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Recordações dos bailes de outros tempos

Recordações dos bailes de outros tempos

Momento era vivido com euforia por marcar fim de um ciclo
Edição de 26.02.2009 | Sociedade
“Com muito entusiasmo e euforia próprios da idade”. É assim que José Saldanha Rocha, 48 anos, presidente da Câmara Municipal de Mação, recorda o seu baile de finalistas, no Liceu de Abrantes (antigo Colégio La Salle) em 1979, como “uma mudança radical de vida”. O autarca recorda que “pelas circunstâncias adversas da vida à data”, esse ano marcou o início da sua vida profissional, aos 19 anos, tendo que sair da sua terra para ir trabalhar para Lisboa. Saldanha Rocha recorda que os jovens de fora, que durante a semana estudavam em regime residencial no Centro de Alojamento de Abrantes, viam no baile de finalistas uma oportunidade para “poder ouvir um grupo musical fantástico de nome Tantra e beber umas cervejinhas”. Já Carlos Silva, chefe da repartição de finanças de Tomar, associa o momento em que viveu o seu baile de finalistas a um período de mudança “que se quer feliz, deixando os amigos que nos acompanharam ao longo de alguns anos”. O actual vereador socialista na Câmara de Tomar conta que o seu baile decorreu nos finais dos anos 60, na antiga Escola Industrial e Comercial de Tomar, hoje Escola Secundária Jacome Ratton. “Vivi esse dia com entusiasmo, como todos os meus colegas finalistas, porque era um dia muito especial numa juventude que se deve viver ao longo da vida”, disse. O autarca considera que as diferenças entre os bailes de finalistas de outrora e os de hoje são poucas. Mesmo assim, os bailes de antigamente tinham início com as músicas desse tempo, como a valsa. Os pares ensaiavam alguns passos para a ocasião. “Elas tropeçavam nos sapatos altos que nunca usaram, eles ajeitavam a gravata nada confortável”, recorda, acrescentando “o exagero das maquilhagens” que se fazia na altura e os pares de namorados recatados, a espreitar o olhar dos pais que estão na sala. Há pouco tempo, Carlos Silva tornou a reviver este “belo momento” desta vez como pai de dois filhos que frequentaram e participaram no baile na mesma escola. Alexandre Grazina, 53 anos, Fiscal Municipal Coordenador da Câmara Municipal de Azambuja, participou no seu baile de finalistas com 19 anos. Corria o ano de 1974, e o baile, com a actuação dos grupos Hobnob, Plutónicos e Aranha, teve lugar no espaço da lota em Vila Franca de Xira por não existir um espaço suficientemente grande no antigo Liceu Padre António Vieira, hoje Escola Reynaldo dos Santos. Recorda que os dias anteriores ao dia do baile de finalistas foram vividos com grande ansiedade e expectativa, esperando pela grande festa “onde se jogavam algumas vezes os namoros e paixões da altura e onde se fazia algum dinheiro para a viagem de finalistas”. Era também encarado como “uma apresentação de debutantes à comunidade local” e o fim de um ciclo já a pensar no acesso à universidade. Alexandre Grazina considera que hoje os tempos são outros. “Penso que a tradição está um pouco esquecida na sua essência. Além do valor simbólico do encerramento de um ciclo da nossa vida de estudante e pessoal, tinha igualmente um grande valor afectivo, uma vez que convidávamos os nossos familiares e amigos para compartilharem a nossa alegria”, refere. Hoje talvez não exista aquele ambiente místico e sentimental que caracterizava os bailes de finalistas, a estreia de roupas novas, os melhores penteados…”, aponta. Realça ainda a particularidade de este ser um dia muito importante para os rapazes que não frequentavam o liceu uma vez que era a oportunidade de poderem conviver e dançar com as raparigas do liceu, que para eles eram vistas de uma forma diferente das outras, “por possuirem alguns predicados que não sabiam bem identificar e que por isso lhes aguçava a curiosidade”.Carlos Carvalheiro, 53 anos, encenador e actor do grupo Fatias de Cá, associa a palavra “chegar a grande” aos bailes de finalistas. Foi a 15 de Janeiro de 1972, tinha 16 anos, quando participou no seu baile de finalistas, no 7.º ano do Liceu de Tomar e que se realizou no Hotel dos Templários. Para o encenador a grande diferença que existe entre os bailes de hoje e os da sua época é a moda da roupa. “Nesse dia, tomei banho e vesti o meu fato castanho às riscas da ‘comunhão solene’ e fui para o baile a fingir que não tinha vergonha de dançar”, recorda com o seu habitual bom-humor.
Recordações dos bailes de outros tempos

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