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Centenas de pessoas regressam à escola mais de 20 anos depois

Centenas de pessoas regressam à escola mais de 20 anos depois

Primeiro-ministro incentiva ao aproveitamento do programa em Salvaterra de Magos

Alunos levaram pais e avós para a escola e partilham experiências de ensino em casa. Escola Profissional de Salvaterra de Magos é exemplo nacional.

Edição de 06.05.2009 | Sociedade
Mais de 20 anos depois, o sargento da GNR Fernando Simões regressou aos bancos da escola para certificar as suas competências e obter a equivalência ao 12º ano. “Foi um desafio e não vou ficar por aqui”, revelou o militar que está a preparar o acesso à Universidade Aberta de Coruche para estudar Ciências Sociais. Não é fácil regressar à escola vinte, trinta ou setenta anos depois e assumir a necessidade de validar conhecimentos e competências. Que o diga João André, que aos 85 anos é o menos jovem dos mais de 800 mil formandos inscritos no programa nacional Novas Oportunidades. Foi este exemplo que motivou a visita do primeiro-ministro à Escola Profissional de Salvaterra de Magos (EPSM) no dia 29 de Abril. José Sócrates entregou dezenas de diplomas aos formandos que concluíram o processo de validação de competências e obtiveram a equivalência ao 9º e ao 12º ano. Entre os diplomados, estão militares da GNR, empresários, operários, administrativos. Pessoas com as mais variadas profissões e experiências de vida. Eugénia Canudo, empresária e fadista amadora foi uma das formandas que recebeu o diploma das mãos do chefe do Governo. “Foi uma oportunidade muito boa e temos que aproveitar”, disse num diálogo curto com José Sócrates. A formanda obteve o 12º ano ainda antes dos filhos que estudam na mesma escola. Em casa partilharam conhecimentos e alimentaram debates. Tal como o sargento que comanda o Núcleo de Investigação Criminal (NIC) da GNR em Coruche que tem dois filhos a estudar no 8º e 9º ano. “Com esta atitude mostrei-lhes a importância de estudar ao longo da vida. A formação tem de ser contínua. Não nos podemos acomodar”, realça o militar.E para quem pensa que o processo é “demasiado fácil”, formandos e formadores contrariam a ideia. “Foi um processo muito exigente. Já não estudava há 20 anos. Tive de pedir ajudas e fazer muita investigação”, explica Dora Almeida, administrativa, desempregada. “Espero que o diploma seja mais uma ajuda para conseguir regressar ao mercado de trabalho”, adianta. Competências não são sinónimo de emprego, mas podem ajudar. Salomé Rafael, directora da Escola Profissional de Salvaterra de Magos elogia a sensibilidade dos empregadores que viram no processo das Novas Oportunidades um factor de valorização dos seus colaboradores e criaram condições para que pudessem concluir a certificação. A escola tem quatrocentos alunos no período pós-laboral, tantos quantos frequentam o estabelecimento em horário normal. “Temos casos de alunos que trouxeram os pais e os avós para a escola”, realça perante o sorriso do primeiro-ministro e da ministra da Educação.Mário Gonçalves, formador na EPSM, destaca a mais valia de partilhar com alunos de idade mais avançada experiências de vida únicas. “Há uma partilha. Nós ensinamos, mas também aprendemos muito”, confessa o docente que fez um mestrado na área do processo de Reconhecimento, Validação e Certificação de Competências (RVCC).E porque o exemplo começa na escola. O responsável da portaria da escola, António Baião, também aderiu ao processo e depois de obter o 9º ano está a concluir a certificação do 12º ano. “Não podemos perder a oportunidade”, diz, depois de se despedir da ministra da Educação que foi recebida com apupos e vaias por alunos da Escola Secundária de Salvaterra de Magos.
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