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Farmácias são um ponto de abrigo onde idosos procuram palavras amigas

Farmácias são um ponto de abrigo onde idosos procuram palavras amigas

Joana Silva é farmacêutica em Azambuja e adora a profissão

Para Joana Silva a profissão de farmacêutico apenas tem vantagens: absorve a maioria dos licenciados, contempla os alunos com alguma teoria médica e é uma oportunidade para ajudar o próximo.

Edição de 13.05.2009 | Identidade Profissional
O primeiro passo para criar um medicamento é isolar das células os receptores com os quais cada “droga” interage, determinando a estrutura da molécula. Parece confuso, mas não é. Seguem-se testes em biotérios, testes clínicos num grupo restrito de humanos e, só depois, testes de larga escala em voluntários. O processo é moroso e chega a arrastar-se durante décadas. No total, podem ser investidos milhares de milhões de euros na confecção de um único medicamento.É nessa viagem que Joana Maria Silva, farmacêutica, 27 anos, parece pensar enquanto olha para a caixa de um medicamento que tem na mão. Os comprimidos que a embalagem contém prometem ajudar os doentes a recuperar de um leque de enfermidades. Da gripe às cóleras, da dor de cabeça às micoses. A profissão de farmacêutico tem evoluído a um ritmo veloz ao longo dos anos mas a sua principal tarefa continua semelhante aos primórdios: estudar os medicamentos, vacinas e substâncias químicas que podem ter uma influência positiva nos organismos vivos e, sobretudo, nos seres humanos. O farmacêutico tem também, regra geral, a função de preparar, conservar e distribuir medicamentos para uso humano e até veterinário. Os medicamentos podem ter vários fins, sobretudo de carácter medicinal, higiénico e profilático. “Um dos problemas da profissão é que a função também varia consoante as actividades em que o farmacêutico está envolvido, nomeadamente farmácias de oficina, hospitalares ou até de análises clínicas”, explica Joana Silva a O MIRANTE.O curso de farmácia permite, pois, que os alunos enveredem por várias áreas, desde as análises clínicas, indústria farmacêutica e farmácia comunitária, “que normalmente é aquilo que as pessoas conhecem melhor, porque é onde vão levantar os medicamentos”, refere a nossa interlocutora. Joana cresceu numa farmácia na Azambuja, onde a mãe já trabalhava. O gosto levou-a sem hesitações para um curso superior de ciências farmacêuticas, curso classificado muitas vezes como o “parente pobre” da medicina. “Eu não considero a farmácia o parente pobre da medicina. É um curso igualmente trabalhoso, dividido entre muitos trabalhos de grupo e um estágio. Temos de fazer correctamente a despensa dos medicamentos e de produtos de saúde, tentando elucidar o doente da posologia, eventuais contra-indicações, riscos e sintomas que possa ter quando toma a medicação. Temos muita responsabilidade”, explica. Para esta profissional, o aliciante da profissão é ter a certeza de que haverá saídas profissionais de qualidade e em quantidade no final do curso. “Quando a pessoa vai para um curso não deve pensar nas matérias ou disciplinas que vai estudar mas sim nas saídas profissionais que terá. Alguns cursos permitem ter um grande currículo, mas depois em saídas profissionais a pessoa não se consegue realizar” defende. Mais de metade dos estudantes de farmácia é proveniente de cursos de medicina, onde não conseguiram colocação. “Mas ao fim do segundo ano mais de metade desiste, porque não era aquilo que ambicionavam”, afiança a nossa interlocutora.Quem trabalha numa farmácia é também confrontado, muitas vezes, com questões sociais delicadas. “Há quem procure as farmácias apenas para ter uma palavra de apoio e incentivo. Vêm aqui apenas para conversar e para receber algum ânimo. Principalmente agora, com o calor, os mais idosos sentem-se mal e nós medimos a tensão arterial e damos água”, refere. A profissional de saúde recorda que “há quem venha medir a tensão todos os dias apenas para desabafar e ter alguém para conversar”.E ao contrário da crença popular, nem sempre o que os médicos receitam está correcto. “Há sempre erros, quer nossos quer dos médicos. Por isso mesmo a interacção médico-farmacêutico é muito importante. Sempre que vimos algo que não percebemos telefonamos ao médico. E é dessa interacção que vêm pequenos ajustes que melhoram a vida do doente”, explica. Existem inclusive casos de receitas de medicamentos que já saíram de circulação. Actualmente os medicamentos estão a descer de preço. A tendência global e futura, segundo esta profissional, é que os mesmos continuem a baixar e a ficar cada vez mais acessíveis. Sobretudo os genéricos.
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