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Taxistas disputam praças de Vila Franca de Xira

Taxistas disputam praças de Vila Franca de Xira

Grupo de profissionais quer regime livre no concelho

Regulamentos obrigam taxistas a ignorar clientes que encontrem fora da sua praça de origem. Grupo de profissionais quer trabalhar em todo o sul do concelho.

Edição de 06.05.2009 | Sociedade
Um grupo de taxistas quer acabar com o sistema de praça fixa que vigora na maior parte das freguesias do concelho. Francisco Lopes da Silva, taxista de Alhandra, lidera um grupo de que pretende a criação de uma “coroa” no sul do concelho, semelhante à que abrange Vila Franca de Xira, Castanheira do Ribatejo e Cachoeiras, que permite a livre circulação dos taxistas daquela área pelas praças vizinhas. O grupo de taxistas, que inclui profissionais das praças de Alhandra, S. João dos Montes, Sobralinho, Calhandriz, Alverca, Forte da Casa, Póvoa de Santa Iria e Vialonga quer evitar que “se trabalhe por um individualismo e centralismo que, origina por vezes atritos entre industriais que são olhados como intrusos em determinadas zonas”. A criação de uma “coroa” paralela à actual iria “criar um serviço de proximidade e união na classe”, garantiu a O MIRANTE Francisco Silva. Os taxistas descontentes já manifestaram junto da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira o seu “descontentamento perante o sistema de ordenamento e de funcionamento do contingente dos táxis nas freguesias a sul do concelho” e defendem a medida como solução para uma melhor “acessibilidade entre o táxi e o cliente”. As situações em que um taxista, no regresso de um serviço, se vê impedido de recolher novos clientes que o solicitem no caminho, por se encontrar fora da praça em que está inscrita a sua licença terminaria, notam os profissionais. O grupo quer a discussão dos estacionamentos já existentes e dos novos a definir, sinalização informativa na saída das paragens e estações de transporte público e no seu interior, bem como na própria sinalização nas localidades. A criação de espaços de estacionamento quando decorrerem eventos culturais, desportivos ou festivos junto dos recintos em que se realizam e a criação de uma faixa publicitária autárquica nos automóveis são outras das propostas dos profissionais. A liberalização do trabalho dos taxistas na zona sul do concelho não colhe no entanto o apoio da maior parte dos profissionais. Em Vialonga, Rui André, taxista desde 2001, considera que “a praça fixa é melhor que a móvel”. José Braga, que trabalha naquela freguesia desde 1980, defende também o actual modelo, que é o seu ganha-pão. “Aqui há mais trabalho que noutras freguesias. E por isso é que houve taxistas de Alhandra que quiseram transferir-se para Vialonga, Póvoa ou Alverca. De tal modo, que ainda há pouco tempo foi vendido um lugar na praça da Póvoa por 12500 euros, enquanto em Alhandra, não valem mais de 4000”, relata. Na praça de Alverca, a maioria dos taxistas também quer a manutenção do actual sistema. “É importante que depois de cada serviço, se mantenha o regresso à praça original, para que não estejamos a tirar trabalho aos colegas”, defende Fernando Ramos. E denuncia o interesse de alguns taxistas pelas praças de Póvoa e Vialonga. “Em cada uma há mais trabalho até que na cidade de Alverca”, assegura, o profissional que também já trabalhou naquelas duas praças. As propostas de liberalização da circulação de táxis no concelho, se parecem desagradar aos profissionais, parecem satisfazer os autarcas. O vereador do urbanismo, Alberto Mesquita, como presidente em exercício, em substituição de Maria da Luz Rosinha, prometeu agendar uma reunião com o grupo de taxistas quer mudar as regras de circulação. O vereador Rui Rei, da Coligação “Mudar Vila Franca”, foi ainda mais longe e recomendou a criação de uma coroa única para todo o concelho. Os taxistas da praça de Vila Franca de Xira, cerca de 20, são abrangidos pela “coroa” norte mas discordam de ambas as propostas de alterações. “Com a liberalização até poderíamos ser beneficiados, ao ir buscar serviço a praças como Alhandra, mas cada um deve ter o seu espaço”, considera Miguel Duarte. “A maior parte das pessoas tem automóvel e só recorre ao táxi em caso de extrema necessidade, por isso a situação é complicada para todos”, acrescenta. A utilização de uma coroa própria, com uma central de rádio autónoma – Xirataxis - da que é utilizada no resto do concelho, a Ribataxis, não deixa descansado o profissional em caso de liberalização. “Iríamos fazer um serviço de Vila Franca de Xira até ao Porto Alto em tarifa 1, mais barata. E no regresso, voltaríamos sem ninguém, por falta de clientela”.ANTRAL apoia nova coroa A associação nacional que representa os taxistas apoia a criação de uma nova coroa em Vila Franca de Xira. O presidente da Associação Nacional de Transportadores em Automóveis Ligeiros (ANTRAL), Florêncio Almeida, assumiu estar “completamente de acordo com uma segunda coroa, que permita aos taxistas circular à vontade dentro da sua zona e apanhar clientes em qualquer lado. Trata-se de adaptar a oferta à procura”, afirma o responsável. O dirigente acrescenta no entanto “compreender” a posição dos taxistas contrários à ideia. “Quem está em zonas com menor clientela não pode simplesmente querer tomar pela força as áreas do colegas. É como ter um restaurante, querer fechá-lo por falta de clientela e quer reabri-lo no espaço onde o vizinho tem o seu”, nota.
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