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A importância do 10 de Junho em Santarém

O MIRANTE convidou quatro personalidades da cidade de Santarém para darem a sua opinião acerca da importância da realização das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades na capital de distrito. Bem como que pessoas ou entidades gostariam de ver homenageadas pelo Presidente da República nesse dia. Os depoimentos podem também ser vistos em vídeo, em O MIRANTE TV, no diário online em www.omirante.pt.

Edição de 13.05.2009 | Opinião
Oportunidade única para projectar o RibatejoSegundo a professora de História Contemporânea na Faculdade de Letras do Porto, Conceição Meireles, após a implantação da República, com a reorganização dos feriados, foi dada aos municípios a possibilidade de escolherem um dia do ano que representasse as suas festas tradicionais. Lisboa escolheu para feriado municipal o dia 10 de Junho, em honra de Camões, que terá morrido nesse dia em 1580.Antes do 25 de Abril, o 10 de Junho passou a ser festejado como o Dia de Camões, de Portugal e da Raça. Após a Revolução dos Cravos passou a ser comemorado como o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas.Trata-se de uma data do maior relevo, que deve ser aproveitada para estreitar e fortalecer os laços de unidade nacional e as ligações fraternas entre os portugueses, não só a nível nacional, como pelos que se encontram espalhados por todos os recantos do mundo.É pois uma excelente oportunidade para manifestarmos o nosso orgulho pelos feitos gloriosos dos nossos antepassados, reconhecermos os méritos e qualidades excepcionais de muitos dos nossos contemporâneos e organizarmos as bases dum futuro novo e melhor para os nossos netos.A escolha de Santarém para a realização das cerimónias deste ano, é pois uma oportunidade excepcional, e talvez única, para esta geração projectar o nome e a imagem da nossa capital do Ribatejo. Para demonstrarmos o nosso apego e querer pelos valores do Portugal Democrático e evidenciar a capacidade de organização e realização das autoridades da nossa terra. Poderá ainda ser uma excelente oportunidade para publicamente agraciar quem ao longo de décadas e até séculos têm demonstrado mérito excepcional ao serviço da nossa comunidade. Estou a lembrar-me de instituições como a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários e a Santa Casa da Misericórdia de Santarém, de conterrâneos ilustres como o Dr. Gonçalves Isabelinha e o Professor Doutor Veríssimo Serrão. Bem como de autarcas que nas câmaras municipais e nas juntas de freguesia têm servido exemplarmente as populações ribatejanas. E o próprio jornal O MIRANTE, que na minha opinião é o órgão de comunicação social regional de maior sucesso após o 25 de Abril, quer do ponto de vista informativo quer empresarial.*Assessor da administração da TecnoviaTeremos que ser mais selectivos nas apostasA celebração do dia 10 de Junho é um marco muito importante na vida e história dos portugueses. Felicito o executivo camarário, na pessoa do seu presidente, Dr. Francisco Moita Flores, por ter conseguido conquistar para Santarém as Comemorações do Dia de Portugal e de Camões, que conjuga perfeitamente com o símbolo e património de Santarém como terra de liberdade e o contributo que deu para que o 25 de Abril tivesse sido plenamente concretizado.Como defensor da nossa Região, gostaria que o 10 de Junho consagrasse 3 figuras que considero como referenciais para o distrito. Mário Albuquerque, ex-deputado do PSD, pelo trabalho desenvolvido em prol da região e do Concelho de Ourém, tornando-o num território de desenvolvimento assinalável durante a sua liderança na autarquia. Como pessoa, pela sua honestidade, integridade e forma de estar ao serviço dos outros. Como politico é um exemplo a seguir.Marco Chagas, figura ímpar no Desporto, nomeadamente no ciclismo. Destaca-se pela sua simplicidade e forma como se entregou nesta modalidade de grande sacrifício, representando as qualidades que um Homem deve ter para lutar e ganhar.José Eduardo Carvalho, com a sua capacidade de trabalho e empenho que dedica aos projectos em que se envolve, denotam uma personalidade exemplar. Não só na Nersant, a sua capacidade de inovar e empreender os melhores caminhos para o desenvolvimento, fazem com que as empresas da nossa Região possam estar melhor suportadas por estratégias concretas conducentes ao sucesso