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Paulo Robalo

Paulo Robalo

47 anos, Administrador da Pollux, Vila Franca de Xira

Paulo Robalo, 47 anos, é um dos administradores da Pollux, uma empresa de utilidades domésticas e hoteleiras, onde trabalha com o pai há 23 anos. Divide-se entre Vila Franca de Xira e Aveiro, entre os jogos de futebol do filho e actividades da natação da filha. Vive em Algés, é pai de três jovens, mas sempre que pode fugir à rotina parte com a mulher para um fim-de-semana solitário.

Edição de 13.05.2009 | Três Dimensões
Trabalho há 23 anos na empresa com o meu pai. Escolhemos Vila Franca de Xira por uma questão de oportunidade e localização que é excelente. Estou na cidade de segunda a quinta-feira. À sexta-feira vou sempre para Aveiro onde temos instalações. Moro em Algés. Agora o percurso é rápido. Ando sempre ao contrário do trânsito. Quando as pessoas estão a entrar em Lisboa estou a sair. Quando as pessoas estão a sair de Lisboa estou eu a entrar. Demoro menos tempo de Algés a Vila Franca de Xira do que demoram alguns vizinhos meus para o Marquês de Pombal. Quando começámos, como não havia CREL, se saíssemos depois das seis e meia da manhã chegávamos às dez da manhã a Vila Franca. Era horrível. Tenho três filhos. Um rapaz com 18 anos, uma rapariga com 16 e um rapaz com cinco. Levanto-me às seis e meia da manhã todos os dias. Faço mais de 130 quilómetros. Vou levar os dois mais velhos à escola antes de vir para o trabalho. Estou cá às 08h30. Gosto de conduzir. É uma forma de relaxar. Oiço rádio. Gosto de acompanhar entrevistas. Não oiço música. Quando é assim prefiro fazer eu a selecção. Os meus filhos mais velhos são atletas federados. Normalmente vou buscar o meu filho que joga no Linda-a-Velha e que acaba o treino às dez e meia da noite. A minha mulher vai buscar a minha filha que é nadadora do Belenenses e termina o treino às nove da noite. Mesmo durante a semana só estacionamos às dez e meia da noite. Até essa hora anda cada um para o seu lado. Conforme vão chegando vão jantando. Só conseguimos jantar todos juntos ao fim-de-semana.Quando tem que se gerir uma empresa e se tem família alguma coisa tem que ficar para trás. É impossível ter tempo para tudo. A família fica um pouco prejudicada. Tento dar o mais possível, mas não acredito que seja o suficiente. À noite tento estar com eles um pouco. O domingo é sagrado para a família. Também tenho o sábado de quinze em quinze dias para estar com eles. Acho que sentem que o pai está ocupado com a empresa. A minha esposa trabalha meio-dia. O mais novo é a minha mulher que leva à escola. A partir das duas da tarde vai para casa, para o “outro” trabalho. Trabalha com o pai, o que lhe permite fazer a gestão do tempo com alguma liberdade.Sou muito preguiçoso. O máximo que consegui foi frequentar um ginásio durante 15 dias. Uma pessoa que só se consegue libertar a partir das dez da noite já não tem paciência para mais nada. Faço ‘mapling’ e comando da televisão. E o tempo que tenho é para estar com a família. Aos domingos aproveitamos para passear. Almoçamos na casa dos meus pais. Depois os filhos, como é normal para a idade, querem é livrar-se dos pais e fico eu, a minha mulher e o mais pequeno em casa.Tiramos férias todos juntos. Normalmente vamos para o Algarve. Raramente saímos do país. Principalmente por causa do pequeno. Às vezes tiro alguns fins-de-semana para estar com a minha mulher. Os filhos têm que ter paciência e libertar-nos. É importante para o casal. É a única altura em que podemos estar verdadeiramente sós os dois. Nas outras alturas, mesmo quando estamos juntos, estamos sempre a pensar no que temos que fazer.Vou ao cinema muito raramente. É uma das falhas. A minha mulher adora cinema. Livros de cabeceira tenho sempre. Acabei agora um do prémio Nobel da economia que fala sobre as razões desta crise. Não sou capaz de ler romances. Tem que ser uma coisa mais técnica, mais virada para o trabalho.Sou um desorganizado por natureza. Não é possível mostrar o meu gabinete de trabalho. Tenho papéis por todo o lado. Trabalho nove horas por dia. Não é por trabalhar muitas horas que uma pessoa produz mais. No gabinete tenho apenas uma fotografia com os meus três filhos. Tento não levar problemas do trabalho para casa e tento que os problemas de casa não interfiram com o trabalho. A única coisa que peço às pessoas que trabalham connosco é que dêem o seu melhor. Pode não ser o óptimo, mas se for o melhor já estão a cumprir a obrigação. Mesmo quando não tomo a atitude mais certa uma coisa garanto: foi aquela que considerei melhor na altura. Temos um quadro de pessoal estável. Muitos conhecem-me desde miúdo. Eles não são meus funcionários. Tanto para mim como para o meu pai são quase da mesma família. Já ultrapassámos o laço patrão – empregado. Ana Santiago
Paulo Robalo

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