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“Cavaleiros recusaram tourear comigo porque era um mundo dos homens”

Sónia Matias foi a primeira cavaleira de alternativa em Portugal

Sónia Matias tirou a alternativa em Santarém com mais de 10 mil espectadores.

Edição de 13.05.2009 | Cultura e Lazer
Foi nos campos de Samora Correia que Sónia Matias despertou para a festa brava e o incentivo dos campinos Joaquim Vinagre, primo da cavaleira, e Francisco Paulino, foi determinante para a jovem franzina, mas cheia de garra, entrar num espaço até então eminentemente masculino. “Eu vivia em Lisboa, se não me tivesse deslocado para Samora nunca teria seguido esta vida”, adiantou.Sónia Matias, a menina loira e de sorriso contagiante, foi a primeira cavaleira de alternativa em Portugal. Antes já várias tinham tentado, mas a condição de mulher não lhes permitiu vestir a casaca bordada. “A alternativa foi um dia único. Tirar a alternativa na praça de Santarém, completamente cheia, com a casaca azul com que sonhei e com o João Moura como padrinho e um cartel de luxo, foi uma tarde fascinante”, revelou a cavaleira num debate que decorreu na noite de sexta-feira, em Samora Correia, integrado na Semana Taurina.Sónia Matias tirou a alternativa a 18 de Junho de 2000, mas começou a lidar com os toiros bravos aos 13 anos. Recordou os primeiros momentos vividos na herdade de Pancas, lidando reses cedidas por Rafael Vilhais na ganadaria Conde Cabral. A cavaleira foi um fenómeno internacional e já triunfou nas principais arenas do mundo. Mas a vida não tem sido fácil. “A princípio tive alguns problemas. Houve cavaleiros que recusaram tourear comigo. Hoje são meus amigos e respeitam-me”, disse, não divulgando os nomes dos oponentes. Sónia Matias tem uma estatura baixa, um corpo franzino, mas uma vontade de vencer do tamanho do mundo que transparece no optimismo do discurso. “A minha força interior é muito grande”, refere com o sorriso de uma triunfadora.“Alguns não distinguem um novilho dum carneiro”Num debate moderado por Sérgio Perilhão e que contou com o ganadeiro Rafael Vilhais e os campinos Francisco Paulino e Paulo Correia ficou bem marcado o receio da festa brava estar ameaçada pelos movimentos de defesa dos animais. “São movimentos com muito dinheiro por trás e que só querem destruir a festa porque alguns não distinguem um novilho dum carneiro”, ironizou. Rafael Vilhais disse que já não compensa criar toiros de lide para as corridas em Portugal e “sem toiro não há espectáculo”. Os campinos partilharam algumas das estórias vividas no campo e nas arenas. Paulo Correia reclamou mais respeito pelo homem do colete encarnado que recolhe os toiros nas arenas. “Ainda não entrámos na arena, já estão a assobiar”, disse, criticando o envolvimento dos bandarilheiros no trabalho dos campinos.O colóquio, que reuniu mais de duas centenas e meia de aficionados, foi antecedido de um momento luso-espanhol com a actuação do coro rociero “Aromas del Camino” vindo de Badajoz e a apresentação da fadista ribatejana Maria Veneno cantando fados alusivos à festa taurina. Na galeria do centro cultural os visitantes foram recebidos com fotos de campinos da autoria do fotógrafo Paulo Torrado.

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