, na parte baixa da mesma ou inclusivamente fora dela”, acrescenta a ARS.O ex-presidente da Junta de Pernes e actual eleito da Assembleia Municipal de Santarém, Vicente Batalha (CDU), também já fez chegar à ARS o seu protesto pela forma como o processo foi conduzido. “Para além da minha indignação e protesto, acuso a ARS de se ter portado muito mal neste processo e de passar por cima dos interesses da população idosa e carenciada, discriminando-a e lesando-a fortemente, numa atitude que em nada dignifica e prestigia a administração pública, que antes a devia proteger e defender”.A Unidade de Saúde Familiar de Pernes vai passar a funcionar provisoriamente, a partir de Março, nas instalações da antiga pré-escola até que o novo centro de saúde da localidade esteja construído. As obras devem começar este ano. A ARS diz que as instalações provisórias agora anunciadas “dispõem de todas as condições para o funcionamento no local da Unidade de Saúde Familiar e para o atendimento e prestação de cuidados de saúde aos utentes”.A extensão de saúde funciona há anos em condições precárias no rés-do-chão de um imóvel da Santa Casa da Misericórdia, que reclama o seu retorno para poder alargar o lar de grandes dependentes que já funciona nesse edifício. O contrato de arrendamento expira no dia 28 de Fevereiro.Novo posto de saúde deve avançar em 2009O processo de construção do novo centro de saúde envolve a Junta de Freguesia de Pernes e a Câmara Municipal de Santarém e deve avançar em 2009, no âmbito das compensações dadas pelo Governo ao município escalabitano pela deslocalização do novo aeroporto de Lisboa de Ota para Alcochete. Os projectos devem ser apreciados em breve em reunião de câmara para depois a obra ser colocada a concurso. Quando a Unidade de Saúde Familiar transitar para as instalações definitivas, a ARS e a Misericórdia de Pernes irão estudar a conversão da antiga pré-escola numa unidade de cuidados continuados, lê-se no comunicado de imprensa emitido pela Administração Regional de Saúde.

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