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Azambujeira bate Tigres do Cartaxo e revalida título distrital do Inatel

Azambujeira bate Tigres do Cartaxo e revalida título distrital do Inatel

Equipa do concelho de Rio Maior ganhou por 3-0 e quer agora realizar o sonho de disputar a final nacional da competição e trazer o título para a freguesia

A equipa da Associação Desportiva e Recreativa da Azambujeira, do concelho de Rio Maior, venceu dia 1, Os Tigres do Cartaxo, 3-0 e sagrou-se mais uma vez campeã distrital de futebol do Inatel. No jogo do terceiro e quarto lugares o Paço dos Negros levou a melhor sobre o Lavre por 4-2 e segue com os dois primeiros até à fase nacional da prova.

Edição de 06.05.2009 | Desporto
Foi uma final atípica. Quem entrasse por curiosidade no Complexo Desportivo José Sousa Gomes, em Fazendas de Almeirim, ficava a pensar que estava a assistir a um jogo entre equipas africanas. A grande maioria dos jogadores das duas equipas eram de raça negra, o que de modo algum as identificava com a Azambujeira ou o Cartaxo.Esta situação muito comentada pelas pessoas que assistiam à final, porque na opinião da maioria desvirtua o futebol do Inatel. “Até aqui era obrigatório fazer prova de que todos os jogadores eram trabalhadores e viviam na respectiva freguesia. Agora a maioria dos jogadores são estrangeiros e só têm a ver com a freguesia porque alguém os vai buscar à zona de Lisboa e lhes paga para virem jogar. O que deturpa o espírito do desporto do Inatel”, discutiam dois espectadores que nada tinham a ver com as duas equipas em campo.A equipa de Os Tigres do Cartaxo participa pela primeira vez no Campeonato Distrital do Inatel, por isso a final foi um duelo inédito no distrito de Santarém onde o Azambujeira voltou a levar a melhor. Nas últimas sete épocas, a equipa do concelho de Rio Maior ganhou cinco títulos distritais e o Paço dos Negros um, a que este juntou o de campeão nacional do Inatel em 2005/2006 e 2006/2007. São estas duas equipas que vinham dominando o futebol para trabalhadores do distrito. Os Tigres do Cartaxo vieram agora intrometer-se na luta habitual.A Azambujeira revalidou o título com justiça, fruto da boa exibição colectiva e individual de algumas peças do conjunto. Nas bancadas do campo do Complexo Desportivo José Sousa Gomes, em Fazendas de Almeirim, as claques das quatro equipas fizeram a festa com desportivismo. O sol ajudou, o folclore das Fazendas e de Benfica do Ribatejo, a Banda Marcial de Almeirim e as danças de salão aqueceram o ambiente e ajudaram a passar as horas de intervalo entre o almoço e o jogo da final. Os três pára-quedistas aterraram com a bola do jogo no meio do relvado, pouco antes do início do jogo. A festa foi muito bonita.Soado o apito do árbitro, a partida começou dividida e rijinha mas com o Azambujeira a chegar mais perto da baliza adversária. Aos 20 minutos, um cruzamento para a área apanhou Dani sem marcação e ele não perdoou, marcou o primeiro golo do Azambujeira. Golo que já podia ter acontecido antes.A festa dos adeptos do Azambujeira e da maioria dos espectadores presentes aqueceu. E 10 minutos depois atingiu o auge. Tiago marcou o segundo golo do Azambujeira e logo se viu que Os Tigres não tinham capacidade para dar a volta ao marcador. A Azambujeira deu o golpe final no jogo a partir do minuto 60. Dani aproveitou da melhor maneira um passe de Carlitos para voltar a bater Paulo Vítor. Sucederam-se as substituições nos bancos de suplentes mas o domínio do jogo pendeu sempre para o lado do Azambujeira. A partida terminou pouco tempo depois e os adeptos da equipa do concelho de Rio Maior invadiram o campo para saudar os campeões. Mesmo com a derrota a pequena claque de Os Tigres aplaudiu os representantes da terra. Quanto ao jogo aceita-se perfeitamente a vitória da Azambujeira, que mostrou neste jogo melhor colectivo e também melhores valores individuais.Acabado o campeonato distrital, Azambujeira, Os Tigres do Cartaxo e Paço dos Negros vão disputar a fase nacional da competição em três jogos a eliminar com três equipas de Lisboa. A final sul do campeonato será disputada com o vencedor zonas de Beja e de Setúbal.“Inatel não fecha as portas a ninguém”Satisfeito com a forma como a “Festa do Futebol Popular” estava a decorrer estava o delegado do Inatel em Santarém, António Rola. “Mais uma vez estamos perante uma festa maravilhosa, a organização está de parabéns e o Inatel só pode estar satisfeito”, disse.Colocado perante a questão do crescimento do futebol no Inatel de Santarém e com o facto das equipas terem muitos estrangeiros a jogar, António Rola disse que “a Fundação Inatel não fecha as portas a ninguém. Os centros de desporto e cultura é que mandam, organizam as equipas e nós recebemo-las. Quanto aos jogadores estrangeiros, desde que estejam legalizados, são tratados da mesma maneira que os trabalhadores portugueses. Queremos continuar a desenvolver o desporto para os tempos livres dos trabalhadores, sem descriminar ninguém, e fazer festas como esta que estamos a assistir, nada mais nos move do que isso”, garantiu.“Chegar à finalé objectivo” O treinador do Azambujeira, Pita, não foi o técnico durante toda a época. É treinador das camadas jovens do Núcleo Sportinguista de Rio Maior. “Pediram-me para vir dar uma ajuda, aceitei e agora vou ficar até ao nacional”, disse. Num balanço da final distrital o técnico considerou justo o resultado. “Marcámos mais golos e jogámos melhor. Este é um degrau numa caminhada em que fizemos um compromisso uns com os outros de alcançar a final nacional do Inatel. Para já temos o objectivo distrital conseguido”, afirmou a O MIRANTE. Pita reconhece que os seus jogadores têm categoria para estar noutro patamar do futebol distrital. “A equipa tem um excelente plantel, vários destes jogadores faziam figura em equipas de outros campeonatos”, conta, garantindo que agora vai tentar ter mais tempo para treinar os jogadores, de forma a “lutar com mais afinco para trazer o título nacional para a Azambujeira. Uma equipa que já merece ter essa taça no seu currículo”. Nas hostes da equipa do concelho do Cartaxo era natural alguma desilusão pela perda da final. Para o técnico Paulo Vítor o resultado desnivelado teve que ver com o facto de a sua equipa ter arriscado mais para chegar no mínimo ao empate. “Fizemos o que era possível. Dignificámos a final, e para um grupo de trabalhadores que tem muita dificuldade para treinar, não era possível pedir muito mais. Agora vamos reflectir e de certeza que vamos entrar no nacional para lutar pela vitória”, disse.
Azambujeira bate Tigres do Cartaxo e revalida título distrital do Inatel

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