empresarial.Apesar da crise, estou convicto que Portugal, as suas empresas e os seus empregados, vão conseguir, mais uma vez, encontrar os caminhos do desenvolvimento. Todos sabemos que atravessamos uma crise de confiança. Apesar dos portugueses serem dos mais pessimistas da Europa, estou certo de que com políticas adequadas de apoio às empresas e com um sistema financeiro pró-activo, vai ser possível criar riqueza, investir, aumentar as fontes de trabalho e desenvolver a região e o país.Teremos contudo que ser mais selectivos nas nossas apostas e mais exigentes nos resultados, abordando o desenvolvimento como uma ferramenta essencial no cumprimento da responsabilidade social que a todos engloba.* Presidente da Comissão Executiva da NersantPensar e falar em PortuguêsAssinalar datas, comemorar dias festivos, evocar histórias do passado e do presente parece ser uma característica dos portugueses, mas falar do dia 10 de Junho merece uma paragem de reflexão. «As armas e os barões assinalados» deste nosso Portugal, evocado pelo mui ilustre poeta Luís Vaz de Camões, voam nas nossas memórias para o nome dos descobridores portugueses, para os achamentos do Mundo novo, para os diferentes linguarejares encontrados. Hoje, passados os séculos, ouvimos falar em Português pelos diversos continentes e, invariavelmente, em cada viagem que fazemos, registamos a marca nacional estampada nas diferentes culturas e a língua de Camões mesclada com outras línguas, pelo que, quando passamos, é com um sorriso que pensamos «É português!».Assim, ao celebrarmos o dia 10 de Junho em Santarém enobrecemos a nossa cidade ribatejana. Por isso, é um dia para memorar com Portugal, as comunidades portuguesas e o Mundo e engalanar a alma de ser português.* Presidente da Escola Ginestal MachadoHomenagear os mais necessitados Desde que vivemos em democracia, nunca o poder de Lisboa olhou para Santarém com a dignidade mínima que a nossa cidade merece. Não apenas pela história que ela encerra, mas sobretudo pelas pessoas que continuam a dar a este país, o qual se esqueceu de si próprio, das suas raízes e, como tal, das suas gentes. Aqui e ali vai-se lembrando da sua interioridade, mas apenas daqueles que gritam mais alto. Ora, a história recente demonstra que os escalabitanos gritam mais sozinhos do que em coro. Daí que só nos podemos queixar de nós próprios, pelo facto da nossa cidade ser uma das últimas a acolher o dia de Portugal. Receber o dia de Portugal, de Camões e das Comunidades em Santarém, é um privilégio que a cidade desde há muito merecia. O primeiro impulso será o de apresentarmos ao mundo o melhor de nós, o que não deixa de ser obrigatório. Porém, reduzir o Dia de Portugal à realidade de cada região, não me parece inteligente.Camões representa o génio da pátria. Representa Portugal na sua dimensão mais esplendorosa e mais genial. Mas essa genialidade de Portugal conduziu-nos ao que somos hoje. E, valha a verdade, não gostamos muito do que vemos quando nos miramos ao espelho. Devíamos pois ter a coragem de partir para uma introspecção colectiva honesta sobre o actual momento da nossa portugalidade.Doravante, o dia de Portugal deveria assim assentar em dois pilares: mostrar o que cada um faz bem, mas perceber porque não fazemos melhor. As nossas elites políticas insistem em ficar na espuma dos dias, recusando-se descer às desconformidades da nossa existência. Deveríamos aproveitar este momento de profunda crise ética, moral e económica, para iniciar um processo de análise colectiva, nas escolas e universidades, no trabalho e nas famílias, nas associações e nas autarquias, em todo a tecido social, de modo a que o próximo 10 de Junho traduzisse uma consciência do que nos poderá motivar como nação.Finalmente, no meio do tilintar de tantas medalhas e condecorações – as quais me deixam sempre boquiaberto, visto que se há afinal tanta gente de mérito, porque é que o país não evolui mais? -, que tal descobrir uma família necessitada, de gente de trabalho, cujos salários raramente chegam aos 600 euros, para homenagear em nome de todos nós. Sim, esses são os genuínos heróis do génio português actual: aguentam com estoicidade o quotidiano e, não obstante os desenganos com que são presenteados, mantêm acesa a esperança de um Portugal melhor.*Director da delegação distrital da Autoridade para as Condições do Trabalho

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